domingo, 22 de novembro de 2009

Capítulo 2 "Sonhos alimentados pelo desespero".

- Este é o meu pai...
de dentro da casa, ouviu-se uma voz, ecoando silenciosamente no poço da agonia.
-CORAÇÃO...
-... Pulmão..
- Rins...olhos...língua.. O que eu devo retirar primeiro deste que na porta se encontra? Quem será a próxima vítima? homem ou mulher? hm, sinto seu cheiro, sinto o cheiro de seu medo, vem de encontro a mim e me alimenta, o odor do seu desespero me faz forte!
- com a guerra aproximada, eu posso fazer o que me convier, mesmo sem ordens, mesmo que isso não faça nenhum sentido no fim, agora o divertimento começará, a guerra é província dos homens, e a morte é senão o prêmio de todo o sofrimento, a coroa dos pobres é feita de madeira e aço enferrujado, sem ouro sem adornos, e o que todos vêem neste mundo, o que todos sentem, desaparece no momento da sua partida, eu espero que todos aqueles que foram aqui sacrificados encontrem um caminho para o perdão e redenção...
- por que eu...HAHAHAHAHAHA - um riso maléfico fez a casa tremer, tudo estava silencioso, até demais.
- eu não perdoarei nenhum destes, SANGUE É O QUE DESEJO ESTA NOITE!
- desde o início da era dos homens, a luta sempre foi a evidencia mais clara de provar quem deve e quem não deve governar o mundo, desde sempre, o forte dominou o fraco, desde sempre a justiça foi provada e aprovada pela mão do mais poderoso homem, Neste mundo existe apenas uma lei, ou melhor um conselho para todos os homens, e este pode ser resumido em "Mate, ou seja morto". Todos poderão desejar sobreviver, mas só os fortes de espírito o realizarão este desejo, aqueles que querem viver, devem se tornar fortes, devem sentir o puro desejo da morte em seu coração, e provar do sangue de amigos e inimigos..
verdadeiramente amizade não é algo que exista neste mundo, hehehe, todos os homens pregam os mesmos ensinamentos neste mundo, não importando onde você esteja, eles dizem que o que ensinam são princípios de paz, e que isto é a forma de transformar o ser humano, de mal para bom, desde as crianças até os velhos, escutam e aprendem destes princípios, e na maioria das vezes, pregam também, assim que aprendem qualquer coisa, a divulgam... a natureza humana é com toda a certeza, desprezível...
mesmo dizendo isto, mesmo pregando, mesmo indo aos lugares onde a miséria de espírito habita, poucos destes são puros, pode se dizer que quase nenhum... em outras palavras... a salvação pregada, a paz, o amor ao próximo, é apenas uma maneira de envenenar o coração e deixa-lo vulnerável a ponto de ser controlado, e assim, amarrado em uma corrente de bronze, de onde jamais sairá!
este talvez seja um bom conceito, uma boa explicação não é? HAHAHA
-POREM...
A noite calma de outrora, não existia mais, o vento agora soprava forte, as arvores pareciam conversar entre si, e o mundo, entendia que o caos estava em seu início!
POREM não é bem assim. dentro de nossos corações, somos humanos colocamos nosso instinto de sobrevivência sempre a frente de qualquer coisa, de nossos amores, e amigos, para nós, o que importa realmente, é a vida, e para isso, tudo pode ser feito!
Mesmo dentro do coração daquele que prega à paz, existe um canto de escuridão que cresce quieto, para obter força, e devida as circunstançias acaba despertando, e assim, o instinto humano floresce, humanos sem nenhuma exceção, buscam por guerra, pois sabem que a única maneira de se conseguir paz, é a própria destruição, paz momentânea eu diria, mas sequer se importam com isso, hahahaha, eles podem tentar demonstrar o amor pelo mundo, mas por dentro, estão corroendo as grades que guardam o mundo, rasgando a cortina que separa a vida e morte, cuspindo nomes de demônios destruidores de lares e almejando um poder maior! para nós, pouco importa se existe um motivo para a luta ou não! se existem vidas para dominar, nós estaremos vivos, mataremos, roubaremos, beberemos do sangue inocente, e então...
-Ficaremos satisfeitos por alguns segundos, após isto, procuraremos mais, buscaremos por mais riquezas, mais morte, mais dor...
- O alívio que me traz a morte de uma pessoa desconhecida, é de valor inestimado e incalculável, enquanto eu estiver vivo, eu os matarei, para meu próprio bem, para o alívio da minha dor!

Dor...
Fúria...
agonia...
Tristeza...
Vazio.. tudo isto obteve uma fusão dentro do coração e espírito.Tudo aquilo que o homem havia dito, Yu-me também sentira, e isto fez com ele sentisse uma grande vertigem, a perca total dos sentidos não demoraria a chegar, algo queimava forte e com uma sede insaciável dentro de ser próprio ser, a medida em que aquilo aumentava,as vertigens seguiam mais fortes, até perceber que o seu subconsciente havia dominado-o de vez, e desta forma a segunda personalidade acordou finalmente.
- Por anos e anos eu estive dormindo dentro de você, por anos eu esperei para sair e respirar o ar deste mundo, e agora, quando consigo me libertar, me deparo com esta cena, deplorável, o velho sacrificou a vida para proteger algo ou alguém não é?! eu creio que também entenda o que ele protegeu em vida, e o que protegeu mais ainda em morte, no silêncio da escuridão, ele não temeu a morte, mesmo frente a seus olhos, o seu nome foi certamente gravado nas estrelas e sua constelação logo aparecerá para todos os que estiveram com seus olhos ao céu, e a força mostrará para todos que ainda existem homens no mundo, homens de verdade!-Este ar... carregado de tristeza e maldade, os homens fizeram isto, Yu-me, você mesmo sabe, entende melhor que ninguém, todo o tempo eu tentei lhe explicar, todo o tempo eu tentei mover Você deste lugar, mas... uma outra vez fez questão de ignorar as minhas dicas ou conselhos, entenda com lhe convier melhor, afinal, a culpa é toda sua...
- não! a culpa também é minha, já que eu também sou você, eu também...
vertigens mais fortes, um jato de vomito, e dali, um grande tombo sobre a entrada da casa, para a sua infelicidade, caira ao lado da cabeça de seu pai, entre as visões depressivas que estava tendo ali, observou atentamente o rosto de seu agora falecido pai, o rosto cansado e envelhecido pelo tempo!
- ai esta! aquele que você deveria proteger, mas foi ao contrario, você fez o certo para a lei dos homens, eles sempre fizeram isto, salve a si mesmo, e depois pense nos sobreviventes, ame a si mesmo, lute por você, viva por você, enquanto Você existir a vida será bela, não importa o quanto eles sofreram pela sua existência, não importa quantos laços sejam destruídos pela sua ambição, tudo terá que ser feito a idéia de um mundo perfeito, e não importa o caminho e nem o tempo que isso leve, a herança dos homens é a guerra e a morte, foi dada por antepassados e assim o mundo sucumbirá, para eles Você serve com toda a certeza, para eles o que aconteceu aqui é apenas mais um, dos que virão...
- você realmente teria feito o que este homem pregou, e seguindo a lei da existência, seguindo o mundo neste barco de destruição...
- ...mas as lágrimas que correm em seu rosto, posso senti-las, elas são lágrimas de amargura, peso, e vazio, E nem se este que vocês fala sentisse esta dor a cem anos atrás, poderia agora, no presente explica-la, estas são as verdadeiras lágrimas, as lágrimas de dor.. - disse dentro de si, a segunda personalidade, também tinha um espaço reservado, também controlava o corpo, e fazia como bem entendesse, estava viva e servia de segunda voz para yu-me em decisões estranhas e difíceis, despertava e o ajudava, embora estivesse dormindo a alguns anos!
Yu-me a chamava de Akumu , pois vinha nas noites mais estranhas e aterrorizantes de yu-me, para dar a sua opinião e também escolha.
e em noites calmas repousava sua mente!



Capítulo. 2 "Sonhos alimentados pelo desespero"


Cidade de Azetsirt.
o lugar mais pobre do grande País, esta cidade, foi esquecida pelos seus antepassados, e sendo assim foi dada como morta.
Porem dentro desta, existiam pessoas e obviamente, sonhos, metas e desejos, dentro de cada pequeno ou grande cidadão, que buscava alimento e um sentido para tudo no mundo, habitava um sonho, que era rodeado por dificuldades e tristezas, a morte de cada companheiro, a fome, a falta de cuidados, crianças sem tonalidades em seu rosto, uma cidade devastada e ao mesmo tempo, abençoada pelo "confiança e amizade", dadas como inexistentes nas cidades e grandes Paises, e assim viviam, e assim morriam todos estes..
Dois garotos e uma garota, discutiam, ou apenas jogavam palavras para o ar, sobre seus sonhos, sobre suas metas e desejos
num tom mais alto que o normal, o primeiro deu início ao assunto precioso de todos os dias:
- HEI, EU QUERO ME TORNAR UM GRANDE HOMEM! -disse animado, enquanto estavam sentados sobre a grama olhando as nuvens e o dia passar.
- quero ganhar todo o dinheiro que o mundo pode oferecer! e quero que todos respeitem o meu nome, e em todo lugar quero ser reconhecido pelos meus feitos e conquistas! Este sou eu, este é o meu desejo, e assim, eu devo seguir! - disse uma criança, mirrada e contente, aquelas palavras aumentavam a sua estima, e o faziam sonhar, afinal, em tempos de destruição e pobreza, as pessoas deveriam ao menos sonhar, ou continuar a sofrer e lamentar-se até a morte.
- Yu-me! - disse o mesmo garoto - o que você deseja para a sua vida? afinal, todos nós aqui somos pobres e não temos o mesmo poder de escolha que aqueles garotos ricos, que em cidades grandes vivem e em cidades grandes se tornam reis tem, você também tem um sonho não é? - disse ele, se aproximando de yu-me, até encostar a mão em seu ombro, sua feição, a mesma de qualquer criança que passa por necessidades, estava pouco corada, e ali yu-me viu a fraqueza humana em toda a sua essência
- Yu-me, você é diferente né? - dizia uma garota no momento efusiva, com um grande sorriso.
- HMMMM, está me fazendo de idiota não é nana? - disse o garoto agora virado para a menina, sorrindo - todos sabem que nós, temos grandes sonhos e metas, e ganhar dinheiro para comprar um mundo melhor é a nossa meta, quem sabe, um grande pote de doces também, em, em, em! Não seria legal se todos tivéssemos muita comida para todos os dias? pode falar yu-me, eu sei que você deseja alguma coisa, dentro de você, por mais obscuro e incerto que o mundo seja.. existem coisas que não devem ser entendidas, e existem coisas que devem ser esquecidas, para que o sofrimento seja amenizado. - sorriu.
- era o que o meu pai dizia para mim, eu não entendo muito bem, ainda! mas eu tenho que entender, eu devo entender, esta lição é o que eu devo aprender em todo o tempo da minha vida!
- Izu! - disse Nana espantada com tamanha declaração de um amigo tão pequeno e inocente - Você realmente vai ser alguém poderoso não é? - fez com que Izu corasse - Mas você tem muito o que aprender, todos temos, e os desejos do mundo, não são em todos os momentos corretos, nós aprenderemos isto juntos, nós sempre estivemos juntos não é?
- "A"! (lê-se "sim")
- Eu também quero me tornar alguém num futuro distante, Izu, nana, eu também quero me encontrar um dia! mas...eu...não tenho...
- Son...hos! em todos estes anos, o que nós vimos aqui foi o crescimento da pobreza, você está certo Izu quando diz que nós não temos a mesma chance daqueles que nascem nas cidades grandes, eles são criados do jeito correto, eles são reconhecidos pelas suas conquistas, mas...não adianta, são mundos totalmente diferentes, aqui e lá, a fome e a fartura, nós, aqui, fortalecemos nosso espírito, vimos de toda a desgraça a maior, a morte de nossos companheiros, e mesmo aqui, neste chão, verde e vivo, repousam corpos e desgraças para quem quiser ver ou ouvir estórias, não somos tão poderosos e fortes quanto pensávamos que éramos! o sol não nasce mais para aqueles que vivem na miséria, e a antipatia de um mundo sem raízes, nos envolveu! olhem para isto, aqui é onde a morte habita, e aqui é onde nós deveríamos nos deitar!
porém, resistimos não é?! isso é bom! - disse yu-me - nós provamos que ainda existem pessoas que desejam sobreviver, e os meios para isso são irrelevantes, mesmo numa sepultura, nós estaríamos vivos, pois o nosso coração pede e segue o caminho dos vivos!
- EU espero que as folhas não caiam neste outono, dando vida para aqueles que não tem, e esperanças para aqueles que estão conosco, a dança das flores deve permanecer além da primavera, a felicidade voltará para os seus procuradores eu tenho certeza!

Nenhuma flor cairá neste outono sem que nós não possamos ver
nenhuma flor deixará de existir enquanto estivermos aqui
e assim será, até o fim, e assim se fará completar
o destino daqueles que esquecidos pelo tempo foram!

- VEJAM, O POR DO SOL, MAIS UMA VEZ CHEGOU!- Nana.
-A, um pôr-do-sol cada vez mais belo, enfeitado pelas flores e folhas ainda vivas, existe uma coisa que nós temos, que aqueles que vivem na cidade e em grandes centros, não tem! e esta, é a mais valiosa coisa que o homem pode ter e desejar, o seu valor é inestimável em qualquer lugar deste mundo!
- e o que é nana? - Izu.
- O tempo!

uma revoada de pássaros que sobrevoava por ali, cantava com grande orgulho, a chegada do crepúsculo, a morte do dia se aproximava, e naquela quietude, os três passaram a observar, de onde estavam o horizonte distante e convidativo!
- PIUUUUUUU - não exatamente.
uma pena pairou sobre eles, uma pena dourada!
- IZU, NANA, eu quero viver ao lado de vocês, morrer ao lado de vocês, nós vamos nos tornar eternos, ao menos para nós três, não é?! - yu-me.
- CLARO!
- SIIIIM!!! - disse Nana e um Izu alegre e emocionado com a declaração, yu-me não era de se abrir assim tão fácil, neste momento, Izu e Nana perceberam o quão valiosos eram para yu-me, e o mesmo, soube que também era precioso para eles.
- sempre juntos!- Yu-me, Izu, Nana.

- POR FAVOOOOOOR, SOL, VENTO, ÀGUA, Fogo, TERRA.
- POR FAVOR, DEUSES DO VENTO.
- POR FAVOOR PASSAROS, CÃES, GATOS.
- POR FAVOR, NOS DEIXEM OBSERVAR MAIS UMA VEZ ESTE CREPÚSCULO, MAIS UMA VEZ...
-... Até o fim das nossas vidas!

Por mais solitário que estivessem em suas antigas vidas, aqui encontraram uma amizade verdadeira e sem limites, por serem pobres, os pais na maioria das vezes morriam para salvar os pupilos, para alimentá-los e dar uma nova expectativa de vida, davam suas vidas em troca de um pedaço de pão, fruta, ou qualquer coisa que lhes dessem alguma força e certeza de sobrevivência, trabalhavam arduamente até que o sono da morte os encontrasse no campo, ou no leito de suas destruídas e miseráveis casas!
- Se é que aquelas cabanas que vocês vivem podem ser chamadas de casas - disse um político que estava de passagem a cidade, em uma propaganda política que consistia em recolher o maior número de votos, com algumas mentiras usadas habitualmente, após a eleição do mesmo, jamais voltaria a aparecer, aquilo se repetia por anos e anos, e a cidade apenas seguia destruída e sem recursos.
- você diz que nossas casas não são realmente casas, mas, não importa para nós o material usado, nem as luzes que os ricos tem, muito menos uma bela fachada frente a casa, decorando-a e a deixando uma vez mais bela, para se comparar e dizer, "a minha casa é a mais bela"... Uma casa só tem valor se existir alguém dentro dela, a minha casa é a minha família, onde eu posso retornar e conversar e abraça-los, um lugar para repousar as minhas dores e ser consolado de tudo - disse um cidadão que estava por ali e ouviu o político debochar!
- hahahahahahaha meu jovem, Você tem muito que aprender! - disse ironicamente. - sem bens materiais os homens não são nada, são apenas isto que vocês são.. se o homem não tem nada a oferecer, nenhum ouro ou jóia, dinheiro ou uma CASA, ele é esquecido, qual é o sentido da vida se você não pode comprar ou vender? Viver plantando num solo destruído, sem minerais, com dinheiro eu poderia comprar para você, para ajudá-lo, e a água? Eu poderia aplicar aqui as novas técnicas, a urbanização aqui cairia como uma luva... Com meu dinheiro poderia comprar algumas coisas novas para armazenar a água... Chamamo-las de encanamentos, chuveiros, caixas de água, e muito mais, mas você não quer não é você acha que o dinheiro não é tudo, e que cultivar uma terra morta, é muito prazeroso.
Diga-me garoto, quando foi a última vez que sentiu o gosto do morango em seus lábios rachados pelo calor? Quando foi a última vez que você vestiu uma roupa que não foi usada a mais de cinco anos? Quando foi que você recebeu um presente de uma pessoa amada? HAHAHA, não me faça rir MOLEQUE!
a sujeira do seu povo será levada! Vocês serão enterrados como indigentes, e mesmo após a morte, não terão nenhuma condecoração sequer, esquecida! hoje e sempre!

- Vocês são todos iguais, todos... - disse o jovem, afastando-se do político, que agora fumava um grande charuto fedegoso e caro!
- HAHAHA, onde está a sua resposta jovem "mestre"?! porque agora tens medo de me responder, sabe que eu estou certo não é, ótimo, saiba que eu estudei três vezes mais que todos vocês, passei minha juventude concentrado nos livros que me fariam ser alguém, diferente de vocês, eu tive uma boca educação e sabia respeitar os meus superiores, eu aprendi a jogar, e as cartas foram mais uma vez viradas para mim, com boas intenções eu vim, mesmo não podendo cumprir aos seus pedidos no ano passado, desta vez será diferente, Você sabe disso, eu estou realmente preocupado com vocês, eu sempre estive! SERÁ QUE ESTÃO LOUCOS? SERÁ QUE SE ESQUECERAM DAS MINHAS PROMESSAS?

Izu que ouvia atentamente o político estava ofendido, e mesmo com pedidos de nana, e de yu-me, levantou-se e foi confrontar o grande e gordo homem! que ria de tudo e todos!
- Vocês SÓ TÊM UMA SALVAÇÃO, E ESTA SOU EU! Acreditem em mim! eu estou aqui salvar suas vidas!
- Diz isso como se fosse algum Deus, ou homem de grande poder no mundo não é, mas não passas de um homem gordo que ao invés de aplicar a justiça no mundo dos homens, apenas contribuí com a desgraça e crimes, todos nós aqui sabemos o quanto vocÊ é interessado em nossos corpos podres, e que jamais nos ajudará, pois, tudo o que quer são votos, se nós vivemos ou morremos jamais saberá dizer, mas enquanto os nossos dedos se mechem e nos podemos nos rastejar até as maquinas, você vem aqui e implora o voto!
Comprando pessoas o tempo todo, para conseguir poder, dinheiro e tudo mais, e onde foi parar a sua honra? plantando mentiras e colhendo aquilo que bem deseja, és astuto, soberano nesta cidade, sabe que o que lhe melhor convier pode ser feito, mas não faz...
A ANOS E ANOS, esta cidade tem esperado uma luz do seu mundo, senhor engravatado, e também...
- a anos nós deixamos de acreditar em vocês! metade deste lugar sonha e acredita que a justiça ainda existe e que nós seremos coroados, com qualquer coisa, a outra metade, com razão perdeu a esperança em você e seus companheiros, não existem cantos aqui senhor, não existem história de grandes homens, aqui, só habita a morte, e num lugar onde a morte paira, só os mortos podem residir, volte a sua casa, tome um pouco da sua àgua, pois foi muito cansativo o que você disse, mentindo assim o tempo todo, ficará desidratado e poderá morrer, quando um homem mente a sua mão treme, mas quando ele se acostuma com isso, apenas o seu rosto pode denuncia-lo, o rosto de um comendador, este é o seu! Por ter estudado demais, o mundo o destruiu não é? você se apegou apenas no desejo de ter, mas nunca deu nada em troca, uma troca equivalente deveria ser feita aqui, mas... como estava em seus conformes, você vencerá novamente!
enganando, induzindo, torturando... é isso!
- GRRRR- rugiu o velho gordo - MOLEQUE, eu já disse, se vocês desejam suprir esta terra, e fazer deste lugar algo melhor devem acreditar em minhas palavras! pois só assim saíram deste mundo de fome e tristeza!
- Como eu disse a você velho, existem dois grupos aqui nestas terras, e eu faço parte daqueles que não acreditam em suas palavras, vá,roube em seu trabalho, volte para a sua "casa" coma e beba,beije seus filhos ao anoitecer,minta para a sua mulher quando ela perguntar como foi o seu dia, deite-se em sua cama e durma, acorde sem nenhuma culpa em seu coração ou mente, isso é o que vocês fazem de melhor não é?!
NENHUM POLÍTICO SABE O QUANTO ESTA TERRA TEM UM VALOR PARA NÓS, E MESMO QUE AQUI SEJA UMA TERRA INFRUTIFERA, NOS DESEJAMOS CULTIVA-LA, E AMAMOS ISTO...
diferente de alguns, nós amamos o que fazemos, e lutamos por isto! sem nenhum arrependimento, todos aqueles que nascem e morrem aqui, orgulhosos são, e orgulhosos após a morte serão, pois sofreram mas venceram sem mendigar, sem roubar ou extorquir de outras pessoas seus bens!
Nós não matamos os sonhos aqui, nos cultivamo-los até que eles sejam realizados ou a morte nos separe!
- A nossa casa é aqui, e aqui sobreviveremos - dizendo isto, foi até Nana e Yu-me - E estas pessoas que você vê, são a minha família, mesmo não tendo nenhum laço sanguíneo, somos mais unidos do que aqueles que de tudo tem - disse isso olhando firme para o velho- e que nasceram em um berço de ouro, a tristeza fez com que nós ficássemos unidos, pois sabemos que sem isto, estaríamos mortos, amizade e confiança
o seu mundo precisa disto!
- Vamos Anna, Yu-me - Izu finalizando.
O velho percebeu que estava em um lugar errado em uma hora errada, estava humilhado, o que lhe valeu tantos anos de estudo, se um pequeno grupo de jovens, já havia-o superado, toda a sua campanha foi em vão, e a sua arrogância agora, já não tinha sentido, irritado grunhiu:
- BOM, se vocês vermes não desejam a minha ajuda, eu sairei daqui, e cuspirei nesta terra, alias, não o farei, a minha saliva é cara demais para ser desperdiçada assim, mas saibam que eu voltarei - seus olhos brilhavam como fogo - e vocês entenderam o porque de todos os meus estudos e mentiras!
-ATÉ VERMES!

- Meio a meio! - foi o que pensou Yu-me no momento em que Izu terminará de discutir, ou argumentar com o homem que agora partia para o seu grande carro!
- Meio a meio, todas as coisas deste mundo são divididas assim, a tristeza e a alegria, o sonho e pesadelo, a guerra e a paz, e preocupação e a indiferença, trevas e luz, alvorecer e o crepúsculo... todos divididos assim, o coração dos homens podem com certeza serem bons ou ruins, isso depende com certeza do humano que o carrega, seus sonhos e sua história de vida, independente de onde nasceu, sua raça ou cor, todos carregam alguns sonhos, uns cheios de desejo, outros nem tanto, mas negar a existência de um desejo ou meta, nenhum de nós poderá, afinal, neste mundo, o homem que não sonha sofre com a realidade e se desespera, perde as razões de vida, em não ter nada para construir ou destruir, apenas o vazio..
Eu Nana e Izu não somos diferentes, embora eu queira contribuir mais com o sonho deles, do que com o meu, nós vivemos para realiza-los, nós viemos até aqui com esta idéia em mente, nós estamos vivendo porque desejamos viver e completar nossa jornada neste lugar, e assim seguimos ao encontro e de praias brancas e nuvens de ouro, ao encontro da paz...
- O coração de Izu é dividido entre a riqueza e pobreza, parte dele tem orgulho de onde vive, a outra, deseja desaparecer logo, estranho... uma pessoa assim... pode se tornar o dono deste mundo sem nenhum esforço, a sua natureza é dividida e por isso se adapta fácil em qualquer lugar.. incrível... é algo que só os grandes homens do mundo conseguem fazer... adptar-se - Pensou consigo mesmo - Eu sempre achei que aqueles que continuavam aqui estavam malucos, ou doentes, ou não tinham para onde ir e preferiam morrer aqui, neste lugar, com estas pessoas! Mas agora vejo que eles também têm razões para cultivar esta terra, algum dia, ela dará frutos e alegria para todos, por isto, devemos continuar aqui, mesmo que todos os outros riam de nós, mesmo que aqui nada tenha um valor, se Izu continuar aqui, teremos sorte!
EM outrora eu havia pensando que vivendo aqui só a morte nos esperaria com os braços abertos, eu nunca fui esperançoso o bastante, eu sempre estive atrás deles, atrás da chama que os alimenta, me esquentando, eu nunca trouxe a minha própria chama para a fogueira chamada sonho, tudo sempre foi assim..- tisc..
- Incrivel IZUUUuuu..- disse Nana- você foi incrível, parecia até um príncipe do grande mundo!
- Cala a boca Nana - disse Izu sorrindo - Aquele homem.. - disse isso mordeu o lábio com grande inimizade - ...ele voltará...em breve eu creio! E não passará em branco o que fizemos hoje com certeza!
- idiota! preocupe-se com a nossa terra, não com um gordo que só pensa em roubar! - Nana - Você fez o certo Izu, todos estamos com você, e se estamos juntos para sempre, passaremos mais esta vez sem nenhum ferimento físico ou mental, sabe melhor que nós, quem vive aqui neste lugar, nunca estará sozinho, Nunca!

Eu vejo estrelas neste céu!
O outono vem com toda a sua beleza
e as flores caem mais uma vez
o mundo é belo, ah, o mundo é belo

um passo a frente, o mundo nos chama
a cada estrada reta ou tortuosa
encontramos um novo sentido para a vida
e assim seguimos firmes
o mundo é belo, ah, o mundo é belo

flores douradas cobertas de mel
arvores felizes cantando uma canção
homens e animais dançam sobre a penumbra da escuridão
e comemoram a vitória sobre todos os males deste mundo

-a vida é bela, a vida é bela.


Cantou nana, mostrando-se despreocupada, porem... dentro de seu coração, algo estava fazendo com que esta temesse o dia de amanhã, um aviso vindo de sua alma? talvez!
- de qualquer forma, é melhor não falar nada sobre isso, a tensão será maior, e o coração estará encharcado de medo e escuridão! - pensou ela.



O vento soprava forte fazendo com que o fogo se espalhassem mais e mais pelas casas e plantações, o som da madeira gemendo ao encontrar com as chamas, era espantoso, alguns anos depois isso seria chamado de sobrenatural?!

-Angustia
-Angústia! do latim angustia - Aflição, sofrimento, Carência, falta, redução, restrição.
-Em tempos antigos exércitos inteiros faziam o uso de ervas ou drogas, estas faziam com que os homens chegassem a beira da loucura, simplificando as palavras, tornavam-se verdadeiros humanos no momento em que as consumiam, quanto mais forte a droga maior o efeito, e maior o ódio, as batalhas que se seguiam eram sangrentas e além da compreensão dos homens, taxado como sobrenatural, ou supra-humano!
Mesmo com todo esse poder, humanos são humanos! portanto em uma guerra, a maioria acabava por voltar em um caixão, ou enterrado no território inimigo! Isto sim, é a verdade humana! enquanto nós vivemos neste mundo em que a nossa energia e força é reprimida, procuramos fingir, nos esforçamos para isto, vivemos a vida que é dada! mas... - Os olhos do assassino de dentro da casa, flamejavam, de ódio e alegria - È incrível, quando a guerra é exposta ao homem, tudo se torna fácil, e também fragíl, matamos, roubamos, extorquimos, fazendo valer o preço da guerra e caminho da destruição, tudo ficará marcado em nossas mentes, o confronto, as mortes, os sonhos daqueles que se vão, os gritos, e certamente o seu desejo de mudar aquilo que já não é certo!
você, eu, eles... sonhando, realizando, sorrindo, após o fim da guerra, o que resta é alegria e contentamento, por estar vivo, por sacrificar tudo em um meio fio, andando em uma corda prestes a se partir, tudo se esvai...
Para aqueles que vencem, condecorações, dinheiro, fama, e honra, para os que perderam só há um caminho: A Morte!
Para que serviria uma vida se não há nada a proteger? nem mesmo a sua vida valerá algo, é com tristeza e agonia que o humano despede-se desta terra, quando sua hora chega e os seus caminhos se fecham, todos nós sabemos a hora de nossa desepedida!
as drogas a muito tempo serviram de estimulo para os homens que temiam a morte, ou para aqueles que desejam fazer mais vítimas, tudo conta em uma guerra, tudo! até mesmo o poço em que você derrubará o seu parceiro!
A vida é bela, hahahaha...sim, a vida é bela!
Quando nós sabemos os caminhos que devemos tomar, a vida se torna bela e doce, assim como o mel das abelhas numa manhã de primavera, o sabor é prazeroso, mas também é amargante no lábio daqueles que não entendem o real sentido de vencer, e viver apenas porque alguns o mandaram viver!
O mel! néctar dos deuses! o néctar que eu provarei por mais uma vez, após terminar com tudo, uma guerra estoura muitos homens caem, e de pé, só os mais fortes ficaram!
A guerra é a alegria da raça humana e em todos os séculos ela se fará presente! e cairão milhares pela esquerda e milhares pela direita, e eu... beberei o sangue destes e comerei de sua carne! mas seus ossos... eu farei de troféus em minha casa os colocarei e então serei coroado, com a coroa de crânios que fez valer a vida e a morte de todos! - acabando de dizer, sentiu o prazer da vida encher os seus pulmões e o fazer andar em direção a Yu-me.

-Patético, você é patético - dizia Akumu a ele- quanto tempo você vai ficar esperando para se levantar e lutar? QUANTAS VEZES MAIS VOCÊ DEIXARÁ PESSOAS AO SEU REDOR SE FERIREM E MORREREM?
Quantas vezes eu tenho falado a você para lutar? quantos dias se passaram desde aquele? a sua cicatriz jamais se curou, em verdade ela aumentou, e dói mais em mim do que em Você Yu-me... dói muito mais em mim!
-QUANTAS HORAS MAIS VÃO SE PASSAR ATÉ VOCÊ ACORDAR PARA A REALIDADE DESTE MUNDO?
- QUANTOS HUMANOS IRÁ PERDER ATÉ VOCÊ ENTENDER YU-ME?
Dentro de Yu-me, ecoava apenas a voz de akumu, a sua própria voz estava dando um grande e desastroso sermão, Yu-me tentava se mover, mas todo o esforço não remetia em nada, como se estivesse amarrado por correntes de aço, que jamais seriam quebradas pela força de um humano!
- A... Aquele dia..tisc.. - Yu-me.

O dia em que Akumu se referia, era senão o dia da queda...
o dia em que o destino decidia qual seria a nova estrada a seguir!
- Sem olhar para trás!



A alvorada chegou com toda alegria que pudera imaginar, três já estavam acordados, em verdade todos os dias levantavam-se antes do alvorecer, para contempla-lo, a admiração pelo dia que viria era muito grande, afinal... uma nova esperança nasceria!
Mas não naquele dia!
- A noite se foi, mesmo assim eu tenho dormido e acordado sem perceber, quero dizer, se não fossem aqueles pesadelos eu diria que este seria apenas mais um dia normal! - balbuciou Nana.
- Pesadelos, terríveis pesadelos que doeram em minha alma e destruíram a minha armadura, que arruinaram meus pensamentos e levaram meus joelhos até o chão, dobrados e sangrando!
Yu-me percebera que o que Nana dizia era quase uma premonição, ele também sentia um cheiro azedo no ar...
- Nana, o que é que você viu em seu sonhos?
- Eu vi... Uma grande arvore negra e em seus galhos haviam frutas maduras e suculentas ao olhar humano, contudo seus galhos eram podres, diferente de seus frutos, e dos frutos nasciam flores mortas como em tardes de outono e inverno onde as folhas caem e as flores secam e morrem, nasciam murchas..
- tisc...- Yu-me.
- Vi também uma grande arvore branca, do outro lado do rio, em seus galhos vivos nasciam frutas podres e indesejáveis ao olhar humano, e destas nasciam flores belas e fortes, flores que só na primavera poderiam ser tão belas, alimentadas pelo sol e pela alegria, jamais ví em algum lugar, flores como estas, de tão vivas me pareciam sorrir...
- arvore branca e árvore negra! - Izu - Que estranho!
- hm, é verdade Izu, eu também achei estranho, mas deixe que eu continue a contar - Nana.
Nana estava pálida, mais do que o normal, seus grandes cabelos brancos, eram de uma beleza sem igual e mesmo vivendo na miséria do mundo, era mais bela que princesas e rainhas de grandes reinos, seus olhos ora verdes ora azuis, cintilavam o espaço daquele lugar!
- ela parece uma princesa - pensava Izu.
- Era noite, quando as arvores começaram a se mexer, andavam de uma ponta até a outra, e se contava 50 metros de caminhada, até a beira do rio, A arvore branca marchava com toda a grandeza, demonstrava ser das maiores a maior, e das melhores a melhor, mas havia se contaminado pela doença que corria pelo rio, um rio de mortes, talvez...esse seja o porque dos frutos apodrecidos, a arvore andava e gemia de dor por ter perdido os frutos daquela colheita! Por outro lado, a arvore negra com seus dias contados, ria da desgraça alheia, e desejava toda a desgraça para com a companheira, ria-se, e comemorava a sua colheita daquele ano, com frutas macias e deliciosas, ao meu ver!
- Entendo, mas Nana! - interrompeu Izu - Se uma das arvores estava no campo seco e a outro no campo florido, onde você estava afinal?
Nana rompeu-se em lágrimas naquele momento, deixando os garotos no mínimo espantados com aquela ação!
- EU... eu estava meio ao rio dos mortos Izu... eu era a encarregada a colher os frutos de ambas as arvores, então chorei, quando olhei para meus pés, estavam plantados meio ao rio, no fundo, onde só os mortos viviam, eles estavam colados, eu jamais poderia sair dali, então comecei a colher os ambos os frutos, e ali, A árvore branca me pedia perdão por ser infrutífera, e me prometia uma boa colheita no ano que vem, eu não a entendia, pois ela clamava por sua existência, e a cada vez que eu arrancava um de seus frutos, a sua vida se esvaia, a cada fruto um segundo a menos de sua vida, até que veio a morrer!
e do outro lado, vi a arvore negra regozijando, e ouvi a sua voz obscura e tenebrosa..
- Aqueles que não dão frutos ao seu mestre, aqueles que não o servem, só serão de grande estorvo e por isto desaparecem sem perdão, e nenhuma segunda chance, a mudança do mundo cairá sobre os homens, e todos aqueles que não estiverem preparados para dar frutos cairão em terra! assim é o mundo, e assim sempre será!
De supetão Yu-me sentiu em seu coração um grande choque, e caiu... quase por perder seus sentidos desferiu três algumas palavras ao ar:
- Dia...De...

-...morte!

- YU-ME...YU-ME... - yu-me sentia seu corpo balançar mas estava distante, tão distante que não podia responder ao chamado de Nana e Izu desesperados a procura de uma resposta do amigo!
- YU-ME ACORDA POR FAVOR! - Nana.
- O que passa aqui? - disse um velho senhor que viu o rapaz cair.
- Ele desmaiou do nada! estou preocupada com ele, yu..
Dentro de sua mente, era como se estivesse viajando pelo tempo, observava tudo, muitas arvores e animais, crianças e velhos correndo por uma estrada que dava em um beco sem saída, e de lá, todos se lançavam, Yu-me apenas observava, não se mexia, a duvida dominava sua mente de forma que jamais sairia dali.
O tempo passava dentro daquele mundo, o relógio corria ao invés de andar, e logo ali, a noite era chegada, não houve um crepúsculo digno de admiração, na verdade a única coisa admirável ali, era aquela rua, e o abismo em que as pessoas se jogavam! No céu três luas, e muitas estrelas formando constelações diferentes e nunca vistas em outrora! Aquilo era como em seus sonhos, Yu-me sempre sonhava com um céu avermelhado coberto por muitas e muitas estrelas, e no comando destas, três luas, que formavam a trindade
- você sabia yu-me que todas as vezes que no seu mundo está chovendo, aqui também chove? e que todas as vezes que você se sente triste, aqui neste mundo chove sangue? e todas estas pessoas preferem se jogar no abismo do espírito à passar por essa luta? todas as vezes, quando Você faz chover apenas eu fico aqui esperando pelo sol, pelo brilho, e raios do mesmo! todos os dias eu tenho ficado sozinho, a muito tempo eu não sinto o calor daquela estrela, a muitos anos!
Yu-me olhou para o lado direito da estrada, ali estava um garoto idêntico a ele, sentado, olhando em sua direção, o que seria ele? uma cópia de si, estava delirando o bastante para ver estas coisas?
- Você acha que só no seu mundo a tristeza pode reinar? você acredita mesmo que dentro de Você tudo é feliz e calmo? eu sou você, ou melhor, um dia eu fui Você! hoje eu luto para sobreviver neste lugar, este abismo me convida, todas as vezes em que alguém de lá de cima cai, e se machuca, e eu sofro, e me debato por esta pessoa, sei que não posso deixar de existir apenas por uma simples queda, A morte passei por aqui, conversa, e debocha, das pessoas que caem, os pequenos espíritos que alimentam o seu corpo Yu-me!
- espíritos que alimentam o meu corpo? tisc... que história mais estranha, a resposta mais simples e idiota que eu já ouvi, eu devo estar sonhando, tisc!
- Você sabe que não está!
- É... eu sei! só não queria admitir, mas... pelo visto, já o fiz! - yu-me.
Deixe que eu me apresente, mesmo já sabendo que Você me conhece, afinal eu sou você, na verdade eu sou o segundo "eu", a sua personalidade que sente a chuva cair, que sente a dor por perder os sentimentos e sentidos do mundo, eu também sou a sua força, e também o seu mal, eu não posso mentir, por isso estou a contar! eu sou aquilo que Você mais teme, quando as noites não tem término eu apareço, eu aconselho, e também faço o que bem desejo, mas estas são raras! eu quase não saio!
Nós seguimos a lenda das três luas, as três luas que Você criou aqui!
- Lenda? e que lenda é esta?
- Não me interrompa, eu não me apresentei...
- até porque... porque eu não tenho nome!
as palavras ecoavam na sua cabeça, Yu-me sentia como se uma espada rasgasse seu corpo verticalmente!
- Não tenho nome... nome... nome... Nome...
- Não ter um nome é doloroso não?! em meio a todas as pessoas, você é o único que simplesmente não tenta existir, eles não conseguem enxergá-lo, apenas um fantasma do tempo, apenas mais uma silhueta! Tão doloroso quanto estar vivo dentro de você Yu-me.
- PARE, isso dói, PARE!
Sem sucesso, as palavras continuaram a ecoar, até que a chuva invadiu o espaço daquela rua, chovia forte, gotas preenchidas de sangue, o maior exemplo do que aquele sem nome, havia dito!
- ESTA É A CHUVA DE NOSSO MUNDO YU-ME!
- ARRGH - sentia a dor em seu corpo, as gotas como agulhas perfuravam, o gosto do sangue em sua boca, o fez pensar!
- Agora entendo, eu entendo...
- espero que tenha entendido de verdade Yu-me, é doloroso não é? isso é o que eu sinto todas as vezes que o mundo desmorona e a chuva abre o caminho!
- as três luas deste mundo, representam tudo, mas eu vou explicar, mesmo sendo o criador disto, Você jamais entenderá não é? pois não vive aqui!
- obrigado - disse yu-me ainda sentindo a dor que a chuva provocava em todos, agora entendia o porque daquelas pessoas correrem e se jogarem no abismo, preferiam morrer a sentir aquela dor que mais carregava angustia do que clareza dos pingos!

"A primeira lua".

Nos rios da cidade de ouro, ao leste, próximo ao muro de cristal do castelo da eternidade! Um velho pescava e admirava a vista que aquele rio lhe permitia, totalmente belo, flores cobriam a maior parte do rio, flores que vinham de dentro do castelo, pairavam sobre a água, e doavam ao rio, a sua beleza e felicidade! o Encantando homem estava contente por ter vindo ao rio naquele dia, e esquecera completamente o seu dever, esteve ali por horas e horas, as horas por sua vez se tornaram dias, e os dias meses, ele continuou ali, olhando o rio e sua beleza, todos os dias mais flores caiam sobre aquele lugar, e não demorou muito para que o barco ficasse coberto pelas mesmas, tudo era tão belo que o pobre se esquecera de procurar o caminho de volta para casa, ou algo para comer, apenas se mantinha vivo pela força de sua mente e desejo de assistir o cair da tarde naquele barco coberto pela beleza natural!
E todos os outros pescadores após tanto tempo, já haviam dado o velho como morto, ou desaparecido, cansaram de procura-lo, cansaram de tentar! mas ali estava ele, sentado sobre a natureza, sobre o regozijo que só os melhores homens poderiam ter! Com o tempo, percebera que aquelas flores poderiam alimenta-lo, e assim, dar forças para que o mesmo pudesse observa-las por mais vezes em mais dias! e assim o fez, comia das flores e bebia da água do rio, anos e anos se passaram, cerca de mais de trezentos anos estavam a frente do velho que continuava ali, a longivitude vinha das flores ou da água? ou mesmo daquele lugar? Mesmo velho, sua mente era jovem, e as dores não o tomavam de maneira alguma! o rio era mágico! e todos os seus amigos já tinham morrido, logicamente! pensou ele, ao lembrar do amor de sua vida que foi deixado em terra, de sua família e de seus amigos!
- a vida é curta demais para eles, a vida os traiu! - dizia o velho.
A sabedoria dos dias foi implantada a este homem, e por mais que o mundo mudasse e os homens caíssem sobre lanças e dores, o rio, as flores, o castelo, e ele, continuavam imutáveis, a magia daquela região, das belezas a maior, e assim foram se os dias e anos, até que os séculos se completaram!
Em canções o homem passava o seu sentimento, em canções de liberdade e felicidade! já que naquele lugar nada trazia tristeza ou vazio! era o que pensava o velho!

cantou uma de suas pequenas composições, e mostrava total contentamento:

Minha casa ficou para trás, mas meus ideais seguiram em frente
avante, avante leve pensamento que me introduz a sabedoria eterna
desta água eu tenho bebido e me deliciado, e estas flores eu tenho provado o seu eterno sabor
Tenho muito a aprender, e o que aprendi até aqui é maior que toda a sabedoria humana
nas províncias de meu coração, a razão mora, a razão também reina
e meus pensamentos já não são cobertos de cinzas e escuridão
o meu lar é aqui, neste caminho para a eternidade!

Por tantos anos, o velho foi abençoado pelos séculos, e já se contava mais de mil séculos, até o momento, de onde estava, via agora, pessoas a observa-lo, e assim, começaram a odiar, amaldiçoar, e duvidar de tudo sobre aquilo que ouviam, sobre as canções que ecoavam naquele rio!
E por mais que tudo fosse belo e calmo, e por mais que a verdade reinasse ali...
Flores começaram a morrer, o muro de cristal estava trincado e a Mágica da vida, se esvaiu, naquele rio, a água tornava-se podre, e animais mortos eram vistos em suas margens, a desgraça humana, a inveja humana, o desejo humano por conquistas, também havia roubado daquele lugar A vida!
De onde estava jamais se mexeu, não esperava a compreensão dos homens, eram gananciosos demais para entender aquilo que foi construído para ser eternizado, e já se lembrava todos velhos tempos com nostalgia e felicidade! Por mil séculos esteve feliz, fazendo o que sempre fez e pensando no que sempre pensou!
- Mas agora, vejo que os tempos de paz se foram, e eles desejam a destruição deste lugar, deveriam saber que a destruição não pode ser engolida, e não é alimento da alma!
nó céu não existia nenhuma luz, a luz da lua sumira, para ser mais exato ela não existia mais, pois os humanos roubaram a sua energia e força, para comprar mais armas e poderes sobre-humanos, deixando assim as noites mais tristes e agonizantes!
- a cada passo dado, a cada hino de destruição, o mundo clama e pede a alguém ajuda! mas ninguém o ouve não é?! onde está a lua que a muito tempo atrás iluminou a primavera, o verão, o outono e inverno? onde está a luz branca e fria que alimentava as plantas e flores deste lugar?
- isso se tornou um cemitério! - e escorreu de seu olho uma grande lagrima, que dizem os sábios e velhos, pesar o tamanho de seu planeta, e mais algumas toneladas, um grande estouro na margem do rio, muitos homens munidos com armas de fogo se preparavam para atirar!
- MALDITO SEJAS TU Ó FEITICEIRO DOS TEMPOS, que vive neste barco e que deve ser destruído, sabemos que tu envenenou nossas casas e mulheres em ponto de elas tomarem um outro caminho para um outro lugar, sem avisar a nenhum de nós, elas partiram para a casa de suas mães e jamais retornaram, nossos filhos estão mortos pois a dor da perda foi muito grande, e agora, o julgamento para os seus males e feitiços começará!
- aprenda com a justiça, e morra com o sentimento de culpa!
Ao terminarem o falso discurso munido de mentiras e obstruções do mundo, miraram suas armas para o velho, e assim, em só um segundo, cem disparos de uma vez!
- de toda as eras, esta foi a pior, de todas as colheitas esta foi a menor, e dos dias de destruição do homem, estes foram os mais intensivos e obscuros, já não a motivo para a vida, para a minha existência, todos estes, que julgam sem entender, serão destroçados no fim! mas não por mim, não pelos meus sonhos, serão feitos em pedaços pela justiça da natureza, por este rio que foi poluído e por estas flores mortas!
entregou seu espírito, mas antes chorou, chorou de alegria por estar desaparecendo de uma terra tão impura, chorou por que deveria chorar, e sabia disso!
As lagrimas que caíram no rio, o purificaram, de maneira que todos os que o viram em seus antigos dias não poderiam duvidar de sua grandeza, águas cristalinas, flores começaram a brotar, o homem que caiu sobre as águas, agora se desfazia, como pó!
- Para as plantas deixo o meu sangue, que as alimente tornando-as mais fortes e belas, e que a vida nunca desapareça deste lugar, pois assim, tenho crido!
- Para o frio deixo minhas lágrimas, para que sirvam de fonte inesgotável da mais bela e pura água, doce ao paladar e reconfortante ao corpo!
- ainda haverá paz! em algum lugar!
O pó cobria os olhos dos soldados que agora se esforçavam para ver o brilho daquela água, o velho já não estava ali e do céu, um grande e belo brilho se estendeu, em todas as partes do céu! em todos os lugares!
- a lua...- disse um soldado aflito, ao ver o seu corpo queimar sob o calor daquela luz.
O calor da lua derreteu todos aqueles soldados, cumprindo assim a profecia do velho homem, e assim, os dias se seguiram, e para o espanto da humanidade aquele luz se manteve para sempre no céu, e de lá, o rosto do velho podia ser comtemplado, noites em que a lua nova aparecia, noites de alegria para o riacho e as flores que cresciam cada vez mais fortes e belas!
Os homens passaram a chamar a lua, com outro nome, já que esta era jovem e forte, diferente da aparência do velho, decrépita e distorcida por seus séculos! mas uma coisa, jamais puderam ousar desmentir!
A sabedoria continuava com ele, mesmo jovem, mesmo velho, ela jamais se distanciou! fazendo assim com que todos respeitassem a lua cada vez mais! os tempos de paz viriam com certeza!
Ao passar dos anos, pessoas começaram a dar um novo nome ao velho, passaram a nomeá-lo como:
"Neo-Luna"

-e assim a primeira lua teve sua existência admirada! - disse a cópia viva de yu-me.
- A primeira lua representa a sabedoria e superioridade... bem, é que dizem não é?!- disse ele torcendo o nariz - você sabe melhor do que eu... afinal vocÊ criou essa lenda não é?!
- A! [lê-se "sim"]
- mas eu não me lembro, talvez ela tenha sido criada por você - yu-me.
- dá na mesma, você sou eu!
- hm!
Em meio aquela chuva pairou o silêncio, por muito tempo, apenas pensavam!
Yu-me ouviu um som diferente, ecoando naquele lugar, alto e prestes a explodir o seu corpo, era o som de um relógio, um relógio que estava muito alto naquele momento!
Tic Tac - fazia o relógio.
Mas que relógio? Yu-me não tinha um, e se o personagem ao seu lado fosse uma fiel cópia também não teria, então de onde vinham aqueles "tic-tac's?", Yu-me olhava em todas as direções, e procurava encontrar o objeto.
- Procurando? então você já o ouviu, como o esperado Mestre yu, você é interessante, e o meu interesse por você vai além de tudo, afinal somos o mesmo personagem com um jeito diferente de viver não?!
- hey, clone... tisc.. eu não sei nem como chama-lo...
- Não se preocupe, pois logo logo saberá, feche os olhos e encontrará o meu nome estampado em seus piores momentos, eu sempre estive acordado quando isto aconteceu, sempre estarei! Não houve um dia sequer que Você não sofreu não é? a sua terra, a sua glória, o seu partido, tudo se esvaiu, e o que sobrou a você agora? vitória de um soldado morto?
- Eu estou morto? - suou frio Yu-me.
- Não meu mestre, nunca! Se você morrer eu também desapareço, ah... quantas vezes tenho que repetir a você?!
- nenhuma! - yu-me.
- ok!
Yume fechou os olhos, e sentiu o balançar do ponteiro daquele relógio, cada vez mais fundo, cada vez mais forte, até que separou-se do corpo e do mundo, e via apenas a penumbra das trevas a sua frente, a cada passo na escuridão mais o seu corpo o rejeitava, a copia o seguiu, fielmente, como se fosse a sua sombra!
- Essa escuridão, eu já conheço, em meus sonhos mais tristes, em memórias de meu passado que eu jamais consegui alcançar verdadeiramente, em dias de sofrimento, eu caminhei, eu senti esse peso, e este obscuro desejo de me tornar poderoso, um desejo que envolve a morte e a vida!
- O desejo de matar? - disse a cópia.
- S...sim, quero dizer, provalvemente... hm..
- Não hesite! Yu-me, você mesmo sabe o quão devastadores são estes desejos quando atingem o clímax de sua alma, eu os entendo perfeitamente, e não é só Você que os tem! muitas pessoas deste mundo, sentem estes, e lutam contra, algumas seguem os desejos e vivem uma vida chamada de "vida de lutas", cabe a pessoa tornar realidade ou não este sonho!
Não me entenda mal, eu não quero que Você faça o que não deseja, que lute por lutar, sem ter motivo, não preciso que lute por uma vingança que nunca existiu... só preciso que Você siga o seu próprio caminho!
- Que merda é essa que você esta falando?- yu-me.
- Você fechou os olhos, concentrou-se nos sinos, e veio para cá, um lugar muito distante e diferente dos que eu costumo passear, no seu mundo, também existe a escuridão, as trevas, a chuva é um exemplo disto! a dor constrói palácios dentro de si, a dor constrói castelos e soldados, e então, é tomado pelo medo, pela destruição, pelo ódio e desejo de vingar! E então...
-... - yu-me.
- ... e então Mestre Yu-me, você vem direto para o lugar que eu nunca encontrei! o castelo das trevas, o castelo da ilusão humana! é incrível como seus sentidos o trouxeram aqui! é incrível como você pode se mover tão bem, mesmo não entendendo os níveis de sua própria vida, e de sua tristeza! nada será assim tão fácil para você, nunca foi... é como se você estivesse vivendo em uma bola de cristal, onde os limites são bem fáceis de se prever!
você vive na miséria, e a miséria constrói a dor, e a dor faz do homem, um verdadeiro soldado e exterminador! A verdade é unânime aqui!
- Então nos meus sonhos mais obscuros eu desejo terminar com o mundo? com os homens é isso?!
- Não sei! eu sou você, mas não penso como o mesmo!
- Hm... - mordia o lábio, sempre que estava pensativo.
- ...
- Por favor, me explique sobre aquelas almas, que caíram naquele abismo, eu preciso saber algo sobre elas, como Você disse, elas são a minha força? elas compõe o meu espírito não?!
- Sim!
- por favor, eu lhe peço... me ajude, me ensine, eu preciso entender isto!
- Não desta vez... enquanto você não descobrir o meu nome, enquanto você não entender o que veio fazer aqui, enquanto você estiver preso neste mundo de doçuras que eles lhe impõem, eu não poderia lhe ajudar, explicar, demonstrar!
- entendo - disse yu-me desanimando de si mesmo!
- Mas...
- mas? - yu-me.
- Eu acredito em Você meu mestre, sei que dará conta disto! e quando acordar já seras um homem mais sábio, e que assim seja, o seu tempo acabou aqui!
Yu-me sentiu seu corpo sendo sugado para uma luz, uma forte luz por hora branca, e em outras, amarelada, sentiu todo o ar da vida invadir seu coração e então pode entender!
- Estou de volta ao mundo de origem! - dizendo isso, abriu os olhos, e então...
Viu que haviam duas pessoas a olhar para o mesmo, Eram os mesmos amigos, os mesmos preciosos amigos!
tossiu, e cuspiu um pouco de sangue, em verdade aquela viagem havia desestruturado o seu corpo e confundido sua mente... porém, uma coisa era certa... As palavras saiam perfeitamente de sua boca, e neste momento, lembrou-se daquilo que a cópia havia dito.
- Eu acredito em Você... e quando acordar será um completamente diferente!
os pensamentos corriam com grande velocidade, as palavras formavam frases, e suas duvidas aumentavam, após a escuridão, havia luz, após a luz, o retorno para o mundo de origem, e então lembrou-se mais uma vez do que ele dizia...
- Dos pensamentos mais obscuros eu surgi, e em todos eles eu estou!
- AKUMU...o seu nome é akumu - resmungou Yu-me, cheio de vida e de dúvidas!






Tsuki-yomi

Nenhum comentário:

Postar um comentário