domingo, 29 de novembro de 2009

Capítulo 4 "Os Efeitos".

Capitulo 4. Os efeitos.

-Incrível! – disse Sara diante da amostra da força de 5 segundo atrás – Dessa distancia nem mesmo esse senhor poderia ter errado, seria a queima-roupa, você deveria estar morto – conclui a mesma espantada.
-Uol, Kaita, isso foi realmente incrível, eu tenho certeza que eu não errei, e se esses olhos ainda não estão me pregando ilusões, eu tive a impressão de ter visto a bala se esquivar de você garoto, o que é isso!?- reagiu o velho a o visto.
Sara se sentiu ignorada, porém diante daquele fato, não se importou e logo a frente Kai estava em silencio acomodado em suas conclusões silenciosas, como sempre fazia:
‘De fato, eu também pode perceber o deslocamento da bala, o que sana mais uma de minhas duvidas, a força em si esta presente não apenas em algumas partículas, assim como elétrons e pósitrons dão origem magnetismo e eletricidade, não necessariamente de forma respectiva, o resultado da mesma é a própria força, que são aplicadas nesse caso apenas em metais, ou dando origem a cargas elétricas, é só um exemplo é claro,
Porem em tais condições, a força seria a base das partículas subatômicas!? As partículas que em suma, formam o universo, com todos os campos e forças... Mais cedo, a força interagiu com a pedra e antes ainda com os livros...’
- você não dizer cara? – Sara, interrompendo-o, que em seguida fora interrompida também.
- você é abençoado por Deus garoto, em que outras circunstâncias a bala teria lhe esquivado, Deus o ama, e lhe deu o dom da sorte, lhe deu a arma para confortar as pessoas que vivem nesse país, você já percebeu não é!? Temos que ajudá-lo a trazer a vontade de Deus a tona – dizia o velho ao se aproximar, num tom de voz efusivo.
Aquilo incomodou Kaita, que mudou sua feição, ‘crentes! Sempre resumindo minhas teorias a sorte, ou dons, isso é patético’ foram as palavras que vieram a mente do garoto, mais não foram desferidas.
-Não se impressionem! De fato eu ainda não possa explicar o que aconteceu agora- e acanhado sorrio e caminhou na direção do velho Taylor que parecia tremulo ao segurar uma arma. – hehe, abaixa isso! – falou usando sua mão para abaixar a mão do velho.
O velho entrega a arma que Kai devolve a Sara.
-Essa cidade ta muito estranha- Sara confusa, ao pegar a arma. – Você não sabe o que aconteceu, mas mesmo assim pediu que eu atirasse em você não é? – perguntou, transbordando ironia.
‘tisc, eu sou um idiota, uma criança de 2 anos perceberia a minha mentira de uns segundos atrás, tenho que tomar cuidado, eu já despertei a duvida nessas mentes eu presumo, na verdade, eu não deveria ter deixado essas pessoas chegarem tão perto, ter deixado-os ver tantas coisas, no entanto, eu precisei do velho algumas vezes ate esse momento, parece que o cerco esta se fechando, e isso é um problema...’
É interrompido pela segunda vez:
- você não vai me responder é?! Sara impaciente.
- tisc, sim, essa cidade parece muito estranha mesmo, minha cidade natal era mais simples, os problemas se resumiam em capturar os cavalos que fugiam do curral ...- tentando despistar a garota respondendo a questão relevante do assunto.
-e o que importa a sua cidade e os problemas dela agora...- sara sendo interrompida em retruco.
- ... enquanto aqui temos que nos preocupar em responder perguntas idiotas também. Ironizou Kai.
- Eu acredito em você jovem, assim como eu acredito em Deus, e em milagres, milagres que parecem cercar você não é- Taylor.
Naquele momento, Kai sem lembrou de sua própria colocação silenciosa, ‘ até mesmo uma criança de 2 anos perceberia tal mentira’, porem o velho havia acreditado, uma palavra singular ecoou na cabeça do garoto naquele momento, apenas uma palavra, não era necessário outra para definir a situação: ‘crentes!’.
-Idiota, não deixe ele nos despistar- Sara já incomodada com as colocações de Taylor.
- Mas... quem é essa Kai – Perguntou o velho. – É apenas uma garota velho...- respondeu maliciosamente antes de concluir. Em sua cabeça mal podia conter os risos para com o velho, e percebeu uma oportunidade de se esquivar da garota:
‘Se eu fizer isso Taylor provavelmente ira anular Sara, um religioso e uma efusiva, a calmaria e a tempestade, me faz lembrar minhas aulas, meu professor sempre dizia.
A partícula que anula o elétron é o pósitron... eles são como essas partículas, o velho como pósitron uma carga positiva e a garota como elétron uma carga negativa, é, essa é a definição perfeita.’
- Perceba que ela nem mesmo acredita em Deus Taylor- Disse Kai, jogando um contra o outro.
- Você não acredita garota!? Deus deu a vida por você, e você o renega!?- persuadiu- a o velho.
- eu, eu , eu... eu não sei !? Sara confusa.
-Como você explica o ar, o céu e o mar, a vida, a eletricidade e todas as coisas que são impossíveis de explicar? – continuava o velho.
- É complicado, eu não sei o que dizer... – Sara se rendendo a certeza do velho.
E emplacaram numa conversa ínfima, resultado esperado por Kai, que sentiu-se bem, e percebeu que existia uma possibilidade de o Velho e a garota se darem bem futuramente, sentou-se no chão, e presenciou a discussão amistosas entre eles.
- E pensar que eu quase a defini como um problema!- resmungou o garoto.
Todos tinham uma expressão pacifica. Porem os dois não paravam de discutir, o que divertia Kai, sentado como um espectador fanático. O conteúdo da discussão era relevante, pareciam crianças, que argumentavam sobre seus personagens favoritos, sem sucesso em convencer o outro.
E por alguns minutos aquilo continuou. Até o momento em que alguém se aproximou, saindo da conveniência, e chegando brevemente ao ponto, onde os três estavam.
-Ei, Sara, o que você esta fazendo?- Disse outro homem, desconhecido por Kai e por Taylor, restava a eles descobrir se aquela era um rosto conhecido pela garota, que não demorou a responder.
- Ola Luci, esses são meus amigos! Kai e .. e... – Respondeu ao homem, confusa sobre o nome do velho. – eu sou Taylor, muito prazer. – disse o velho a estender sua mão.
Kai: ‘amigos!? Tisc’.
-Ahh nem sabia seu nome – Completou Sara. – Então, esses são Kai e Taylor.- Sara
- Tanto faz ! Disse Lucian ao negar o cumprimento do velho. – Nós precisamos conversar Sara, por que você saiu lá de dentro!? – esbravejou em forma interrogativa o rapaz. – Eu estava cansada de tanta desordem entre você e seus amigos, eu não entendo porque viemos pra Scar, tínhamos muito trabalho onde estávamos antes. – respondeu cabisbaixa Sara – Viemos porque recebemos ordens, e você que me acompanha a tanto tempo não deveria me deixar resolver tudo sozinho- Lucian, que em seguida segurou-a pelo braço.
- hei, não faça isso com a garota – velho Taylor atuou naquele momento.
Vendo as coisas ali de baixo, Kai supôs que um momento tenso estava a caminho.
‘deixe que ela vá velho, não entende que eles não estão sozinhos, e afinal, eles parecem se conhecer a longa data’
O velho caminhou para ajudar Sara, que afinal não precisava de sua ajuda. Recebeu de supetão um empurro do garoto, que era jovem, e ativo, quase tão ativo quanto sua irmã, os dois eram impulsivos demais aos olhos de Kai: ‘mais problemas, esse Taylor parece um imã de problemas, droga!’. E levantou-se para tentar evitar problemas.
- O que foi!? Vai proteger esse velhote!?- Completou Lucian que não parava de esbravejar desde o inicio da conversa. Porem Kai apenas se levantou.
E continuou sua conclusão silenciosa quanto a situação : ‘são 12 homens lá dentro alem desse aqui de fora, e eu já agi de forma idiota muitas vezes nessa ultima hora, são muitas testemunhas e muitas duvidas para com a força, para proteger ela que na verdade nem parece não saber se cuidar sozinha, a verdade é que o próprio velho tem me colocado em umas situações complicadas, será que ele não percebe!? A garota estava armada, conseqüentemente, existe uma possibilidade de 76% aproximadamente de eles também estarem...’
Interrompido novamente:
- Você não vai responder!? Ta com medo? – continuou a afronta a Kai. – Cala a boca Luci, eles não te fizeram nada – Sara finalmente disse algo, e se livrou das mãos que apertavam seu braço.
O ar no entanto estava pesado, era fixo o olhar dos dois jovens, e Sara percebeu isso, era quase evidente, quase era possível enxergar raios o conflito que eles travavam, apenas ao se olhar. E o silencio de Kai, era maciço, ele parecia atrair a raiva de Lucian:
‘Ele é imperativo, nesse caso existem duas opções, confrontá-lo fazendo o respeito a mim cair sobre ele ou recuar admitindo a hipótese de ele nos taxar como fracos, e avançar ainda mais. Eu não devo recuar por agora’.
-Venha Lucian, vamos conversar- Sara empurrou-o na direção contraria aos dois amigos. – Pare de procurar brigas com toda pessoa que se aproxima de mim! – Desabafou a garota. – Você deveria tomar cuidado, você não é uma debutante normal, que mora em uma cidade pacifica normal, você carrega armas, e esta num país que esta em guerra por não olhar pelos seus cidadãos, e você carrega o peso de vidas que tem tirado, e sabe o quão eles querem a sua cabeça, assim como querem a minha, eu não sei o que eu faria se te perdesse, entenda como eu me sinto- desabafou em retruco a Sara.
- Eu te entendo perfeitamente, só lhe peço pra não me aprisionar apenas a guerra, a minha cabeça precisa de descanso, não seja tão injusto com aquelas pessoas! – conclui a moça. – Sendo um pedido seu... eu não posso deixar de acatar – Lucian, agora mais calmo.
Os dois juntos traçaram o caminho de volta.
-ele esta mais calmo!? – Kai ao velho. – Se não estiver eu vou ter que fazer alguma coisa ! – disse o velho em resposta.
‘ tsic, ele ta pensando em brigar com o tal Luci!? Ele mal consegue respirar sem fazer barulho’
- Mantenha a calma Sr. Taylor, não precisamos de uma briga agora!- completou Kai. Os dois se aproximaram, e agora, diferente de antes, Lucian não estava tão agitado.
-Desculpem o Luci, ele ta com uns problemas, vocês entendem né!? – Explicou Sara aos amigos. – Não se preocupe, afinal, eu temo que tenhamos que partir mesmo. – Revelou Kai a garota.
-Depois de tanto mau humor, ela ainda tem que resolver as coisas pra ele – resmungou Taylor, ainda chateado com o ocorrido.
As pálpebras de Kai se viraram, ainda restava uma esperança de que não houvessem ouvido a voz do velho.
‘por que você não consegue se calar !?’ ecoou tal pergunta na cabeça do Kai
- tisc... –Lucian, que parecia incomodado com a presença de Kai e Taylor. – Ah! Eu entendo, vocês já vão mesmo!? – Sara em resposta a Kai. – Presumo que seja a melhor alternativa agora. – Kai que coloca a mão sobre o ombro do velho e conclui. – Vamos!?.
‘tisc, o que é isso? De repente eu estou... estou... tonto? É isso? Tontura? Que merda, será pelo uso da força também? Ah, agora eu me lembro, quando esse Luci se aproximou, eu me preveni, fiz uso da força para o caso de um eventual ataque com arma de fogo! Eu... e... eu, não sinto minhas pernas!’
A palidez do garoto era evidente, o suor escorrendo a direita de rosto denunciou o mal estar de Kai, que estava distante, usando uma fisionomia neutra, parecia não querer demonstrar fraqueza, não perto de Lucian.
-Hei garoto, você se sente bem? – perguntou Taylor sem obter resposta. – Kai, você ta estranho. – Enfatizou Sara.
Kai estava de pé e ele mesmo percebera que não podia se mover, não naquele momento.
E por alguns instantes, absteve-se daquele lugar em mente, nem mesmo suas vozes ele podia ouvir, estava preso em lugar ao qual o mesmo definiria como vazio se não pudesse perceber o tempo, logo concluiu que não era o vazio, era algo diferente, que não podia explicar.
O corpo do garoto tinha o olhar fixo, suas pálpebras não se moviam, era uma estatua com calor humano. O velho parecia desesperado. No entanto nada aconteceu, até que a imobilidade se rompeu com dois movimentos. Os olhos de Kai se moveram e encontraram Lucian, ponto ao qual se mantiveram, em seguida o resto da carcaça começou a se mover, dois passos a frente.
Lucian percebeu a frieza daqueles olhos e recuou, colocou a mão sobre sua arma e esperou um bom momento para reagir, porem não fora necessário, foram dois passos, apenas dois passos, para que a consciência do jovem fosse retomada, Kai também recuou. Seus olhos se fizeram grandes, Kai também parecia assustado.
Ajoelhou-se levando uma mão ao chão e a outra a sua face. Soaram múrmuros, era uma dor contagiante. A segunda mão do garoto também foi levada a cabeça. Parecia uma dor de cabeça insaciável.
- Kai, kai, Kai ... – Sara assustada e preocupada com a situação. – Vamos levá-lo a um hospital. Rápido! – Taylor em sugestão.- Não podemos ir aos hospitais! – Lucian em resposta. -Reclamando desse jeito, ele vai atrai toda a tropa da cidade. – concluiu o mesmo.
- O que nos vamos fazer!? – Sara.
Naquele momento, a calmaria parecia ter retornado ao enfermo, que levantou sua cabeça e escorou suas costas nas rodas do carro, e olhou perdido, para o céu:
‘O céu não esta estrelado, que deprimente, desde muito pequeno eu não vejo as estrelas, a muito tempo eu não as considero muito importantes, eu dei ênfase a outras coisas, e me esqueci do que eles me ensinaram a apreciar, a luz, as estrelas, o céu como um todo, que eram coisas que eles, ou melhor, nós tínhamos certeza que jamais seriamos capazes de explicar, o possuía beleza rara e singular, tão pura ao ponto de não cobrar tributos para demonstrar-se...tsic, o que eu estou dizendo!? Eu to tonto ainda!?
É, agora eu me lembro! Eu to sentindo os efeitos de ter usado a força, de forma continua. Agora, enfim, os seus efeitos colaterais começam a tomar forma, é uma dádiva perigosa, que parece afetar quem a usa, uma faca de dois gumes, que não serve a ninguém, não sem cobrar algo em troca. Mais a cada momento eu sinto como se pudesse adicionar algo a ela, algo que custe mais e mais força. Como um atrativo, uma droga que causa dependência. E contra lance, causa a dor de agora a pouco, minha cabeça parecia estar queimando, e a dor era de dentro pra fora, eu quase senti meus cérebro ser esmagado pelo crânio, uma dor que eu jamais tinha sentido, e qual não tenho certeza se eu me acostumaria com ela, ainda assim, eu entendo que é o preço a se pagar pelo uso abusivo dessa força, eu temo que tenha que aprimorar meu corpo antes de voltar a usá-la. Morrer agora seria trágico alem de um grande desperdício.
E pensar que eu tinha pensado em medir a força, confrontando um quartel. Mais uma das minhas idiotices, na verdade eu poderia escrever um livro sobre elas, uma bíblia, talvez duas bíblias, continuar errando assim vai me causar problemas. Onde esta o Kai que eu me acostumei!? Sempre atento e disposta a completar as tarefas com perfeição, aquele não errava, nem mesmo diante das situações mais adversas!? Estaria ele cego!? Ou fascinado pelo poder!?Esse deslumbramento me faz esquecer a minha característica.
Eu era um gênio, e agora... eu sou um idiota errante...’
Taylor e Sara continuavam a sacudir Kai, que tinha movimentos lentos e pausados. Kai foca os dois, e continua em silencio.
- Kai você esta bem? – velho Taylor. –S..i..m – respondeu Kai pausadamente. – Você não parece tão bem – Sara enfatizando a fisionomia do jovem que levantou-se, sozinho.
-Mas eu estou bem. - respondeu o garoto que parecia abalado. – Ele esta bem, e nos temos assuntos a tratar Sara.- Lucian lembrando-a da reunião na conveniência. – Da um tempo Luci, vamos esperar ele melhorar- esbravejou Sara.
-É ele não parece bem. – confirmou Taylor a Sara. – É, ele não ta bem não, ele nem ta retrucando agente- ironizou a garota.
Os dois sorriram daquilo.
Logo a frente, o resto das pessoas da reunião, também saíram do abrigo, e caminharam.
Um deles, sem se identificar, se aproximou de Lucian, e resmungou:
- você já contou a ele?
- ainda não tive a oportunidade – respondeu Luci- Me contar o que Luci? Interrogou Sara.
- o que desde o começo eu tentei contar, mas não na frente deles- Lucian em retruco. – Não seja infantil, conte logo! – Sara.
Era de fato uma garota efusiva, que naquele momento ignorou a prudência do seu irmão.
-Sara, minha irmã, não vamos envolve-los nisso. Concluiu Lucian. – Oh, vocês são irmãos então!? – o velho perguntou. – tisc... – num ato de menosprezo ao velho, Lucian.
- Somos sim irmãos Senhor. –Sara.
- Que seja! – resmungou Lucian. – Nos vamos atacar amanha Sara, a bateria anti aérea dos militares. Comunicou Lucian ignorando os Civis que estavam ali.- Mas porque tão cedo, não tínhamos combinado de planejar mais? – respondeu Sara.
- Temos ordens para não demorar mais, você vê algum problema? – Lucian perguntou.
-Não nenhuma- respondeu num tom estranho e agora cabisbaixa. – temos que preparar o armamento, então né!? – conclui a garota.
Os dois irmãos acompanhados dos seus seguidores, talvez subordinados, caminharam, e se afastaram do carro.
- Hei, Kai, você esta melhor? – perguntava se parar o velho sem obter nenhuma resposta, o garoto parecia anestesiado, visto que era jovem, o velho supôs alguma doença qualquer, tal imobilidade era assustadora, talvez não no sentido medico, mas sim por tal distancia, parecia que aquela altura a mente do enfermo havia sucumbido ao corpo.
-afinal, isso tem algo a ver com o dom dele!? – e perguntou em voz baixa.
Em seguida, notou ainda, uma tira de sangue escorrendo do nariz do garoto, era preocupante, no entanto temia levá-lo a um hospital, apesar de rude e mal educado o velho tinha certeza da coerência do que Luci havia dita antes.
-Não se preocupe velho, isso vai passar. – O velho se sentiu confuso com a fala pausada de Kai que se levantou, na verdade tentou, mas notou vertigens, o corpo havia se deparado com um limite talvez!? Era uma pergunta bastante usada por Kai:
‘Eu notei! O uso da força aumenta a atividade cerebral, o primeiro efeito deveria ser esse mesmo, apesar de não ser médico, sangramento nasal, vertigens e dores de cabeça, são o anuncio de um mal estar cerebral, não é natural de um ser humano normal usar a força, e no meu caso forçar uma manipulação, de fato deveria causar efeitos.
É também fato que a força exige mais esforço que calcular quarks, em resumo, usa em media, 80% a mais que tratar tais conceitos físicos! O perigo me ronda, confortar o cérebro, é isso que eu devo fazer, e nesse caso, eu já sei como fazê-lo.’
Mais uma vez interrompendo-o Sara interrogou.
- Você esta sangrando!?.
-Sim, ele não parece bem ainda.- respondeu o velho.
Kai não conseguia retornar ao seu estado normal, era relativo, o tempo passava devagar, assim como seus pensamentos.
Sara estava equipada com seus itens de guerra, o velho admiro-a, ela agia com a força bruto como soldados do império, e parecia motivada por uma causa superior.
- Sr. Taylor, no carro, dentro do porta-luvas existe um caderno, por favor, eu preciso dele. – ainda pausadamente Kai. – ta certo, eu vou pegar!
Pegou-o e o levou ao garoto.
Era um caderno bastante maltratado pelo tempo, tinha amassados e rasgados, em uma capa de couro animal marrom, um marrom desbotado e nele seguiam as seguintes palavras.
“Death seeker, Freedom seeker “
Algo que o velho não conseguia entender, e nas folhas amareladas haviam escrituras falhas, quase invisíveis, pareciam ter sido escritas por alguma tinta artesanal, não só a tinta, mais o caderno como todo era extremamente artesanal. Talvez um presente, uma relíquia talvez? Imaginou o velho.
Me se fez calado, respeitando o estado do garoto, que de fato, ao tocar os dedos na estrutura do caderno, já demonstrava certa melhora, mais corado talvez, o caderno lhe trazia conforto, talvez o fizesse lembrar de algo bom, eram as alternativos supostas pelo velho quanto a relação do livro e de Kai. Mais seguindo mesmo argumento de outrora, não conflitou, manteve-se em silencio ao ver Kai se empenhar em escrever ali:
[Diário ->]Sinto o obvio, coisas lá fora são imensuráveis, ora a beleza ora a podridão do mundo, porem, nenhuma delas me agrada por inteiro, eu não gosto de mim sentir preso a conceitos, apesar de ter uma vida totalmente escravizada pelo conhecimento, eu não o considero o ápice, aquilo me incomoda mais que qualquer coisa, e nada me incentiva mais que as coisas simples, o que talvez explique a minha sede pelo conhecimento. Entender coisas simples é impossível, a dádiva é o sentimento, já dizia minha mãe sempre que um sopro de memória que envolvesse o meu velho pai. Eu realmente admito, que a beleza que havia entre eles superava qualquer teoria bem sucedida, qualquer pôr ou nascer do sol. Porem humanos se prendem a conceitos demais.
Se prendem a necessidades de amor, se prendem a parentescos. Eu tenho certeza que em suma eles vinculam as duas coisas.
De fato pais tem que amar seus filhos, necessariamente, amar por eles serem seus filhos, a continuação do nome e da casa. E se esquecem de amar o que seus filhos se tornaram.
Pais amam filhos marginais, filhos que não tem alma. Um amor vazio, um amor tendencioso.
E eu não sei porque isso me vem a cabeça, as pessoas são felizes assim. Porem é muito deprimente. Eu não sei quando foi exatamente que nós nos permitimos ser cascas, carapaças seguidoras de um bem maior. Ao qual nem sabemos ao certo a quem se deva. A quem servimos.
Servidão!? Essa é uma boa questão.
Já é histórica a servidão entre os homens, sua carência clama por um senhor...
[<- Diário]. - Ele parece feliz né!? – comentou Sara ao velhote. – realmente ele parece, parece estar conversando com ele mesmo. Completou em resposta. – Você o definiu bem. – Sara. - Obrigado.- Sr. Taylor. – Mas, porque o senhor o segue!?- Perguntou a garota ao demonstrar interesse. – Entender o porque é complicado, acho que nos prendemos demais, e eu já estou velho, ele me mostrou algo fascinante, ele me lembrou de Deus ao qual eu rezo toda a noite, pedindo por melhorias, pedindo por reconhecimento, clamando por coisas novas, você pode ver!?- perguntou o velho. – Ver o que Sr.? – Sara em resposta. – A pureza com que ele te olha, ele não desvia o olhar, enganadores odeiam olhar nos olhos das pessoas, e vendo que é tão jovem, não entendo tão sinceridade, talvez tenha sofrido demais em vida, mas eu tenho certeza de que não é esse o caso, ele, não por ser forte, e Deus e já vi sua força, mas sim por carregar tal inocência que eu o sigo. – Resumiu o velho ao lembrar do ocorrido na recepção, dias atrás. - O seu vinculo a religião, lhe aprisiona a ele, não é?. – Perguntou a garota. – Talvez em partes, mas não completamente. – respondeu o velho. - Todas as pessoas, sem exceção, procuram se destacar, procuram levar aos quatro cantos do mundo sua idéia, e maioria delas não são fortes o suficientes para tentar, por outro lado, as que tentam, não são fortes o suficiente para serem vistas, eu temo que o meu caso seja o primeiro. Ser mais fraco que o mais fraco, é uma questão no mínimo incomoda. Ajudá-lo, é a única coisa que me resta, entende? – argumentou Taylor. -Eu... eu... eu acho que entendo- Disse a garota. Enquanto Kai continuava a escrever a sua esquerda, e Lucian continuava a se organizar a sua direita. -vocês devem sair de Scar, ao menos por agora, seu amigo esta doente, e essa cidade vai conhecer o caos em breve- Sugeriu Sara ao velho. – Vocês vão mesmo atacar amanha, mas com tão poucos? – Responde com outra pergunta o velho. – Assim como você me disse agora a pouco, você não conhece o poder do Luci. – evidenciando Lucian ao Velho. Ao entender isso, o velho, notou Lucian, ele realmente parecia bastante influente para com os outros. Um time que possuía homens velhos, homens de meia idade, todos recebendo ordens de um garoto, tanta influencia só poderia ser conquistada com muitas provas de valor, acreditava o velho. -ele também é muito jovem né?- perguntou o velho. – Muito jovem para ver as coisas que já viu, com certeza, apenas vinte e cinco anos. – respondeu Sara. -Imagine o que aconteceria se esses dois não tivessem se entendido. – Disse o velho, já descontraído. – Seu amigo teria caído, disso não há duvidas. – respondeu a garota. O velho se espanta com a determinação com a qual a garota desferiu tais palavras, e percebeu que não podia ficar a atrás. -O garoto, é um gênio, e nós dois pudemos perceber o respeito com o qual seu irmão manteve enquanto se encaravam, e o desdém de Kai em retribuição. – Taylor A garota se fez calada, e apesar de conhecer seu irmão, e de ter tanta expectativa para com o mesmo, não podia deixar de concordar com a colocação do velho. Foram momentos tensos, ela sabia, lembrou-se do momento em que Kai avançara contra seu irmão, e a reação de recuar do mesmo. Lucian parecia respeitar Kai, tê-lo ofendido tanto naquele momento denunciava isso. -Mas você tem razão, eu devo tirar o Kai daqui. – Taylor. Sara estava descontente com a batalha, parecia ter deixado muita coisa de onde havia vindo, ou temia algo na cidade. Atacar a capital era perigoso aos olhos dela, porem o motivo estava guardado em seus pesares, agir dessa forma, denunciava que talvez, sua preocupação com seu irmão superava a expectativa para com a força do mesmo. A garota sorrio, e foi ao encontro de seu irmão. Ela havia traçado um plano, era evidente, queria adiar o ataque por agora. - Luci, eu vou tira-los da cidade!- exclamou a garota, em meio ao irmão e a seus companheiros. – Mas não há tempo Sara, a ofensiva é amanhã. – Disse o irmão em reação. -Você não entende o qual perigoso é atacar, atacar sem planejar, você sabe que ela protege os soldados, ela é a mão forte dos militares. – Argumentou Sara preocupada com o bem de Lucian. – Ela não vai aparecer, e se aparecer eu não vou deixar ela nos machucar, entenda isso!- Lucian. - Eu já decidi meu irmão – Concluiu ela. Lucian parecia revoltado com aquilo, porem Sara não deu ouvidos, eram sussurros apenas, o plano da garota era fazer seu irmão parar por ali. Logo a frente o velho estava ajudando Kai a entrar no carro, assim como havia sugerido Sara, eles estavam deixando aquele lugar. -Hei, cabe mais um no seu veiculo ? – Perguntou Sara. O Velho olhou-a e sorrio, Kai também desviou seu olhar. ‘agora são dois problemas... tsic’. - É claro que sim. Vai ser bom ter mais alguém para conversar.- respondeu o velho. Era notável o animo do velho, e era obscuro o objetivo da garota. - Eu vou guiá-los a um lugar seguro. Completou a garota. Durante o quase alvorecer eles seguiram, Kai escrevendo, Taylor dirigindo e a garota inquieta como sempre, falando muito. Algum tempo passou, e eles chegaram a um lugar, ali não parecia estar cercado por militares, parecia calmo o suficiente. Encostaram perto de um lago, havia também uma arvore. Todos desceram. O velho esticou os ossos, Kai se sentou perto da roda novamente, e continuou, e garota ficou ao lado do velho... eles pareciam ter realmente se entendido. - ele parece estar melhor agora- disse a garota. – é parece que ele vai ficar bem – Taylor [Diário ->]...e é claro, eu posso dizer que esta alem da minha capacidade mudar a cabeça dos homens, eles são livres, ou pensam que são, são presos apenas as coisas que não entendem, a sua própria ignorância, e a suas próprias tendências, assim como todas as espécies.
Homens nunca serão como as estrelas, as estrelas estão sempre lá, não se mostram em dias tempestuosos, dias tempestuosos, tem um objetivo obscuro, de manter a solidão, pelo menos entre os homens, dois fenômenos distintos seria demais, como sentir tristeza e alegria simultaneamente, sentir paradoxos esta alem da nossa capacidade.
Talvez o papel dos homens se resume a presenciar essas coisas, que vão alem da compreensão. Mas que mesmo assim, encharcam os olhos daqueles que vêem, que vêem alem de uma luz, vêem o infinito em pouco espaço, uma parcela do universo, algo brilhante, distante demais, grande demais, mas que não se faz mesquinho, demonstra sua beleza a todos, corruptos ou não, belos ou não. Inteligentes ou não.
Uma pequena parcela de liberdade, enxergar ao longo dos anos luz, a matéria que esta acima de qualquer conceito de vinculo... [<-Diário].
Kai acaba ser interrompido.
-Você esta bem Kai !? Taylor. – Sim, estou bem sim – Respondeu Kai, agora de forma normal, não pausada.
-Você nos assustou por alguns momentos sabia!? – Sara. – Temo que me desculpar por ter me sentido mal te agradaria, mais não por agora- Disse Kai em tom de deboche.
-Ah seu idiota, você é muito mal agradecido - Sara irritada! – Hei! Crianças, não comecem. – tenta acalmá-los o velho.
Kai sorria, apenas sorria por hora.
- Kai, você deveria se cuidar mais, ela tem razão em se preocupar, sua saúde é importante, entenda isso.- completou o velhote. Kai fica em silencio. – Isso mesmo, você pensa que é de ferro? Que esta acima de doenças!?
Kai se mantinha em silencio.
‘tsic... eles parecem a minha falando.’
- dores de cabeça e sangramentos, podem te prejudicar mais tarde, nem sempre você será tão jovem – concluiu o velho. – Eu concordo com ele! – Sara.
Eles não percebiam que não estavam ajudando. Tantas cobranças, lhe fizeram lembrar a parte que ele não gostava em sua mãe.
‘eles realmente parecem muito com a minha mãe...’
Lembrar sua mãe era tenebroso, cobranças são normais de qualquer mãe, porem, lembranças atraem lembranças. O nervosismo começou a corroer o jovem.
Enquanto os dois não paravam de falar, as dores voltaram, o nível de sanidade começara a cair, enquanto as dores aumentavam.
Ele não ouvia mas as vozes dos dois, uma voz feminina, muito familiar lhe era presente, era sua mãe... que aumentava em tom, a medida que aumentava a dor.
-GRRRRRRRRRR...- Kai. – ele esta tendo outra crise! – Sara.
- Mais o que... – disse o velho ao ser interrompido.
-GRRRRRRRRRRRRRR – Kai que levou uma mão a face novamente, como antes.
Um som emanou naquela área rural: puff.
Era o caderno sendo fechado. O tempo parou. A vulcão dentro da cabeça de Kai explodiu, fazendo-o levantar a atirar o caderno no rio.
Simultaneamente ao esgoelar:
-CALEM-SE!!!- Kai.
A apreensão estava presente aquela altura, espantados o velho e a garota, apenas observaram.
Eram aqueles olhos frios de antes.

Kuragari No Ga

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