domingo, 29 de novembro de 2009

Capítulo 4 "Os Efeitos".

Capitulo 4. Os efeitos.

-Incrível! – disse Sara diante da amostra da força de 5 segundo atrás – Dessa distancia nem mesmo esse senhor poderia ter errado, seria a queima-roupa, você deveria estar morto – conclui a mesma espantada.
-Uol, Kaita, isso foi realmente incrível, eu tenho certeza que eu não errei, e se esses olhos ainda não estão me pregando ilusões, eu tive a impressão de ter visto a bala se esquivar de você garoto, o que é isso!?- reagiu o velho a o visto.
Sara se sentiu ignorada, porém diante daquele fato, não se importou e logo a frente Kai estava em silencio acomodado em suas conclusões silenciosas, como sempre fazia:
‘De fato, eu também pode perceber o deslocamento da bala, o que sana mais uma de minhas duvidas, a força em si esta presente não apenas em algumas partículas, assim como elétrons e pósitrons dão origem magnetismo e eletricidade, não necessariamente de forma respectiva, o resultado da mesma é a própria força, que são aplicadas nesse caso apenas em metais, ou dando origem a cargas elétricas, é só um exemplo é claro,
Porem em tais condições, a força seria a base das partículas subatômicas!? As partículas que em suma, formam o universo, com todos os campos e forças... Mais cedo, a força interagiu com a pedra e antes ainda com os livros...’
- você não dizer cara? – Sara, interrompendo-o, que em seguida fora interrompida também.
- você é abençoado por Deus garoto, em que outras circunstâncias a bala teria lhe esquivado, Deus o ama, e lhe deu o dom da sorte, lhe deu a arma para confortar as pessoas que vivem nesse país, você já percebeu não é!? Temos que ajudá-lo a trazer a vontade de Deus a tona – dizia o velho ao se aproximar, num tom de voz efusivo.
Aquilo incomodou Kaita, que mudou sua feição, ‘crentes! Sempre resumindo minhas teorias a sorte, ou dons, isso é patético’ foram as palavras que vieram a mente do garoto, mais não foram desferidas.
-Não se impressionem! De fato eu ainda não possa explicar o que aconteceu agora- e acanhado sorrio e caminhou na direção do velho Taylor que parecia tremulo ao segurar uma arma. – hehe, abaixa isso! – falou usando sua mão para abaixar a mão do velho.
O velho entrega a arma que Kai devolve a Sara.
-Essa cidade ta muito estranha- Sara confusa, ao pegar a arma. – Você não sabe o que aconteceu, mas mesmo assim pediu que eu atirasse em você não é? – perguntou, transbordando ironia.
‘tisc, eu sou um idiota, uma criança de 2 anos perceberia a minha mentira de uns segundos atrás, tenho que tomar cuidado, eu já despertei a duvida nessas mentes eu presumo, na verdade, eu não deveria ter deixado essas pessoas chegarem tão perto, ter deixado-os ver tantas coisas, no entanto, eu precisei do velho algumas vezes ate esse momento, parece que o cerco esta se fechando, e isso é um problema...’
É interrompido pela segunda vez:
- você não vai me responder é?! Sara impaciente.
- tisc, sim, essa cidade parece muito estranha mesmo, minha cidade natal era mais simples, os problemas se resumiam em capturar os cavalos que fugiam do curral ...- tentando despistar a garota respondendo a questão relevante do assunto.
-e o que importa a sua cidade e os problemas dela agora...- sara sendo interrompida em retruco.
- ... enquanto aqui temos que nos preocupar em responder perguntas idiotas também. Ironizou Kai.
- Eu acredito em você jovem, assim como eu acredito em Deus, e em milagres, milagres que parecem cercar você não é- Taylor.
Naquele momento, Kai sem lembrou de sua própria colocação silenciosa, ‘ até mesmo uma criança de 2 anos perceberia tal mentira’, porem o velho havia acreditado, uma palavra singular ecoou na cabeça do garoto naquele momento, apenas uma palavra, não era necessário outra para definir a situação: ‘crentes!’.
-Idiota, não deixe ele nos despistar- Sara já incomodada com as colocações de Taylor.
- Mas... quem é essa Kai – Perguntou o velho. – É apenas uma garota velho...- respondeu maliciosamente antes de concluir. Em sua cabeça mal podia conter os risos para com o velho, e percebeu uma oportunidade de se esquivar da garota:
‘Se eu fizer isso Taylor provavelmente ira anular Sara, um religioso e uma efusiva, a calmaria e a tempestade, me faz lembrar minhas aulas, meu professor sempre dizia.
A partícula que anula o elétron é o pósitron... eles são como essas partículas, o velho como pósitron uma carga positiva e a garota como elétron uma carga negativa, é, essa é a definição perfeita.’
- Perceba que ela nem mesmo acredita em Deus Taylor- Disse Kai, jogando um contra o outro.
- Você não acredita garota!? Deus deu a vida por você, e você o renega!?- persuadiu- a o velho.
- eu, eu , eu... eu não sei !? Sara confusa.
-Como você explica o ar, o céu e o mar, a vida, a eletricidade e todas as coisas que são impossíveis de explicar? – continuava o velho.
- É complicado, eu não sei o que dizer... – Sara se rendendo a certeza do velho.
E emplacaram numa conversa ínfima, resultado esperado por Kai, que sentiu-se bem, e percebeu que existia uma possibilidade de o Velho e a garota se darem bem futuramente, sentou-se no chão, e presenciou a discussão amistosas entre eles.
- E pensar que eu quase a defini como um problema!- resmungou o garoto.
Todos tinham uma expressão pacifica. Porem os dois não paravam de discutir, o que divertia Kai, sentado como um espectador fanático. O conteúdo da discussão era relevante, pareciam crianças, que argumentavam sobre seus personagens favoritos, sem sucesso em convencer o outro.
E por alguns minutos aquilo continuou. Até o momento em que alguém se aproximou, saindo da conveniência, e chegando brevemente ao ponto, onde os três estavam.
-Ei, Sara, o que você esta fazendo?- Disse outro homem, desconhecido por Kai e por Taylor, restava a eles descobrir se aquela era um rosto conhecido pela garota, que não demorou a responder.
- Ola Luci, esses são meus amigos! Kai e .. e... – Respondeu ao homem, confusa sobre o nome do velho. – eu sou Taylor, muito prazer. – disse o velho a estender sua mão.
Kai: ‘amigos!? Tisc’.
-Ahh nem sabia seu nome – Completou Sara. – Então, esses são Kai e Taylor.- Sara
- Tanto faz ! Disse Lucian ao negar o cumprimento do velho. – Nós precisamos conversar Sara, por que você saiu lá de dentro!? – esbravejou em forma interrogativa o rapaz. – Eu estava cansada de tanta desordem entre você e seus amigos, eu não entendo porque viemos pra Scar, tínhamos muito trabalho onde estávamos antes. – respondeu cabisbaixa Sara – Viemos porque recebemos ordens, e você que me acompanha a tanto tempo não deveria me deixar resolver tudo sozinho- Lucian, que em seguida segurou-a pelo braço.
- hei, não faça isso com a garota – velho Taylor atuou naquele momento.
Vendo as coisas ali de baixo, Kai supôs que um momento tenso estava a caminho.
‘deixe que ela vá velho, não entende que eles não estão sozinhos, e afinal, eles parecem se conhecer a longa data’
O velho caminhou para ajudar Sara, que afinal não precisava de sua ajuda. Recebeu de supetão um empurro do garoto, que era jovem, e ativo, quase tão ativo quanto sua irmã, os dois eram impulsivos demais aos olhos de Kai: ‘mais problemas, esse Taylor parece um imã de problemas, droga!’. E levantou-se para tentar evitar problemas.
- O que foi!? Vai proteger esse velhote!?- Completou Lucian que não parava de esbravejar desde o inicio da conversa. Porem Kai apenas se levantou.
E continuou sua conclusão silenciosa quanto a situação : ‘são 12 homens lá dentro alem desse aqui de fora, e eu já agi de forma idiota muitas vezes nessa ultima hora, são muitas testemunhas e muitas duvidas para com a força, para proteger ela que na verdade nem parece não saber se cuidar sozinha, a verdade é que o próprio velho tem me colocado em umas situações complicadas, será que ele não percebe!? A garota estava armada, conseqüentemente, existe uma possibilidade de 76% aproximadamente de eles também estarem...’
Interrompido novamente:
- Você não vai responder!? Ta com medo? – continuou a afronta a Kai. – Cala a boca Luci, eles não te fizeram nada – Sara finalmente disse algo, e se livrou das mãos que apertavam seu braço.
O ar no entanto estava pesado, era fixo o olhar dos dois jovens, e Sara percebeu isso, era quase evidente, quase era possível enxergar raios o conflito que eles travavam, apenas ao se olhar. E o silencio de Kai, era maciço, ele parecia atrair a raiva de Lucian:
‘Ele é imperativo, nesse caso existem duas opções, confrontá-lo fazendo o respeito a mim cair sobre ele ou recuar admitindo a hipótese de ele nos taxar como fracos, e avançar ainda mais. Eu não devo recuar por agora’.
-Venha Lucian, vamos conversar- Sara empurrou-o na direção contraria aos dois amigos. – Pare de procurar brigas com toda pessoa que se aproxima de mim! – Desabafou a garota. – Você deveria tomar cuidado, você não é uma debutante normal, que mora em uma cidade pacifica normal, você carrega armas, e esta num país que esta em guerra por não olhar pelos seus cidadãos, e você carrega o peso de vidas que tem tirado, e sabe o quão eles querem a sua cabeça, assim como querem a minha, eu não sei o que eu faria se te perdesse, entenda como eu me sinto- desabafou em retruco a Sara.
- Eu te entendo perfeitamente, só lhe peço pra não me aprisionar apenas a guerra, a minha cabeça precisa de descanso, não seja tão injusto com aquelas pessoas! – conclui a moça. – Sendo um pedido seu... eu não posso deixar de acatar – Lucian, agora mais calmo.
Os dois juntos traçaram o caminho de volta.
-ele esta mais calmo!? – Kai ao velho. – Se não estiver eu vou ter que fazer alguma coisa ! – disse o velho em resposta.
‘ tsic, ele ta pensando em brigar com o tal Luci!? Ele mal consegue respirar sem fazer barulho’
- Mantenha a calma Sr. Taylor, não precisamos de uma briga agora!- completou Kai. Os dois se aproximaram, e agora, diferente de antes, Lucian não estava tão agitado.
-Desculpem o Luci, ele ta com uns problemas, vocês entendem né!? – Explicou Sara aos amigos. – Não se preocupe, afinal, eu temo que tenhamos que partir mesmo. – Revelou Kai a garota.
-Depois de tanto mau humor, ela ainda tem que resolver as coisas pra ele – resmungou Taylor, ainda chateado com o ocorrido.
As pálpebras de Kai se viraram, ainda restava uma esperança de que não houvessem ouvido a voz do velho.
‘por que você não consegue se calar !?’ ecoou tal pergunta na cabeça do Kai
- tisc... –Lucian, que parecia incomodado com a presença de Kai e Taylor. – Ah! Eu entendo, vocês já vão mesmo!? – Sara em resposta a Kai. – Presumo que seja a melhor alternativa agora. – Kai que coloca a mão sobre o ombro do velho e conclui. – Vamos!?.
‘tisc, o que é isso? De repente eu estou... estou... tonto? É isso? Tontura? Que merda, será pelo uso da força também? Ah, agora eu me lembro, quando esse Luci se aproximou, eu me preveni, fiz uso da força para o caso de um eventual ataque com arma de fogo! Eu... e... eu, não sinto minhas pernas!’
A palidez do garoto era evidente, o suor escorrendo a direita de rosto denunciou o mal estar de Kai, que estava distante, usando uma fisionomia neutra, parecia não querer demonstrar fraqueza, não perto de Lucian.
-Hei garoto, você se sente bem? – perguntou Taylor sem obter resposta. – Kai, você ta estranho. – Enfatizou Sara.
Kai estava de pé e ele mesmo percebera que não podia se mover, não naquele momento.
E por alguns instantes, absteve-se daquele lugar em mente, nem mesmo suas vozes ele podia ouvir, estava preso em lugar ao qual o mesmo definiria como vazio se não pudesse perceber o tempo, logo concluiu que não era o vazio, era algo diferente, que não podia explicar.
O corpo do garoto tinha o olhar fixo, suas pálpebras não se moviam, era uma estatua com calor humano. O velho parecia desesperado. No entanto nada aconteceu, até que a imobilidade se rompeu com dois movimentos. Os olhos de Kai se moveram e encontraram Lucian, ponto ao qual se mantiveram, em seguida o resto da carcaça começou a se mover, dois passos a frente.
Lucian percebeu a frieza daqueles olhos e recuou, colocou a mão sobre sua arma e esperou um bom momento para reagir, porem não fora necessário, foram dois passos, apenas dois passos, para que a consciência do jovem fosse retomada, Kai também recuou. Seus olhos se fizeram grandes, Kai também parecia assustado.
Ajoelhou-se levando uma mão ao chão e a outra a sua face. Soaram múrmuros, era uma dor contagiante. A segunda mão do garoto também foi levada a cabeça. Parecia uma dor de cabeça insaciável.
- Kai, kai, Kai ... – Sara assustada e preocupada com a situação. – Vamos levá-lo a um hospital. Rápido! – Taylor em sugestão.- Não podemos ir aos hospitais! – Lucian em resposta. -Reclamando desse jeito, ele vai atrai toda a tropa da cidade. – concluiu o mesmo.
- O que nos vamos fazer!? – Sara.
Naquele momento, a calmaria parecia ter retornado ao enfermo, que levantou sua cabeça e escorou suas costas nas rodas do carro, e olhou perdido, para o céu:
‘O céu não esta estrelado, que deprimente, desde muito pequeno eu não vejo as estrelas, a muito tempo eu não as considero muito importantes, eu dei ênfase a outras coisas, e me esqueci do que eles me ensinaram a apreciar, a luz, as estrelas, o céu como um todo, que eram coisas que eles, ou melhor, nós tínhamos certeza que jamais seriamos capazes de explicar, o possuía beleza rara e singular, tão pura ao ponto de não cobrar tributos para demonstrar-se...tsic, o que eu estou dizendo!? Eu to tonto ainda!?
É, agora eu me lembro! Eu to sentindo os efeitos de ter usado a força, de forma continua. Agora, enfim, os seus efeitos colaterais começam a tomar forma, é uma dádiva perigosa, que parece afetar quem a usa, uma faca de dois gumes, que não serve a ninguém, não sem cobrar algo em troca. Mais a cada momento eu sinto como se pudesse adicionar algo a ela, algo que custe mais e mais força. Como um atrativo, uma droga que causa dependência. E contra lance, causa a dor de agora a pouco, minha cabeça parecia estar queimando, e a dor era de dentro pra fora, eu quase senti meus cérebro ser esmagado pelo crânio, uma dor que eu jamais tinha sentido, e qual não tenho certeza se eu me acostumaria com ela, ainda assim, eu entendo que é o preço a se pagar pelo uso abusivo dessa força, eu temo que tenha que aprimorar meu corpo antes de voltar a usá-la. Morrer agora seria trágico alem de um grande desperdício.
E pensar que eu tinha pensado em medir a força, confrontando um quartel. Mais uma das minhas idiotices, na verdade eu poderia escrever um livro sobre elas, uma bíblia, talvez duas bíblias, continuar errando assim vai me causar problemas. Onde esta o Kai que eu me acostumei!? Sempre atento e disposta a completar as tarefas com perfeição, aquele não errava, nem mesmo diante das situações mais adversas!? Estaria ele cego!? Ou fascinado pelo poder!?Esse deslumbramento me faz esquecer a minha característica.
Eu era um gênio, e agora... eu sou um idiota errante...’
Taylor e Sara continuavam a sacudir Kai, que tinha movimentos lentos e pausados. Kai foca os dois, e continua em silencio.
- Kai você esta bem? – velho Taylor. –S..i..m – respondeu Kai pausadamente. – Você não parece tão bem – Sara enfatizando a fisionomia do jovem que levantou-se, sozinho.
-Mas eu estou bem. - respondeu o garoto que parecia abalado. – Ele esta bem, e nos temos assuntos a tratar Sara.- Lucian lembrando-a da reunião na conveniência. – Da um tempo Luci, vamos esperar ele melhorar- esbravejou Sara.
-É ele não parece bem. – confirmou Taylor a Sara. – É, ele não ta bem não, ele nem ta retrucando agente- ironizou a garota.
Os dois sorriram daquilo.
Logo a frente, o resto das pessoas da reunião, também saíram do abrigo, e caminharam.
Um deles, sem se identificar, se aproximou de Lucian, e resmungou:
- você já contou a ele?
- ainda não tive a oportunidade – respondeu Luci- Me contar o que Luci? Interrogou Sara.
- o que desde o começo eu tentei contar, mas não na frente deles- Lucian em retruco. – Não seja infantil, conte logo! – Sara.
Era de fato uma garota efusiva, que naquele momento ignorou a prudência do seu irmão.
-Sara, minha irmã, não vamos envolve-los nisso. Concluiu Lucian. – Oh, vocês são irmãos então!? – o velho perguntou. – tisc... – num ato de menosprezo ao velho, Lucian.
- Somos sim irmãos Senhor. –Sara.
- Que seja! – resmungou Lucian. – Nos vamos atacar amanha Sara, a bateria anti aérea dos militares. Comunicou Lucian ignorando os Civis que estavam ali.- Mas porque tão cedo, não tínhamos combinado de planejar mais? – respondeu Sara.
- Temos ordens para não demorar mais, você vê algum problema? – Lucian perguntou.
-Não nenhuma- respondeu num tom estranho e agora cabisbaixa. – temos que preparar o armamento, então né!? – conclui a garota.
Os dois irmãos acompanhados dos seus seguidores, talvez subordinados, caminharam, e se afastaram do carro.
- Hei, Kai, você esta melhor? – perguntava se parar o velho sem obter nenhuma resposta, o garoto parecia anestesiado, visto que era jovem, o velho supôs alguma doença qualquer, tal imobilidade era assustadora, talvez não no sentido medico, mas sim por tal distancia, parecia que aquela altura a mente do enfermo havia sucumbido ao corpo.
-afinal, isso tem algo a ver com o dom dele!? – e perguntou em voz baixa.
Em seguida, notou ainda, uma tira de sangue escorrendo do nariz do garoto, era preocupante, no entanto temia levá-lo a um hospital, apesar de rude e mal educado o velho tinha certeza da coerência do que Luci havia dita antes.
-Não se preocupe velho, isso vai passar. – O velho se sentiu confuso com a fala pausada de Kai que se levantou, na verdade tentou, mas notou vertigens, o corpo havia se deparado com um limite talvez!? Era uma pergunta bastante usada por Kai:
‘Eu notei! O uso da força aumenta a atividade cerebral, o primeiro efeito deveria ser esse mesmo, apesar de não ser médico, sangramento nasal, vertigens e dores de cabeça, são o anuncio de um mal estar cerebral, não é natural de um ser humano normal usar a força, e no meu caso forçar uma manipulação, de fato deveria causar efeitos.
É também fato que a força exige mais esforço que calcular quarks, em resumo, usa em media, 80% a mais que tratar tais conceitos físicos! O perigo me ronda, confortar o cérebro, é isso que eu devo fazer, e nesse caso, eu já sei como fazê-lo.’
Mais uma vez interrompendo-o Sara interrogou.
- Você esta sangrando!?.
-Sim, ele não parece bem ainda.- respondeu o velho.
Kai não conseguia retornar ao seu estado normal, era relativo, o tempo passava devagar, assim como seus pensamentos.
Sara estava equipada com seus itens de guerra, o velho admiro-a, ela agia com a força bruto como soldados do império, e parecia motivada por uma causa superior.
- Sr. Taylor, no carro, dentro do porta-luvas existe um caderno, por favor, eu preciso dele. – ainda pausadamente Kai. – ta certo, eu vou pegar!
Pegou-o e o levou ao garoto.
Era um caderno bastante maltratado pelo tempo, tinha amassados e rasgados, em uma capa de couro animal marrom, um marrom desbotado e nele seguiam as seguintes palavras.
“Death seeker, Freedom seeker “
Algo que o velho não conseguia entender, e nas folhas amareladas haviam escrituras falhas, quase invisíveis, pareciam ter sido escritas por alguma tinta artesanal, não só a tinta, mais o caderno como todo era extremamente artesanal. Talvez um presente, uma relíquia talvez? Imaginou o velho.
Me se fez calado, respeitando o estado do garoto, que de fato, ao tocar os dedos na estrutura do caderno, já demonstrava certa melhora, mais corado talvez, o caderno lhe trazia conforto, talvez o fizesse lembrar de algo bom, eram as alternativos supostas pelo velho quanto a relação do livro e de Kai. Mais seguindo mesmo argumento de outrora, não conflitou, manteve-se em silencio ao ver Kai se empenhar em escrever ali:
[Diário ->]Sinto o obvio, coisas lá fora são imensuráveis, ora a beleza ora a podridão do mundo, porem, nenhuma delas me agrada por inteiro, eu não gosto de mim sentir preso a conceitos, apesar de ter uma vida totalmente escravizada pelo conhecimento, eu não o considero o ápice, aquilo me incomoda mais que qualquer coisa, e nada me incentiva mais que as coisas simples, o que talvez explique a minha sede pelo conhecimento. Entender coisas simples é impossível, a dádiva é o sentimento, já dizia minha mãe sempre que um sopro de memória que envolvesse o meu velho pai. Eu realmente admito, que a beleza que havia entre eles superava qualquer teoria bem sucedida, qualquer pôr ou nascer do sol. Porem humanos se prendem a conceitos demais.
Se prendem a necessidades de amor, se prendem a parentescos. Eu tenho certeza que em suma eles vinculam as duas coisas.
De fato pais tem que amar seus filhos, necessariamente, amar por eles serem seus filhos, a continuação do nome e da casa. E se esquecem de amar o que seus filhos se tornaram.
Pais amam filhos marginais, filhos que não tem alma. Um amor vazio, um amor tendencioso.
E eu não sei porque isso me vem a cabeça, as pessoas são felizes assim. Porem é muito deprimente. Eu não sei quando foi exatamente que nós nos permitimos ser cascas, carapaças seguidoras de um bem maior. Ao qual nem sabemos ao certo a quem se deva. A quem servimos.
Servidão!? Essa é uma boa questão.
Já é histórica a servidão entre os homens, sua carência clama por um senhor...
[<- Diário]. - Ele parece feliz né!? – comentou Sara ao velhote. – realmente ele parece, parece estar conversando com ele mesmo. Completou em resposta. – Você o definiu bem. – Sara. - Obrigado.- Sr. Taylor. – Mas, porque o senhor o segue!?- Perguntou a garota ao demonstrar interesse. – Entender o porque é complicado, acho que nos prendemos demais, e eu já estou velho, ele me mostrou algo fascinante, ele me lembrou de Deus ao qual eu rezo toda a noite, pedindo por melhorias, pedindo por reconhecimento, clamando por coisas novas, você pode ver!?- perguntou o velho. – Ver o que Sr.? – Sara em resposta. – A pureza com que ele te olha, ele não desvia o olhar, enganadores odeiam olhar nos olhos das pessoas, e vendo que é tão jovem, não entendo tão sinceridade, talvez tenha sofrido demais em vida, mas eu tenho certeza de que não é esse o caso, ele, não por ser forte, e Deus e já vi sua força, mas sim por carregar tal inocência que eu o sigo. – Resumiu o velho ao lembrar do ocorrido na recepção, dias atrás. - O seu vinculo a religião, lhe aprisiona a ele, não é?. – Perguntou a garota. – Talvez em partes, mas não completamente. – respondeu o velho. - Todas as pessoas, sem exceção, procuram se destacar, procuram levar aos quatro cantos do mundo sua idéia, e maioria delas não são fortes o suficientes para tentar, por outro lado, as que tentam, não são fortes o suficiente para serem vistas, eu temo que o meu caso seja o primeiro. Ser mais fraco que o mais fraco, é uma questão no mínimo incomoda. Ajudá-lo, é a única coisa que me resta, entende? – argumentou Taylor. -Eu... eu... eu acho que entendo- Disse a garota. Enquanto Kai continuava a escrever a sua esquerda, e Lucian continuava a se organizar a sua direita. -vocês devem sair de Scar, ao menos por agora, seu amigo esta doente, e essa cidade vai conhecer o caos em breve- Sugeriu Sara ao velho. – Vocês vão mesmo atacar amanha, mas com tão poucos? – Responde com outra pergunta o velho. – Assim como você me disse agora a pouco, você não conhece o poder do Luci. – evidenciando Lucian ao Velho. Ao entender isso, o velho, notou Lucian, ele realmente parecia bastante influente para com os outros. Um time que possuía homens velhos, homens de meia idade, todos recebendo ordens de um garoto, tanta influencia só poderia ser conquistada com muitas provas de valor, acreditava o velho. -ele também é muito jovem né?- perguntou o velho. – Muito jovem para ver as coisas que já viu, com certeza, apenas vinte e cinco anos. – respondeu Sara. -Imagine o que aconteceria se esses dois não tivessem se entendido. – Disse o velho, já descontraído. – Seu amigo teria caído, disso não há duvidas. – respondeu a garota. O velho se espanta com a determinação com a qual a garota desferiu tais palavras, e percebeu que não podia ficar a atrás. -O garoto, é um gênio, e nós dois pudemos perceber o respeito com o qual seu irmão manteve enquanto se encaravam, e o desdém de Kai em retribuição. – Taylor A garota se fez calada, e apesar de conhecer seu irmão, e de ter tanta expectativa para com o mesmo, não podia deixar de concordar com a colocação do velho. Foram momentos tensos, ela sabia, lembrou-se do momento em que Kai avançara contra seu irmão, e a reação de recuar do mesmo. Lucian parecia respeitar Kai, tê-lo ofendido tanto naquele momento denunciava isso. -Mas você tem razão, eu devo tirar o Kai daqui. – Taylor. Sara estava descontente com a batalha, parecia ter deixado muita coisa de onde havia vindo, ou temia algo na cidade. Atacar a capital era perigoso aos olhos dela, porem o motivo estava guardado em seus pesares, agir dessa forma, denunciava que talvez, sua preocupação com seu irmão superava a expectativa para com a força do mesmo. A garota sorrio, e foi ao encontro de seu irmão. Ela havia traçado um plano, era evidente, queria adiar o ataque por agora. - Luci, eu vou tira-los da cidade!- exclamou a garota, em meio ao irmão e a seus companheiros. – Mas não há tempo Sara, a ofensiva é amanhã. – Disse o irmão em reação. -Você não entende o qual perigoso é atacar, atacar sem planejar, você sabe que ela protege os soldados, ela é a mão forte dos militares. – Argumentou Sara preocupada com o bem de Lucian. – Ela não vai aparecer, e se aparecer eu não vou deixar ela nos machucar, entenda isso!- Lucian. - Eu já decidi meu irmão – Concluiu ela. Lucian parecia revoltado com aquilo, porem Sara não deu ouvidos, eram sussurros apenas, o plano da garota era fazer seu irmão parar por ali. Logo a frente o velho estava ajudando Kai a entrar no carro, assim como havia sugerido Sara, eles estavam deixando aquele lugar. -Hei, cabe mais um no seu veiculo ? – Perguntou Sara. O Velho olhou-a e sorrio, Kai também desviou seu olhar. ‘agora são dois problemas... tsic’. - É claro que sim. Vai ser bom ter mais alguém para conversar.- respondeu o velho. Era notável o animo do velho, e era obscuro o objetivo da garota. - Eu vou guiá-los a um lugar seguro. Completou a garota. Durante o quase alvorecer eles seguiram, Kai escrevendo, Taylor dirigindo e a garota inquieta como sempre, falando muito. Algum tempo passou, e eles chegaram a um lugar, ali não parecia estar cercado por militares, parecia calmo o suficiente. Encostaram perto de um lago, havia também uma arvore. Todos desceram. O velho esticou os ossos, Kai se sentou perto da roda novamente, e continuou, e garota ficou ao lado do velho... eles pareciam ter realmente se entendido. - ele parece estar melhor agora- disse a garota. – é parece que ele vai ficar bem – Taylor [Diário ->]...e é claro, eu posso dizer que esta alem da minha capacidade mudar a cabeça dos homens, eles são livres, ou pensam que são, são presos apenas as coisas que não entendem, a sua própria ignorância, e a suas próprias tendências, assim como todas as espécies.
Homens nunca serão como as estrelas, as estrelas estão sempre lá, não se mostram em dias tempestuosos, dias tempestuosos, tem um objetivo obscuro, de manter a solidão, pelo menos entre os homens, dois fenômenos distintos seria demais, como sentir tristeza e alegria simultaneamente, sentir paradoxos esta alem da nossa capacidade.
Talvez o papel dos homens se resume a presenciar essas coisas, que vão alem da compreensão. Mas que mesmo assim, encharcam os olhos daqueles que vêem, que vêem alem de uma luz, vêem o infinito em pouco espaço, uma parcela do universo, algo brilhante, distante demais, grande demais, mas que não se faz mesquinho, demonstra sua beleza a todos, corruptos ou não, belos ou não. Inteligentes ou não.
Uma pequena parcela de liberdade, enxergar ao longo dos anos luz, a matéria que esta acima de qualquer conceito de vinculo... [<-Diário].
Kai acaba ser interrompido.
-Você esta bem Kai !? Taylor. – Sim, estou bem sim – Respondeu Kai, agora de forma normal, não pausada.
-Você nos assustou por alguns momentos sabia!? – Sara. – Temo que me desculpar por ter me sentido mal te agradaria, mais não por agora- Disse Kai em tom de deboche.
-Ah seu idiota, você é muito mal agradecido - Sara irritada! – Hei! Crianças, não comecem. – tenta acalmá-los o velho.
Kai sorria, apenas sorria por hora.
- Kai, você deveria se cuidar mais, ela tem razão em se preocupar, sua saúde é importante, entenda isso.- completou o velhote. Kai fica em silencio. – Isso mesmo, você pensa que é de ferro? Que esta acima de doenças!?
Kai se mantinha em silencio.
‘tsic... eles parecem a minha falando.’
- dores de cabeça e sangramentos, podem te prejudicar mais tarde, nem sempre você será tão jovem – concluiu o velho. – Eu concordo com ele! – Sara.
Eles não percebiam que não estavam ajudando. Tantas cobranças, lhe fizeram lembrar a parte que ele não gostava em sua mãe.
‘eles realmente parecem muito com a minha mãe...’
Lembrar sua mãe era tenebroso, cobranças são normais de qualquer mãe, porem, lembranças atraem lembranças. O nervosismo começou a corroer o jovem.
Enquanto os dois não paravam de falar, as dores voltaram, o nível de sanidade começara a cair, enquanto as dores aumentavam.
Ele não ouvia mas as vozes dos dois, uma voz feminina, muito familiar lhe era presente, era sua mãe... que aumentava em tom, a medida que aumentava a dor.
-GRRRRRRRRRR...- Kai. – ele esta tendo outra crise! – Sara.
- Mais o que... – disse o velho ao ser interrompido.
-GRRRRRRRRRRRRRR – Kai que levou uma mão a face novamente, como antes.
Um som emanou naquela área rural: puff.
Era o caderno sendo fechado. O tempo parou. A vulcão dentro da cabeça de Kai explodiu, fazendo-o levantar a atirar o caderno no rio.
Simultaneamente ao esgoelar:
-CALEM-SE!!!- Kai.
A apreensão estava presente aquela altura, espantados o velho e a garota, apenas observaram.
Eram aqueles olhos frios de antes.

Kuragari No Ga

sábado, 28 de novembro de 2009

Capítulo 3. "O aniversário de morte"

- Yu-me estou feliz que você tenha voltado - Nana.
- Cara! você realmente sabe como assustar as pessoas ao seu redor - Izu suava frio e tinha a fala mais gasta que o normal - Não sabiamos mais o que fazer, estavamos assustados demais... você é um canalha - riu.
- Por favor... Nana, Izu, perdoem-me... mas... eu não sei o que aconteceu realmente! eu apenas apaguei?
- Sim - responderam os dois.
- Mas isso é estranho, jamais havia acontecido isto!
- Tem sempre uma primeira vez né? - Izu.
- ...
-Quanto tempo eu durmi? vocês podem me dizer?
- Claro, vocÊ durmiu por um dia inteiro, veja só, você desmaiou ontem a esta hora, ao Meio-dia, por isto pensavamos que era falta de uma alimentação, e então eu busquei algumas frutas meio velhas, os moradores me ajudaram com o que foi possivel... eles são bons!
- Um dia! - Estava distante, sentia o suor correr pelo seu corpo livremente, estava vivo e bem, tivera apenas uma noite de pesadelos, como sempre, a vida corria pelo seu sistema de energia, o sangue fervia, ele sentia o mundo dentro de si, muito mais do que outrora!
- Yu-me, quando estava inconciente ou quase... vossa senhoria - brincou Izu - desferiu algumas palavras, algo como:
- Dia de morte - disse Nana.
- é! a nana sempre me interrompe, se bem que eu jamais lembraria disso... é estranho!
- Ah! isso não é nada, eu só estive um pouco mais abalado do que o normal, talvez pelo inverno que chega firme e forte, e não deixará nada para nós!
- Mas sempre foi assim, não é preciso se desesperar meu pequeno amigo - disse Izu.
- é yu-me, sempre será assim, mas sempre conseguiremos! - nana.
- sim! perdoem-me!
- Talvez seja isso o que elas chamam de: Família! - pensou Yu-me.
- talvez, isto seja tudo o que desejamos todo este tempo, mas... eles são diferentes, e mesmo quando tem pensamentos obscuros, não conseguem o controle de sua alma e do inconciente, quer dizer, nem eu mesmo consigo, mas eu posso falar com ele, eu posso vê-lo, e visitar as terras escuras de meu coração! Tenho de protege-los, dos dias mals que vem, cada vez mais poderosos, cada vez mais e mais e mais!
- podemos nos tornar tudo o que desejamos, tudo! não é izu? você mesmo diz isto, o tempo todo, apenas para não desistir de si mesmo, da sua existencia, da alegria, e de todo o resto que compõe esta vida, eu entendo, eu sempre entendi, mas muitas das vezes me fiz surdo, cego e mudo, por isso...
- E por isso... agora eu quero me tornar alguém como vocês... eu quero ver o brilho do sol e sentir o seu calor, não mais o frio que atormenta a minha alma! nós escolhemos o caminho que devemos trilhar, é o destino? ou parte disto é de nossa escolha? a nossa escolha é o que alimenta o destino? o destino pode ser mudado? quantas perguntas eu tenho, e quantas respostas devo receber, seria isto parte do meu destino como humano?
- A única coisa que eu posso fazer agora, é proteger vocês com a minha vida, se isto for preciso!
Dizia Yu-me, para os dois, uma declaração um tanto quanto inesperada, afinal, um companheiro que disse o que sua alma pedia... um grande amigo.
- sabemos disto! não se preocupe yu, nós também nos sacrificariamos por você - disse nana.
- Nem todos os dias serão de sol como este, nem todas as manhãs as frutas estarão postas em nossa mesa, e nem toda a saúde do mundo cairá para nós como uma luva, porém continuaremos juntos, até que o pôr-do-sol nos separe, até que o vento nos carregue, até o findar dos dias - mais uma vez esta declaração feita por yu-me, mais uma vez uma declaração de morte ou vitória, mesmo assim, pouco importava afinal... A vitória para ele, consistia em estar junto daqueles que o seu coração se agravada, e mesmo com os dias enegrecidos, alguma sugestão apareceria!
Sobre a idade de yu-me, Izu e Nana, tinham respectivamente:
Yu-me: 13 anos.
Izu: 12 anos.
Nana: 10 anos.
Muitos perguntariam sobre o destino destes que vivem num mundo onde a justiça foi feita pó, e guardada em cofres de ouro, em altos bancos que apenas trazem o lucro para quem vive de furtos e obstruções, de grande e médio porte, como tão pequenas crianças podiam viver assim?
Não existiam respostas para perguntas inacabadas, aquela também era uma pergunta deste tipo, o quão duro seria a realidade para aqueles que vivem no mundo da ilusão?! essa seria mais uma pergunta!
SOnhos, metas, desejos de crianças são levados a sério por elas mesmas, mesmo sabendo o quão difícil, jamais deixam de acreditar, jamais tropeçam sobre outros desejos, é tudo coordenado por sua mente, porem poucas destas crianças conseguem se tornar adultos, muito menos ainda é o número das que realizam seus sonhos... este era o início...
Do outro lado da cidade, num bairro nobre e com uma estimativa muito alta de vida, viviam os poderosos e fortes homens, e apenas aqueles que juntaram uma grande soma em dinheiro podiam se manter ali!
Grimu era o nome do patético homem que esteve a infernizar os homens atrás de votos, comprando-os, e promentendo sempre a mentira inacabada.
- Tenho que fazer algo, alias, eu já deveria ter feito, não é aqui que meu orgulho vai morrer, não tão cedo, não agora! Eu tenho que tomar umas atitudes sobre aqueles vermes, o lixo da cidade, hehehe... eu sou o poder aqui, posso fazer qualquer coisa! Aquelas palavras me feriram, aquela luz que emanava de seus olhos me cegou por um tempo, aqueles desejos tolos de pessoas que vivem para ver a desgraça do mundo, isto tem que terminar - disse ao terminar de almoçar, um belo banquete, variado e delicioso.
- isto tem que terminar! - repitiu, servindo-se de uma grande taça de vinho.
Levantou segurou o telefone, tinha um sorriso diabólico em estampado em sua face, e então discou:
- 3394-12-48. hmm... serviços secretos ham... ao mercado negro, ai vou eu hehehe - ironicamente expressou um sinal de tristeza.
- Sim?! - disse um homem do outro lado da linha já esperando uma ordem.
- bem, bem, bem, se não é o meu amigo Deiman, hehehe, deiman, deiman, deiman...
- O que vocÊ quer agora? EU DISSE A VOCÊ PARA NÂO LIGAR NUNCA MAIS! - disse um irritado deiman.
- bom, se vocÊ não deseja a minha presença, ou ouvir a minha voz, quem sabe eu deva informar o seu paradeiro para a polícia, a sua cabeça vale milhões meu caro! eu lhe ajudei tantas vezes será que vocÊ não pode fazer o mesmo para mim? hein!? apenas receber não é o bastante deiman, é preciso dar para receber, é preciso comprar para ganhar, hm... estou cansado de explicar a você!
- Tantas das vezes que precisou eu o ajudei, o que você deseja agora? qual será o assassinato desta vez?
Fez-se silêncio no outro lado da linha, aquilo incomodou o homem de preto.
- QUANTAS VEZES EU TENHO QUE DIZER AOS MEUS SUBORDINADOS PARA NUNCA REPETIREM TAL COISA NA LINHA DE TELEFONE? VOCÊ É DESPROVIDO DE INTELIGÊNCIA? - disse grimu, secando o suor da testa, aquela conversa não fazia bem para ele, conversas do tipo sempre o deixavam encabulado e descontrolado.
- você não mudou nada não é? sempre o mesmo inocente! tentando subir nos degraus usando o corpo dos mortos que deixa ao tempo... sacrificando qualquer um! mas... diga-me, qual o problema "Patrão" - ironizou.
- Claro... eu direi a você, e então, o fará!
- ...
- Eu preciso de sua ajuda para eliminar alguns ratinhos que entraram no meu caminho, e rapido!
- Se era só isso, poruqe não liga para uma detetizadora?! elas terminam rapido com isto, sem problemas...
- hehehe -
- ok! sem piadas desta vez! diga-me onde e quando e eu irei, porém... - do outro lado da linha sorriu mais diabolicamente que o o gordo, seu sorriso era tão grande que mal coube em seu rosto.
- porem? - Grimu.
- Eu quero 30% a mais do que o seu pagamento normal... eu quero muito mais hehehe, esta missão vai exigir muito de meu auto-controle, hehehe
- fechado!
Dois homens, dois que não valiam o preço de um morto! dois ironicos que pouco se importavam com o que se passava ao redor, dois monstros que desejam só o dinheiro e o poder. Aquilo era se não o coviu de cobras que jamais fora encotrado!
conversaram por alguns muitos minutos, até que tudo teve seu entendimento, era hora de agir!
- Então... até lá, meu subordinado! - grimu.
- OK - Deiman.

Deiman era um homem na casa de seus trinta anos, procurado pela polícia a alguns anos, era senão o braço direito de grimu, que pagava as suas contas e o mantinha em segredo livre da polícia e de qualquer outro problema, muitos que sabiam da existência de deiman, foram eliminados, lógicamente a idéia mais sensata que grimu teve foi a de eliminar as provas vivas, que algum dia usariam o suborno para conseguir cargos elevados.
- nós estamos falando da humanidade deiman, não duvide, nem zombe, nós somos os nossos próprios demônios e por isto... não podemos deixar com que ele saiam vivos!
Sempre repetia isso, era o seu legado, a sua frase preferida.
- matar, incriminar, torturar! eu existo apenas para isto, apenas para trazer a dor a este mundo! e por dinheiro eu sempre o farei.
O cabelo de deiman era vermelho assim como um final de tarde de primavera, seus olhos azuis faziam-no parecer inocente o bastante para viver uma vida sem problemas, poucos o conheciam, muito menor era o número de seus inimigos, todos abatidos, ou quase!
- Eu nunca entendo esse gordo, nunca entenderei! - resmungava enquanto carregava sua arma.
- Não é preciso me entender - rebateu grimu - só faça o que eu mando, do jeito que eu mando, quando eu mandar, e vocÊ receberá o seu dinheiro!
- ok.

Capitulo 3. "O aniversário de morte".

Yu-me pensava e repensava em como a luz tão distante era poderosa a ponto de frita-lo se ficasse muito tempo exposto ao sol, é claro, branco, quase albino, se expondo ao sol desta forma, morreria facilmente! Desde o início de seus pensamentos ele focava o sonho de outrora, e então relembrou das próprias palavras ditas:
- dia de morte... talvez nós estajamos correndo perigo, eu penso isto, mas...- dizendo isto, encostou sua cabeça sobre uma àrvore e adormeceu, um sono penoso e fino, como uma seda que prestes a se romper ainda tenta manter a sua beleza e vida.
Em seus sonhos yu-me também estava pensativo, em uma sala totalmente branca, com adornada pelo ouro e pedras de diamante, olhou para si, e viu algo inesperado, suas roupas estavam brancas, muito brancas, seu longo cabelo negro brilhava a cada momento, e estava fino e liso, como em dias antigos.
- Flores caem sobre um longo riacho e o alegram... - disse uma voz ecoando muito alta e poderosa naquela sala, yu-me passou alguns segundos a degustar aquelas palavras até que...
Se lembrou de quem era a voz, era senão a sua própria voz, um pouco mais grossa! Percebeu que aquele era o seu pesadelo em forma humana, ou não tão humana.
- Akumu... - disse yu-me.

Akumu continuou a falar, ou recitar, aquilo poderia ser um poema, uma música, um provérbio, pouco importava para ele, afinal: só queria terminar.
-Frutos caem neste solo e alegram os homens - continuou com uma rapidez incrivel, estava encomodado mostrando um grande desconforto em suas palavras e seguiu:
os homens caem neste mesmo solo e alegram outros homens
de certa forma tudo toma o seu devido caminho
e o ciclo jamais tem fim
- Eu poderia tentar mais uma vez, eu poderia, mas sei que jamais conseguirei! Os tempos estão mudando e adivinhe... estão mudando para pior, muito do que jamais se viu, agora será visto, muitos que não acreditavam na mudança agora faram parte dela, e contemplaram o preço disto, o preço de viver neste mundo, onde tudo não significa extamente nada!
Yume acordou atordoado como se tivesse levado um grande soco em sua cabeça
- Droga Akumu... o que você quer com essas charadas? - resmungou um yu-me visivelmente irritado e encabulado.
- Mestre yu-me, você ainda não entende?
- AHHHH- Yu-me deu um grande grito de surpresa, desaprovando a atitude do rapaz! - Como você pode aparecer no meu mundo? você tem um corpo reserva? am?
- nada disso, nada disso... pufff - suspirou akumu.
-...
- Nós ainda estamos em seu sonho, você apenas acordou de um sonho dentro de outro! sempre haverá espaço para um sonho onde há outro maior, e talvez até um terceiro, e eu devo acorda-lo, quero dizer, já o fiz!
- sonho sobre um sonho... interessante!
- Talvez seja, eu não tenho a intenção de contar ao vocÊ nada ainda, não me parece digno o bastante para entender sobre estes mistérios que só existem aqui em meu mundo, mas estou disposto a responder algumas perguntas, as mesmas que fez quando veio para cá, da última vez, ou devo dizer: primeira vez? O senhor estava tão confuso que fazia perguntas demais, e mesmo se eu as respondesse continuaria com dúvidas, mas... agora que sabe meu nome, e que seu corpo e mente estão estáveis eu posso responde-las, sem que você fique com mais e mais dúvidas... puffff - suspirou outra vez - tens de entender o quão difícil é se manter aqui neste mundo, e que pra isso vocÊ nescessita de uma grande parcela de sua energia, e que essa energia não volta assim para o seu corpo tão facilmente, é como se você socasse a parede esperando quebra-la, de qualquer forma, só iria se machucar, e é o que esta acontecendo... você esteve pensando este tempo todo, procurando um jeito de me encontrar e me perguntar aquelas coisas todas... aaaa... quantos problemas eu arrumei agora!
- Bem... como uma promessa é promessa, pergunte!
- se a minha energia é consumida aqui, eu preciso ser rapido ou então não acordarei a tempo de sair debaixo desta árvore até o anoitecer e mais uma vez ficaram preocupados comigo, por favor, seja gentil e honre sua palavra!
- ok.
- O que eram aquelas pessoas? o que faziam ali, vocÊ disse que elas compunham a minha força...
- exatamente, elas compõe o seu espirito e força, assim como na terra vocÊ deve se alimentar para conseguir energia o bastante para ao menos ficar em pé, aqui eles também se alimentam, mesmo sendo o seu espirito e força eles também necessitam de seu espirito para sobreviver, são como uma fonte renovavel de poder, eles comem do seu próprio poder, da sua própria aura, por isso são poucos, mas muito fortes..
- Necessitam do meu espirito para sobreviver, engraçado, eles são o meu espirito!
- assim como eu necessito de você para viver, algum problema quanto a isto? somos seres secundarios yu-me, você é o rei deste mundo, e somente você dita as leis e regras aqui! Mesmo que eu tome seu corpo por algum tempo, ele volta ao seu dono original, o meu poder é escasso perto do seu! e é por isso que vocÊ continua a exercer a função de dono e predador deste lugar, e é por isto que quando chove o rei não se molha, e quando os raios começam a cair você não sente o tremor! o Rei tem seus subordinados que morrem e vivem por ele!
- Agora eu entendo um pouco mais! perdoe-me, eu não quis ser rude, não é de minha natureza ser arrogante e cético assim!
- Talvez da sua não seja, mas da minha natureza sim! - sorriu akumu.
Quando o tempo fecha lá em cima, quando os tremores recomeçam, a coisa tende a ficar feia... é como se existisse um monstro, um grande cão atravessasse os portões da escuridão de seu coração e viesse aqui para caçar, como eles compõe a sua energia e espirito preferem se jogar no poço da tristeza a virar comida do cão que traz a escuridão para o restante dos pequenos espiritos, eles são unidos yu-me, eles são a mesma coisa que vocês são, quando se tem amizade tem-se a confiança e honestidade, sei que todos aqueles que vivem ai fora, preferem morrer à sacrificar seus amados companheiros! isto é um exemplo, um breve exemplo do que se pode ver!
- Mesmo que sejam destruidos, lutam, mesmo que tenham pouco tempo de existência, eles salvam os mais novos, que por sua vez farão a mesma coisa! esse é o ciclo sem fim do seu espirito, que luta para não se entregar, para que não recebe as trevas em grande escala!
- Amor, Felicidade, Honestidade, Confiança... isso também existe aqui... sempre existirá, até que você morra, ou não!
- hm... eu os entendo, eu queria nunca mais deixa-los cair naquele poço!
- tisc... você é burro o bastante para acreditar em unicórnios também? Eles sempre morreram e sempre morrerão! como eu disse este é um ciclo interminavel, yu-me, mesmo você sendo rei deste mundo, você não é um tipo de Deus, penso eu!
- Parece que eu não tenho escolha não é? deixa-los morrer, é tão.. tão.. cruel! Bom eu já vou, temo que ficar aqui por mais alguns segundos meu corpo deixará de sentir a vida, e isso é mal!
- ATÉ!
dizendo isto yu-me desapareceu da sala, porém, akumu continuou ali, parado, pensando em algo muito sério!
- Seria mais fácil eu ter contado toda a verdade sobre algumas pessoas do seu mundo mestre, mas se eu contasse a você... tenho certeza que não conseguiria alcançar a meta! Ainda é cedo... mas falta pouco!
- A ilusão do mundo dos homens é mais forte que a realidade, por isto, eles resolvem viver adormecidos para sempre, em um sonho perfeito e extenso! - akumu.

Acordado do outro lado do seu mundo, yu-me correu em direção a Izu e Nana.
- ALÔ, ALÔ, vocês dois! - parecia ter renovado o seu humor.
- A... olá Yu - nana estava desanimada e preocupada, sua feição estava como a daquele dia, pálida demais para ela mesma!
- O que foi? aconteceu algo? me digam por favor!
- Não yu.. ainda não!
- Ainda? o que isso significa? - já preocupado.
- Bem yu, tive outro daqueles sonhos estranhos, que mais me parecem com profecias, mas este é sério, muito sério!
- Então diga-me..
- ok
O clima estava pesado, as nuvens lá de cima, estavam negras, muito negras! Uma tempestade estava prestes a começar, uma tempestade diferente das outras, um vento forte zumbia nos ouvidos de yu-me, que naquele instante já demonstrava preocupação!
-EU VI.. eu vi..
Izu percebendo que Nana não conseguiria dizer, cortou a fala da mesma, dizendo com receio algumas palavras
- Nana viu a nossa morte yu-me, ela viu nossos corpos no chão, ela viu!
- Esperem, esperem, isso não é motivo para ter medo, só um sonho ok?! isso se difere da realidade!
- ERRADO! - gritou Izu.
- o que está errado?
- tudo! você não acredita não é?! eu posso ver em seus olhos a dúvida, a mesma dúvida que entrou em meu coração, mas por favor, venha conosco até ali, preciso mostrar algo a você!
Os três sairam de seus lugares, e caminharam um pouco, indo até um rio, um rio escuro, e pararam!
- Se lembra da minha primeira visão? - perguntou Nana.
- Sim,sim, claro, estes dias eu fiquei pensando e tentendo entender o sentido dela!
- Eu também - izu - e eu consegui entender, nós dois conseguimos - disse ele referindo-se a Nana como uma segunda entendedora do assunto!
- hm... e qual é o significado?
- tente você mesmo yu, você encontrará o sentido com certeza, vocÊ é mais inteligente que nós!
Yu-me olhava para todos os lados, o vento cada vez mais forte o preocupava, queria descobrir o porque do desespero dos dois garotos, que já haviam desvendado a profecia escondida no sonho de Nana!
De tanto olhar, percebeu algo, em seguida levou um grande choque.
- Não... isso não pode ser verdade! - agora pálido.
- Mas se três pessoas pensam a mesma coisa sobre um só objeto, ou desejo, ele pode se tornar verdadeiro não é?!
- Este é o dilema das duas Àrvores não é yu-me?
- sim! sim! com certeza!
- As duas àrvores...


Conta-se em uma lenda antiga, que o mundo era regido por duas àrvores gigantescas e mais velhas que a areia que esta nas beiras das praias, as duas em sua mocidade, eram belas e fortes, ambas davam muitos frutos a quem as colhia! A vida na terra naqueles tempos era muito boa e por longos anos, as àrvores viveram e deram vida a muitos dos que já deveriam ter padecido.
Entretanto como em toda era, os dias se tornaram escuros e a luz da lua jamais antigiu a terra, por outros longos e tristes anos as árvores não tiveram o seu corpo banhado pela luz mistica que a lua doava a todos os seres daquele mundo.
Muitos morreram naqueles anos, desde os homens até as flores, os corpos já não podereriam ser contados, pois jaziam podres atrás das montanhas que foram chamadas de: montanhas do desespero!
Por conta de tantas mortes, dos corpos e residuos que estavam atrás da montanha, um veneno foi criado, pouco a pouco, um por um, doenças foram unidas e criaram então uma nova arma de destruição, a própria natureza estava a atacar! como uma auto-mutilação!
O veneno quis se extender sobre toda a terra, porém as duas àrvores que eram responsaveis pelo seu território, não deixaram com que isso acontecesse, e o tomaram para sí...
A cada uma dessas um destino foi dado, a cada uma uma nova estimativa de vida, após terem o veneno recebido em suas raizes!
Os dias clarearam pouco a pouco, a vida recomeçou naquele lugar, poucos eram os que se lembravam das àrvores que fizeram o esforço máximo para deixar aqueles últimos seres vivos, poucos foram os que voltaram e agradeceram as mesmas!
Uma das árvores por mais que seu esforço fosse grande não conseguira sobreviver, e então foi enegrecida pelo tempo, em seus maiores desejos quis dar uma última remessa de frutos puros e belos, para que todos pudessem observar o seu esforço e o desejo de continuar, talvez um milagre foi concebido ali para aquela árvore já morta, uma ultima remessa de frutos, nascera, e eram suculentos ao olhar humano, deliciosos e cheirosos, frutos iguais aos de antigamente, frutos que resistiram a morte! Entretanto, as flores dos frutos estavam mortas, como consequencia do que aconteceu a àrvore!
A àrvore branca resistiu até o final, estava viva, após batalhar muito e ver a morte de sua companheira e amiga, após muito tempo curando toda a sua doença veio a dar alguns frutos, e com toda certeza sabia que seriam os últimos, a àrvore se tornaria infrutifera, os efeitos do veneno, retiraram o seu desejo de produzir e dar vida! mas não retirou dela a própria vida, os últimos frutos nascidos eram podrem, escurecidos assim como a outra àrvore, indesejaveis... então chorou e clamou por seus dias, a sua dor era tamanha que nem poderia desejar viver! A cada dia que se passava a árvore tentava uma vez mais reviver os frutos, mas nada acontecia... até que...
algumas flores brotaram, flores que se poderiam ser vistas em grandes campos, e florestas densas, flores tão belas e poderosas que um único olhar não poderia satisfazer o desejo! e mesmo com os frutos mortos, continuavam a crescer e brilhar!
o dilema das duas árvores, que por ironia do destino, tiveram suas habilidades seladas para sempre!
No lugar da bela árvore morta, outra nascera, e esta era cruel e impura aos olhos, uma àrvore que deseja apenas a destruição de sua companheira, uma àrvore que se parecia ainda mais com a humanidade, e isso se deu ao fato do sangue humano ter-se misturado ao resto dos outros, e corrido ao tronco de àrvores inocentes, o sangue humano que em outrora aquecia agora congelava e machucava, e a àrvore apenas podia amaldiçoar o seu próprio destino!
Para estas duas árvores em um dia de uma nova era, foi dado a seguinte ordem:
Reger a vida humana e cuidar da terra, sendo elas expressadas como a "morte e a vida".
Em seu meio corria um rio, agora um grande rio, onde a vida corria, e cada uma estava de um lado do rio, cada uma com uma tarefa a ser feita, e assim, foi-se o tempo das àrvores, e assim, a lenda tem um fim!
Sempre a olhar pela vida, elas continuam a viver, com seus frutos, e suas flores, hora enegrecidos, hora belos e formosos!

- A lenda agora faz sentido? - disse um Izu triste.
Suava e procurava apoio, a lenda fazia total sentido naquela hora, mas, por incrivel que se pudesse parecer ainda faltava algo, para iniciar a desgraça, o botão de ignição, que faria tudo desaparecer, assim como na lenda uma morte súbita para todos! No entanto yu-me sabia que as lendas nem sempre se seguem como são contadas, algumas das vezes versões diferentes e totalmente desligadas da história aparecem e trazem mais uma vez a dúvida em releção a original, se é que existe uma original! Pensamentos atingiam-no em cheio a ponto de sua cabeça doer, outra vez sentado, talvez fosse este seu maior hobby, sentar e pensar.
- Há algo ainda que não fora explicado por esta lenda, hm..., ou será que sou eu que procuro mais uma parte do quebra cabeça já resolvido? assim como nos casos de muitos dos mortos que são encontrados anos depois apenas com o seu esqueleto, e nós por nossa inteligência e também inutilidade quanto a vida e morte procuramos encontrar um fim e um culpado para a morte! Eu devo estar errado e quanto mais errado mais caminho para o meu próprio fim, tisc... - mordeu o lábio outra vez, era também um hobby ou uma maneira mais fácil de perceber que estava vivo e operante naqueles dias - tisc... Algo como estas duas àrvores, ambas iguais a da lenda, e um rio que passa meio as mesmas... hm... - começava a chover naquele instante, uma chuva forte e grossa, com raios em meio aos pingos o dia escureceu completamente - Droga... não há tempo pra ficar aqui queimando a cabeça com isso, ou há?
- Não há! - respondeu para si mesmo, se auto-afirmando rei da situação, rei de seu próprio pensamento!
- Vamos Izu, Nana, a chuva está vindo cada vez mais forte, nós teremos um temporal daqui a pouco... precisos nos esconder ou seremos vítimas de raios!
- Já... tudo cessará daqui a pouco, não preocupe-se com a chuva! - Nana parecia estar hipnotizada, seus olhos perderam o brilho, e mais uma vez, ela olhou para Yu-me com olhos que ele já conhecia, os olhos da morte!
- O que vocÊ está dizendo? Vamos sair daqui logo... caramba! - yu-me.
- YU você não entende, lógicamente, não o culpo você não teve a visão! perdoe-me! - Izu
- Mas que merda é essa agora? vocês estão de brincadeira?! uma tempestade vem ai, muitos raios poderão nos antigir, eu não devo acreditar nessa lenda, até porque ela é só uma lenda! vamos nos proteger... depois pensamos em algo!
- NÃO - Izu também perdera o brilho do olhar, e mais uma vez assustava yu-me. - Não meu senhor! não podemos mais adiar isto!
- ? ... -

Em uma rua anterior um carro estacionava e de dentro dele sairam dois homens, um grande o bastante para não caber dentro de próprio carro, e um pequeno homem, um vestido com seu terno domingueiro e sóbrio, o outro vestido apenas com o preto da noite, uma dupla astuta, o que faziam ali? naquele momento de chuva e solidão?! porque parar o carro num dos bairros mais tristes daquela cidade, onde a ajuda certamente nunca chegaria!
- É hora! - disse o homem alto
- OK- dizendo isto o último se apossou de uma grande arma de fogo.
- AK47! - resmungou ele - uma arma um tanto quanto letal não acha?! eu posso mata-los de longe e simplicar o meu trabalho, já que sou eu o assassino e você o mocinho dessa história...
- Ak47? NÃO, Não, não meu caro amigo! Você não usará uma arma com tal poder de destruição por tão pouca coisa... - disse o homem forte.
- Grima o que você quer dizer com isso? EU sou o assassino aqui, eu escolho as armas, são apenas pobres pessoas o que você quer com estes? eu poderia mata-lo agora mesmo!
- hm, e deixar de receber os 30% a mais? não, não! meu caro! Você vai fazer como eu mandar, como eu disser para fazer e se você entende isto, pegue a sua arma de menor poder de destruição, eu quero que você começe a caça-los, eu quero que eles sejam exterminados de forma honrosa... - Abriu o mesmo sorriso de outrora, mais diabólico impossivel - Entenda meu caro, eu sou a lei aqui, eu sou tudo! Eu poderia me chamar de Deus deste novo mundo, mas ainda não é tempo, eu ainda não tenho poder para tal! mas quando o meu capital estiver alto, quando as minhas economias forem maiores que as dos homens deste mundo, eu poderia ser chamado assim, e aceitarei com todo prazer o título de "Deus do novo mundo", e você poderá ser o meu fiel escudeiro, um anjo que traz a redenção aos homens!
- Redenção? eu sou apenas um assassino! Deus... quanta besteira! você deveria ir a igreja todos os dias quando era criança não?! quanta merda sai dessa sua boca!
- Errado meu caro amigo! Você diz que eu frequentei a igreja, com certeza, mas eu nunca deixei de ir até ela, pois é de lá que os 50% de meus lucros saem, hehehe, eu comprei até mesmo responsavel pela igreja, e nós conseguimos dividir o dinheiro todo!
- PUFF - suspirou deiman -Então até agora... você também estava roubando com a igreja, que estúpido... Bem, eu não me importo, na verdade o apóio, quanto mais idiotas para se roubar, mais fácil é o caminho galgado até a glória, você é inteligente o bastante para conseguir uma coroa, só não sonhe demais, vocÊ pode cair!
- É claro! - disse o gordo, que agora parecia estar sentado em um basilisco, mostrando toda a sua fúria e glória com uma grande lança dourada, mas a sua barriga continuava a incomodar!
- Ei chefe, você deveria fazer um regime, essa sua barriga me dá nojo! - disse olhando para a barriga de Grimu, que era realmente grande.
- Calado, seu réptil repugnante! vá fazer o seu trabalho - disse ainda sorrindo.
- EU SOU DEMAIS - pensou ele ao mesmo tempo que sorria - Agora veremos quem poderá humilhar quem, hehehe, a vitória tem um sabor mais doce para aqueles que vivem acíma dos vermes, o otimismo deles estragou o meu dia, mas hoje... mas hoje... eu estarei feliz quando isto acabar, e estas nuvens, ah estas nuvens, serão o meu novo presente!

Deiman pegou uma arma inferior, muito inferior e enferrujada!
- Bom se você deseja isto! Aqui vou eu!
- Pistola 38?!,hm... Boa arma! - Grimu.
- Vamos começar a caçar! - Deiman

Desceu rapidamente a barrancada que havia naquele lugar, estava guardando o melhor para o final, assim pensava, o tempo estava feio e mais obscuro ficaria em alguns minutos.
- Outro cemitério, isto é a única coisa que eu sei fazer, mas nem ao menos sirvo para ser o coveiro que faz o seu trabalho digno enterrando e plantando algumas flores sobre os túmulos, sempre desejei um trabalho honrado, com pessoas que me aceitassem como realmente sou, mas não deu certo, nunca vai dar! é algo que eu mesmo tenho que arrumar, o meu destino... eu deixei de acreditar em qualquer coisa com mais poder do que eu mesmo, E sei que jamais poderei me esconder por tanto tempo, Em uma hora ou outra eu terei de fazer uma escolha muito grande, entre continuar na penumbra da noite ou obter o calor do sol por alguns segundos! A liberdade como um sonho final, eu a desejo, almejo a sua luz, mas terei tempo? ao invés de caçar e matar pessoas estranhas para mim eu deveria eternizar o momento em que parto deste lugar e começo uma nova vida, longe de tudo e de todos, eu poderia fazer isto, eu deveria, mas...
inspirou e continuou para si:
- Eu mesmo não quero, é engraçado para quem ouve mas não para quem conta, uma piada sem um final feliz, onde o palhaço continua no limiar da graça e desgraça, quando em qualquer momento o sonho de vida do mesmo pode se extinguir caso a piada contada não tenha uma graça, e nem um sentido!
Eu me vejo em um buraco, eu me protejo dentro dele, eu vivo dentro, e não me importa o quão solitário isso é, o desejo de matar é maior, é muito maior, eu não poderia viver uma vida repugnante como estes homens que vivem a plantar e colher, viver uma vida pacífica... que estúpido, a arte da guerra é muito grande em qualquer lugar...
- bem - suspirou - Lá vou eu de novo, e quando essa chuva cair, muito mais sangue será derramado, eu espero que isto tenha um real sentido para o balofo, eu espero.. mas tenho certeza que não tem, a morte deveria segui-lo, e tira-lo deste lugar, afinal, o poder da guerra está com ele...
Mesmo optando pelo lado que conduz a loucura, deiman tendia ser mais lúcido que os próprios doutores e juízes do mundo!
Yu-me do outro lado, tentava compreender seus amigos, e questionava a atitude dos mesmos.
- Adiar o que? que acontecimento? vocês poderiam assustar até o mais concentrado monge em seus orações, isso não faz sentido! não faz!
- BOM - ouviu-se do alto do bairro, um barulho insurdecedor, como o de uma arma, segundos depois um homem meio morto e meio vivo, desçeu o barranco e tentou gritar, mas ao invés de entregar a mensagem, caiu!
Yu-me correu até ele na tentativa de receber alguma informação, o homem sangrava muito pela cabeça, tentava dizer algo, engasgado com o próprio sangue, este havia levado um tiro, meio a sua testa, estava morto!
- morto?! como isso pode acontecer? essa marca em meio a sua testa, um tiro... droga!
Meio desesperado, meio incrédulo, yu-me logo desejou desaparecer dali mas não podia, ouviu outro tiro e um grito alto, mais uma pessoa morta?!
preciso tira-los daqui rapido, pensou yu-me ao olhar para seus amigos que ainda continuavam hipnotizados!
- RAPIDO, IZU, RAPIDO NANA, VAMOS SAIR DAQUI, RAPIDO! não há tempo, vamos... Vamos!
Yu-me tentou puxar o braço dos dois amigos, mas... Não podiam se mecher, estavam como se fossem plantados.
- Qual o problema de vocês? vamos... por favor!
- VocÊ não entende yu?! não podemos nos mecher mais... é o fim! - disse Nana apenas sorrindo para ele - VocÊ não vê onde nós estamos?
- Droga o que ela está pensando?! a chuva vem ai, e agora um assassino também, a combinação perfeita para a nossa decadÊncia está frente aos nossos olhos - então olhou para baixo, e caiu sobre terra, eles estavam meio ao rio.
- Em meio ao rio não é?! Que jeito irônico de morrer, as duas àrvores uma de cada lado, julgaram o nosso proceder, e então nós fomos golpeados pelo destino, por isso eu disse, não há tempo para desespero, nem para fugir, aqui nós morremos, aqui então deixaremos nosso legado e sonhos, pare de resistir ao tempo, de tentar fugir se debatendo entre as paredes que o cercam, faça o que tem de fazer e não hesite por nenhum segundo, a vida é totalmente importante mas a morte talvez seja muito melhor, um descanso, um recomeço para nós que vivemos sempre assim, no limiar da loucura e lucidez... pare de resistir yu - rebateu nana rapidamente!
- Se eu posso lutar, porque tenho que desistir de mim? de nós? eu posso proteger vocês, mesmo eu! um fraco, sem nenhum ponto forte, eu posso tentar, eu devo protege-los até o final, e mesmo que isto custe a minha vida, eu o farei!
Tomado de emoção gritou:
- APAREÇA! VOCÊ QUE DEU A ESTES UM NOVO RUMO, APAREÇA!
- Da Trevas nasceu um cavaleiro e este foi nomeado como o cavaleiro da destruição, muitos não quiser acreditar em sua existência, e por isso, maior foi o número de mortos naqueles dias, diz a lenda, que em qualquer lugar, qualquer ser vivo que quisesse ouvir, poderia, os gritos, clamores, e pedidos, daqueles que morriam ali, e com o sangue podre destes, o cavaleiro se banhou, e também lavou a sua armadura, o cavaleiro que carrega a morte chegou...
disse saindo da casa, onde acabara de matar mais uma família, estava com as mãos sujas de sangue, que se misturado com as gotas de chuva, completavam o preço da miséria daquele lugar!
- então foi você... foi você que matou aquele homem... - disse yu-me ainda emocionado.
- Sim! mas não só este, além deste pasto morto, além daquelas estradas, todos foram mortos, hm, eu sinto muito crianças, mas o que sobrou aqui com vida, foram vocês três, o último deles, teve uma bala incravada em seu crânio, e eu temo que você tenha o visto morrer! ele corria e dizia:
- Preciso avisar, preciso salvar - disse com uma voz fina, zombando do morto que tentou por tudo, salvar a vida daqueles que ainda estavam ali - HAHAHAHAHA...
- Como ousa dizer uma coisa dessas? como ousa rir de uma pessoa que mesmo após a morte, tentou proteger outras pessoas?
- A culpa não é minha! a ordem não veio de mim, culpe o gordo que está lá encima, foi ele que desejou isso, quando vocês estiverem nó céu, ou inferno, peçam a deus ou ao diabo, para julga-lo da maneira mais correta e não se esqueçam de mim... esperem... nem o céu nem o inferno... existem! Perdoem-me garotos, mas vocês vão para debaixo do chão, e de lá não existe escapatória, quero me desculpar por não poder enterra-los, se eu continuar aqui por muito tempo, poderei ser preso de novo! e isso seria problematico!
Yu-me correu até os dois amigos, e esteve de frente para o homem que continuava a debochar do último morto, para ele tudo não passou de uma grande brincadeira, uma piada que teria um fim terrivel naqueles próximos segundos!
- Saia da frente pivete, ou você vai morrer primeiro... eu não me importo com a ordem de mortos, mas você me parecia tão.. tão... como posso dizer...
Yu-me encarou os dois amigos, uma vez mais, eles continuavam da mesma forma, sem o brilho de seus olhos.
O homem por sua vez, cansado de falar, apontou a arma para Izu, e então, retirou do bolso mais uma arma apontando-a para Nana..
- Dois contra um, hehe, como você fará para ser o saco de pancadas? você só tem um corpo!
- Por favor, mate-me... - disse yu-me ajoelhado - mate-me, mas por favor deixe que eles vivam, Eu nunca desejei isto para eles, eu nunca pensei que teriamos de passar por isto, eles nasceram com o dom da inteligência e beleza, diferente de mim, eles são gênios, que merecem viver todos os dias da terra e mais além, não há motivo para desaparecerem assim, sem dúvidas, MATE-ME, EU IMPLORO...
Se com a minha vida eu puder protege-los, assim o farei - repetiu para si, lembrando do que havia dito pouco tempo atrás, lembrando dos momentos bons e calmos que os três tiveram em suas vidas - Todos estes anos vivemos juntos como uma família, nós construimos muitos castelos, mas parece que fui tudo em vão, nossos castelos construidos em areia, eu não posso deixar isso acontecer!
levantou-se novamente, e abriu os braços encarando o atirador pronto a receber os tiros!
- atire em mim, deixe-os, eles não merecem essa desgraça para o seu futuro! Os dois merecem mais do que isso, muito mais...
Um raio caiu sobre a terra naquele instantante, e então...
- O que está acontecendo? Porque esse homem tem estas armas apontadas para nós? - disse Izu
- HAHAHA, então vocÊs acordaram desse sono, enquanto murmuravam palavras como zumbis, este moleque tentou salvar as suas vidas, até implorou para que eu o matasse, mas eu ainda não decidi! de fato a garota é muito bonita, mas é jovem demais, deverá morrer, assim o sofrimento de vocês acabará, carregar um fardo assim... comovente!
- Eu já entendi... eu devo me sacrificar para salva-los, este é o meu destino - começou Nana, estava visivelmente emocionada, ela entendia o que o destino havia revelado para o seu caminho
Dizendo isto, entrou na frente dos garotos e abriu os braços da mesma força que yu-me havia feito em outrora;
- hmmm - deiman.

A chuva agora livre, corria pelo mundo, ou melhor caía, o vento forte uivava, Ainda paralizada Nana deu início a uma canção funebre, que a muitos faria chorar se pudessem ouvir.


Longos são os dias, e mais extensas as noites
No limiar do tempo a vida se esvai
A vida se esvai e não me deixa escolha
Entre os grandes cavalos e grandes cavaleiros
Uma fenix renascerá entre as cinzas de minha insegurança
E mesmo definhado poderei encontrar o meu caminho
De volta para os braços de meus antepassados
Chorou o céu, lágrimas que compõe a minha melodia
E acompanham o meu sorriso e meu desdem para com este mundo
Como em nuvens de ouro e ventos de diamantes
Um grande dia para repousar um corpo Já perdido em horas
A marcha funebre carregada pelo vento e chuva
Continuará por estes tempos
Até que tudo termine em salvação ou destruição
E da casa de meu pai, eu me lembrarei em todos os dias de minha liberdade
Estarei para recordar
A última marcha dos homens.

- Se eu fosse como a chuva que por alguns segundos consegue unir o céu e a terra yu-me você seria o céu, e Izu a terra! e então poderiamos viver assim, sempre juntos, cantando alegremente e sorrindo além de tudo, sob todas as tardes, sob todo o inverno, jamais estariamos sós, eu... eu... Eu agora entendo o sentido de tudo! O que passamos, o que sentimos, porque vivemos nesta batalha que jamais tem um fim! Sob toda as lágrimas existe uma memória boa ou ruim, nós fizemos isto, assim como imaginamos, e sentimos a dor que isto nos traz, a cada dia passado eu sinto o mundo comprimido, com lágrimas também escondidas em seus olhos, em uma conversa silênciosa com a vida, eu entendi...
- todas as flores aqui plantadas lutam o tempo todo para sobreviver, assim como nós! A natureza nos obriga a forçar escolhas, e em qualquer lugar a morte também poderá ser aceita assim, quando uma pessoa desaparece uma outra toma o seu lugar, a seleção natural que compõe o nosso universo nos diz isto, e em qualquer lugar, mesmo aquela pessoa que foi substituida tem o seu espaço na mente e coração de todos os que viveram e puderam ve-la em sua juventude e boa forma, sempre existirá uma memória boa de alguém! Mesmo este sendo ruim o bastante para ser odiado todos nós em alguma parte de nossas vidas manteremos memórias felizes para as pessoas!
- todas as noites ao olhar para o céu, eu peço que ele me liberte e que faça de meu corpo o seu corpo, e nas constelações uma estrela com meu nome e desejo, pois quando o tempo for chegado e eu me perder em escuridão meu querido espirito desfalecerá assim como a casca que carrego comigo quero apenas olhar por vocês, e sentir o calor de seus espiritos e corpos, quero vigia-los para que nada de ruim possa acontecer e avisar quando a dor estiver por perto! Eu desejo me tornar uma parte de vocês, assim como vocÊs são uma parte de mim, e retribuir tudo o que todos tem feito por mim, em um mar de felicidade quero eu coloca-los para navegar e para um horizonte distante destino a uma grande praia branca, onde as flores e frutos são mais belos e vivos, e a vida tem um grande valor, diferente daqui e diferente de qualquer outro lugar!
- Quando a chuva cai, quando o vento sopra, o fogo queima numa lareira, o fogo trás memórias frescas e secas, o fogo irá curar a ferida que o tempo por ventura irá deixar em vocês! o vento amaciará e manterá a chama acesa e então vocês estarão mais vivos e formosos, assim como em um dia qualquer estiverão! e a vida não deixará de existir em nenhum dos lados!
- A terra gigante como é, poderosa e amavel, de tanto sonhar... almeja chegar até o céu com suas construções, mas dominada pelo desejo maior de explorar o que ainda há de existir, com muitos dilemas ela ainda deseja viver mais, muito mais, procurando a cada momento uma novo quebra-cabeça, a terra é coberta da razão e do conhecimento, da cura e do poder de junção entre seus membros, a união faz desta a mais extrovertida não é Izu?!
- O céu poderoso é inexplicavel e também convidativo, todos os seus segredos, todos os seus desejos, levam o mundo a crêr que ele tem a mágica de mudar o destino da humanidade e livra-los de todo o mal, o céu é lindo e forte, e é onde a maioria das pessoas desejam estar, sendo assim, o céu também é amavel e paciente, pois espera a vinda das pequenas pessoas até ele, voando com suas próprias asas e cantando a canção da liberdade, o céu é como você Yu-me, o céu é livre!
- o céu é livre...

Izu também entrou na frente de Yu-me, para terminar de fazer a proteção, Salvar o amigo era o legado de sua vida, o seu destino agora brilhava como ouro frente aos olhos de quem desejasse ver, Provando que dos homens também foi criada a confiança e honra, mesmo diante da morte, jamais voltar atrás!

- Bem Nana, se você é a chuva, e o yu-me o céu, eu devo proteger o céu com toda a minha força
- Izu QUANTA BESTEIRA VOCÊ ESTÁ FALANDO, PARA COM ISSO, SAI DA FRENTE, Sou eu quem deve morrer... sou eu! - Yu-me tremia, mais de ódio que de medo, tudo tão confuso, tão estranho, o mundo era cruel demais para continuar com a sua mera existência.
- Tisc, você é burro?!- parou. - isto Já foi determinado, tudo está nos conformes, a liberdade só é dada aos mais altos e nobres do reino, e você é ele, somente você deve continuar, eu acredito yu de todo o meu coração, você é um homem que pode mudar muitas das coisas que hoje vemos e sentimos, esta miséria, a dor, estas doenças, este caminho que o mundo procura, mude-o, e se não conseguir destrua o mundo com tudo dentro, mas não deixe-o a mingua, procure por algo em que o seu coração se alegre, e se torne um grande homem, assim como já é, assim como sempre foi, não confunda estas lágrimas de alegria e gratificação, com lágrimas de desespero e dor, não são iguais, nunca serão! eu estou feliz
- feliz? ...
- feliz! eu poderei me juntar as estrelas, e nunca deixarei você sozinho yu-me, nunca!
- idiota se você morrer... eu... se vocês morrerem eu não terei mais um sentido pra viver, todo este tempo nós vivemos juntos, viajamos juntos, cantamos, passamos pelas infelicidades, mas... continuamos juntos, isto sim é real! a morte...
- Yu, a morte, é um passo a frente da liberdade, apenas isto! a liberdade total para mim, no tempo onde eu posso coordenar, e em qualquer estrela me deitar, você tem que viver!
O assassino já estava encabulado, irritado, desgastado, somando tudo aquilo o seu desejo era de voltar para sua casa, ao invés de ver aquela cena deploravel, de três dividindo o sonho de um, o sonho da vida! onde todos protegiam os seus companheiros!
- Já terminaram?
- BOOM BOOM(tiros) - sem esperar respostas, atirou três, quatro, cinco vezes nos garotos, o sangue jorrou em seu rosto, o tiros foram a queima roupa, o trabalho estava quase completado!
Os tiros foram certeiros, cada coração receberá 2 tiros, o último acertou yu-me, em seu peito, porém não o feriu aponto de derruba-lo, yu-me continou de pé, apenas observando a cena, sem espaço para questões, sem tempo para nada, apenas a derrota...
- desculpa yu-me eu não pude segurar o último tiro - sussurou Izu - coff...cofff... me desculpa...
- Lá..do.. outro lado onde tudo é paz, o mundo não sucumbirá Yu-me, tente chegar ao outro lado desta vida, tente encontrar o sentido para a sua existência assim como nós conseguimos, sei que conseguirá... adeus!
- nana... izu... nana... izu... não pode ser...
- confira você mesmo garoto, veja o sangue que escorre do seu machucado, é de mentira?! esta é a verdade do mundo, onde o fraco é humilhado e dominado pelo forte, uma vez mais, você deveria entender, afinal você é o próximo!
Yu-me não deu atenção ao homem, que se aproximava, continuou fixando seu olhar e pensamento aos dois amigos caidos, deiman percebendo a fraqueza de yu-me, segurou-o pelo cabelo mas viu que o garoto não resistira, e então decidiu brincar um pouco, socou a sua cabeça até o sangue escorrer, chutou o seu estômago fazendo com que ele voasse para longe de seus amigos, continou a brincar assim, por muito tempo.
- É assim que vocÊ deve morrer garoto, é assim que um traidor como vocÊ, que não levantou a mão contra o assassino que levou a vida de sseus dois melhores amigos, eles erão a sua vida não é?! porque você desistiu deles assim, porque você não os salvou, ham? você tem alguma idéia melhor agora? eles morreram para protege-lo, mas agora... até mesmo o sobrevivente irá cair diante do meu poder, da minha grandeza e pureza, hoje... deves guardar estas palavras, o massacre começou com apenas 1 minuto de atraso, o homem que me contratou não gosta de trabalhos demorados, e eu tenho apenas mais 1 minuto para terminar, então que seja agora ou nunca mais, Yu-me todo ensaguentado como estava não apresentava qualquer vontade de segurar o ataque do mesmo, o homem tornou socar o seu rosto e agora pisava em sua garganta.
- patético, o seu fim é patético! TODOS OS FRACOS SÃO ASSIM, isso me revolta, esse olhar de cachorro sem dono, esse jeito de "tudo acabou pra mim", isso tudo, argh - deiman estava muito irritado, viu no rosto do garoto o mesmo desdem que via em faces conhecidas, yu-me estava apenas ignorando-o, e isso foi o estopim, a bomba acabará de explodir e o desejo de sangue aumentara - TUDO BEM GAROTO, tudo bem, hahaha, tenho que parabeniza-lo, você é um dos que me ignoraram, e que vão morrer pelas minhas mãos, hahaha, eu não vou usar mais nenhuma arma, as balas da minha pistola se forão, e eu não posso usar outra arma em vocês, é quase um pecado, estragar munição com ratos, bem... então...
Decidiu terminar de falar enquanto retirava um punhal de seu bolso, sua feição enlouquecida agora misturava-se com a chuva que caia fortemente.
- É AGORA PIVETE... é agora...
- Izu... levanta eu sei que você pode, você não morreu, eu posso sentir, por favor izu, Nana, volte a vida, eu não entendo, não me deixem aqui - pediu yu-me que agora estava longe dos amigos, voltou caminhando até eles, devagar o buraco da bala doía muito, e os socos e chutes também fizeram com que este dimuisse seus passos, o homem enfurecido corria em sua direção armado do punhal, uma última vez...atacou...



- Dói... Eu não pude ver o que se passou, estive mergulhado em pensamentos, eu os perdi, ah... - disse suspirando - dói, Izu, Nana, porque vocês fizeram isso, o meu destino, a minha missão, foi arruinada, vocês se foram
ARGH - Vomitou sangue, uma grande poça estava se fazendo no chão - meus braços não se mechem, eu não sinto minhas pernas, tisc... eu também perdi!
Deiman viu o seu trabalho completado e sabia que o rapaz cairia depois de alguns segundos, então tomou o rumo de volta para o carro, não importava a ele o modo que o jovem morreria, e nem adiantava ouvir o lamento do mesmo, tudo estava acabado, tudo.
- Adeus bom garoto, um dia... quando eu estiver perto do inferno, pedirei perdão pelos mortos que fiz, e se eu for aceito pretendo encontra-lo e me desculpar pessoalmente, mas agora... você deve morrer!
Deiman desapareceu na chuva, deixando tudo para trás, desde a arma descarregada até a sua própria paz.
- um assassino que mostrava ter sentimentos quase uma piada- pensou ele - A culpa é minha por ter matado todos estes, mas Grimu também tem parte, e se algo acontecer garotos... o dia do julgamento estará mais perto para nós! Adeus!
Yu-me sentia a dor desaparecer pelo corpo, quando o machucado é muito grande o corpo começa a anestesiar o sofrimento, para que aquele que vá cair, não sinta tanto e possa ao menos esperar pela morte.
- Mexa-se.. vamos... pernas... braços...
Com todo o esforço imposto yu-me conseguiu a proeza de se levantar, devagar deu o primeiro passo, devagar foi tomando um pequeno rumo, chegando até onde os seus amigos estavam...
tocou-os...
- ... vocês estão muito gelados - disse enquanto as lágrimas corriam sobre o seu rosto ensaguentado - vocês se foram... e eu não pude me despedir...
Yu-me se ajoelhou perto de Izu e Nana e reparou que ambos tinham sorrisos em suas faces, sorrisos de satisfação, haviam comprido o seu destino e decidiram reencostar suas cabeças no chão e deixar o tempo guiar os seus passos sob todas as coisas!
- ah... Não há palavras para explicar este momento, eu não pude fazer nada mas no final também pretendo me unir a vocês, sabe... eu agora... estou machucado... mortalmente machucado, disse olhando para o punhal.
Deiman havia transpassado o punhal em seu coração e os últimos segundos chegaram para ele, pensou em gritar mas não tinha força, a chuva também retirou dele os últimos momentos de energia, decidiu então cantar a última canção de seu tempo, em homenagem aos amigos e irmãos, em homenagem a confiança!

Mares de ilusão tomaram de mim os meus últimos suspiros
Emergindo das trevas continuarei com meus pequenos passos
E diante de meus amores reencostarei a minha cabeça
Em um dia onde tudo se esvai
Eu permaneço de pé para homenagear os meus últimos segundos de paz
e tudo...s..se...

Fez-se silêncio absoluto, o fim vem, o fim veio:
- tum...tum.....tum.....TUM... - fez o seu coração uma última vez, as batidas que estavam cada vez mais fracas, deram lugar a uma última, que ali encerrava o ciclo de sua vida...
Sabendo o que aquilo significava, retirou o punhal do peito e colocou-o ao lado da arma caida, terminando de fazer este esforço, deitou-se também ao lado de seus amigos, e por fim resmungou:
- Feliz aniversário Nana e Izu, meus parabéns, eu queria poder homenagea-los mas não tenho forças... eu espero encontrar com vocês no final de todas as coisas, A...D...E...U...S
tombou com sua mente e corpo, a chuva continuava ali, o vento também, o sangue corria pelo campo e tingia a grama com o seu poderoso vermelho, tudo terminou ali.
- ...


Data de morte: 03 de Maio de um ano qualquer.

"O céu, a chuva, e a terra, pareciam agora unidos para sempre, em um ciclo que jamais terá fim, em um único momento de paz, este mundo ainda terá o seu próprio brilho".
Novas flores irão brotar e mesmo em tempos tão tenebrosos, sobreviveram.




Tsuki-yomi

domingo, 22 de novembro de 2009

Capítulo 2 "Sonhos alimentados pelo desespero".

- Este é o meu pai...
de dentro da casa, ouviu-se uma voz, ecoando silenciosamente no poço da agonia.
-CORAÇÃO...
-... Pulmão..
- Rins...olhos...língua.. O que eu devo retirar primeiro deste que na porta se encontra? Quem será a próxima vítima? homem ou mulher? hm, sinto seu cheiro, sinto o cheiro de seu medo, vem de encontro a mim e me alimenta, o odor do seu desespero me faz forte!
- com a guerra aproximada, eu posso fazer o que me convier, mesmo sem ordens, mesmo que isso não faça nenhum sentido no fim, agora o divertimento começará, a guerra é província dos homens, e a morte é senão o prêmio de todo o sofrimento, a coroa dos pobres é feita de madeira e aço enferrujado, sem ouro sem adornos, e o que todos vêem neste mundo, o que todos sentem, desaparece no momento da sua partida, eu espero que todos aqueles que foram aqui sacrificados encontrem um caminho para o perdão e redenção...
- por que eu...HAHAHAHAHAHA - um riso maléfico fez a casa tremer, tudo estava silencioso, até demais.
- eu não perdoarei nenhum destes, SANGUE É O QUE DESEJO ESTA NOITE!
- desde o início da era dos homens, a luta sempre foi a evidencia mais clara de provar quem deve e quem não deve governar o mundo, desde sempre, o forte dominou o fraco, desde sempre a justiça foi provada e aprovada pela mão do mais poderoso homem, Neste mundo existe apenas uma lei, ou melhor um conselho para todos os homens, e este pode ser resumido em "Mate, ou seja morto". Todos poderão desejar sobreviver, mas só os fortes de espírito o realizarão este desejo, aqueles que querem viver, devem se tornar fortes, devem sentir o puro desejo da morte em seu coração, e provar do sangue de amigos e inimigos..
verdadeiramente amizade não é algo que exista neste mundo, hehehe, todos os homens pregam os mesmos ensinamentos neste mundo, não importando onde você esteja, eles dizem que o que ensinam são princípios de paz, e que isto é a forma de transformar o ser humano, de mal para bom, desde as crianças até os velhos, escutam e aprendem destes princípios, e na maioria das vezes, pregam também, assim que aprendem qualquer coisa, a divulgam... a natureza humana é com toda a certeza, desprezível...
mesmo dizendo isto, mesmo pregando, mesmo indo aos lugares onde a miséria de espírito habita, poucos destes são puros, pode se dizer que quase nenhum... em outras palavras... a salvação pregada, a paz, o amor ao próximo, é apenas uma maneira de envenenar o coração e deixa-lo vulnerável a ponto de ser controlado, e assim, amarrado em uma corrente de bronze, de onde jamais sairá!
este talvez seja um bom conceito, uma boa explicação não é? HAHAHA
-POREM...
A noite calma de outrora, não existia mais, o vento agora soprava forte, as arvores pareciam conversar entre si, e o mundo, entendia que o caos estava em seu início!
POREM não é bem assim. dentro de nossos corações, somos humanos colocamos nosso instinto de sobrevivência sempre a frente de qualquer coisa, de nossos amores, e amigos, para nós, o que importa realmente, é a vida, e para isso, tudo pode ser feito!
Mesmo dentro do coração daquele que prega à paz, existe um canto de escuridão que cresce quieto, para obter força, e devida as circunstançias acaba despertando, e assim, o instinto humano floresce, humanos sem nenhuma exceção, buscam por guerra, pois sabem que a única maneira de se conseguir paz, é a própria destruição, paz momentânea eu diria, mas sequer se importam com isso, hahahaha, eles podem tentar demonstrar o amor pelo mundo, mas por dentro, estão corroendo as grades que guardam o mundo, rasgando a cortina que separa a vida e morte, cuspindo nomes de demônios destruidores de lares e almejando um poder maior! para nós, pouco importa se existe um motivo para a luta ou não! se existem vidas para dominar, nós estaremos vivos, mataremos, roubaremos, beberemos do sangue inocente, e então...
-Ficaremos satisfeitos por alguns segundos, após isto, procuraremos mais, buscaremos por mais riquezas, mais morte, mais dor...
- O alívio que me traz a morte de uma pessoa desconhecida, é de valor inestimado e incalculável, enquanto eu estiver vivo, eu os matarei, para meu próprio bem, para o alívio da minha dor!

Dor...
Fúria...
agonia...
Tristeza...
Vazio.. tudo isto obteve uma fusão dentro do coração e espírito.Tudo aquilo que o homem havia dito, Yu-me também sentira, e isto fez com ele sentisse uma grande vertigem, a perca total dos sentidos não demoraria a chegar, algo queimava forte e com uma sede insaciável dentro de ser próprio ser, a medida em que aquilo aumentava,as vertigens seguiam mais fortes, até perceber que o seu subconsciente havia dominado-o de vez, e desta forma a segunda personalidade acordou finalmente.
- Por anos e anos eu estive dormindo dentro de você, por anos eu esperei para sair e respirar o ar deste mundo, e agora, quando consigo me libertar, me deparo com esta cena, deplorável, o velho sacrificou a vida para proteger algo ou alguém não é?! eu creio que também entenda o que ele protegeu em vida, e o que protegeu mais ainda em morte, no silêncio da escuridão, ele não temeu a morte, mesmo frente a seus olhos, o seu nome foi certamente gravado nas estrelas e sua constelação logo aparecerá para todos os que estiveram com seus olhos ao céu, e a força mostrará para todos que ainda existem homens no mundo, homens de verdade!-Este ar... carregado de tristeza e maldade, os homens fizeram isto, Yu-me, você mesmo sabe, entende melhor que ninguém, todo o tempo eu tentei lhe explicar, todo o tempo eu tentei mover Você deste lugar, mas... uma outra vez fez questão de ignorar as minhas dicas ou conselhos, entenda com lhe convier melhor, afinal, a culpa é toda sua...
- não! a culpa também é minha, já que eu também sou você, eu também...
vertigens mais fortes, um jato de vomito, e dali, um grande tombo sobre a entrada da casa, para a sua infelicidade, caira ao lado da cabeça de seu pai, entre as visões depressivas que estava tendo ali, observou atentamente o rosto de seu agora falecido pai, o rosto cansado e envelhecido pelo tempo!
- ai esta! aquele que você deveria proteger, mas foi ao contrario, você fez o certo para a lei dos homens, eles sempre fizeram isto, salve a si mesmo, e depois pense nos sobreviventes, ame a si mesmo, lute por você, viva por você, enquanto Você existir a vida será bela, não importa o quanto eles sofreram pela sua existência, não importa quantos laços sejam destruídos pela sua ambição, tudo terá que ser feito a idéia de um mundo perfeito, e não importa o caminho e nem o tempo que isso leve, a herança dos homens é a guerra e a morte, foi dada por antepassados e assim o mundo sucumbirá, para eles Você serve com toda a certeza, para eles o que aconteceu aqui é apenas mais um, dos que virão...
- você realmente teria feito o que este homem pregou, e seguindo a lei da existência, seguindo o mundo neste barco de destruição...
- ...mas as lágrimas que correm em seu rosto, posso senti-las, elas são lágrimas de amargura, peso, e vazio, E nem se este que vocês fala sentisse esta dor a cem anos atrás, poderia agora, no presente explica-la, estas são as verdadeiras lágrimas, as lágrimas de dor.. - disse dentro de si, a segunda personalidade, também tinha um espaço reservado, também controlava o corpo, e fazia como bem entendesse, estava viva e servia de segunda voz para yu-me em decisões estranhas e difíceis, despertava e o ajudava, embora estivesse dormindo a alguns anos!
Yu-me a chamava de Akumu , pois vinha nas noites mais estranhas e aterrorizantes de yu-me, para dar a sua opinião e também escolha.
e em noites calmas repousava sua mente!



Capítulo. 2 "Sonhos alimentados pelo desespero"


Cidade de Azetsirt.
o lugar mais pobre do grande País, esta cidade, foi esquecida pelos seus antepassados, e sendo assim foi dada como morta.
Porem dentro desta, existiam pessoas e obviamente, sonhos, metas e desejos, dentro de cada pequeno ou grande cidadão, que buscava alimento e um sentido para tudo no mundo, habitava um sonho, que era rodeado por dificuldades e tristezas, a morte de cada companheiro, a fome, a falta de cuidados, crianças sem tonalidades em seu rosto, uma cidade devastada e ao mesmo tempo, abençoada pelo "confiança e amizade", dadas como inexistentes nas cidades e grandes Paises, e assim viviam, e assim morriam todos estes..
Dois garotos e uma garota, discutiam, ou apenas jogavam palavras para o ar, sobre seus sonhos, sobre suas metas e desejos
num tom mais alto que o normal, o primeiro deu início ao assunto precioso de todos os dias:
- HEI, EU QUERO ME TORNAR UM GRANDE HOMEM! -disse animado, enquanto estavam sentados sobre a grama olhando as nuvens e o dia passar.
- quero ganhar todo o dinheiro que o mundo pode oferecer! e quero que todos respeitem o meu nome, e em todo lugar quero ser reconhecido pelos meus feitos e conquistas! Este sou eu, este é o meu desejo, e assim, eu devo seguir! - disse uma criança, mirrada e contente, aquelas palavras aumentavam a sua estima, e o faziam sonhar, afinal, em tempos de destruição e pobreza, as pessoas deveriam ao menos sonhar, ou continuar a sofrer e lamentar-se até a morte.
- Yu-me! - disse o mesmo garoto - o que você deseja para a sua vida? afinal, todos nós aqui somos pobres e não temos o mesmo poder de escolha que aqueles garotos ricos, que em cidades grandes vivem e em cidades grandes se tornam reis tem, você também tem um sonho não é? - disse ele, se aproximando de yu-me, até encostar a mão em seu ombro, sua feição, a mesma de qualquer criança que passa por necessidades, estava pouco corada, e ali yu-me viu a fraqueza humana em toda a sua essência
- Yu-me, você é diferente né? - dizia uma garota no momento efusiva, com um grande sorriso.
- HMMMM, está me fazendo de idiota não é nana? - disse o garoto agora virado para a menina, sorrindo - todos sabem que nós, temos grandes sonhos e metas, e ganhar dinheiro para comprar um mundo melhor é a nossa meta, quem sabe, um grande pote de doces também, em, em, em! Não seria legal se todos tivéssemos muita comida para todos os dias? pode falar yu-me, eu sei que você deseja alguma coisa, dentro de você, por mais obscuro e incerto que o mundo seja.. existem coisas que não devem ser entendidas, e existem coisas que devem ser esquecidas, para que o sofrimento seja amenizado. - sorriu.
- era o que o meu pai dizia para mim, eu não entendo muito bem, ainda! mas eu tenho que entender, eu devo entender, esta lição é o que eu devo aprender em todo o tempo da minha vida!
- Izu! - disse Nana espantada com tamanha declaração de um amigo tão pequeno e inocente - Você realmente vai ser alguém poderoso não é? - fez com que Izu corasse - Mas você tem muito o que aprender, todos temos, e os desejos do mundo, não são em todos os momentos corretos, nós aprenderemos isto juntos, nós sempre estivemos juntos não é?
- "A"! (lê-se "sim")
- Eu também quero me tornar alguém num futuro distante, Izu, nana, eu também quero me encontrar um dia! mas...eu...não tenho...
- Son...hos! em todos estes anos, o que nós vimos aqui foi o crescimento da pobreza, você está certo Izu quando diz que nós não temos a mesma chance daqueles que nascem nas cidades grandes, eles são criados do jeito correto, eles são reconhecidos pelas suas conquistas, mas...não adianta, são mundos totalmente diferentes, aqui e lá, a fome e a fartura, nós, aqui, fortalecemos nosso espírito, vimos de toda a desgraça a maior, a morte de nossos companheiros, e mesmo aqui, neste chão, verde e vivo, repousam corpos e desgraças para quem quiser ver ou ouvir estórias, não somos tão poderosos e fortes quanto pensávamos que éramos! o sol não nasce mais para aqueles que vivem na miséria, e a antipatia de um mundo sem raízes, nos envolveu! olhem para isto, aqui é onde a morte habita, e aqui é onde nós deveríamos nos deitar!
porém, resistimos não é?! isso é bom! - disse yu-me - nós provamos que ainda existem pessoas que desejam sobreviver, e os meios para isso são irrelevantes, mesmo numa sepultura, nós estaríamos vivos, pois o nosso coração pede e segue o caminho dos vivos!
- EU espero que as folhas não caiam neste outono, dando vida para aqueles que não tem, e esperanças para aqueles que estão conosco, a dança das flores deve permanecer além da primavera, a felicidade voltará para os seus procuradores eu tenho certeza!

Nenhuma flor cairá neste outono sem que nós não possamos ver
nenhuma flor deixará de existir enquanto estivermos aqui
e assim será, até o fim, e assim se fará completar
o destino daqueles que esquecidos pelo tempo foram!

- VEJAM, O POR DO SOL, MAIS UMA VEZ CHEGOU!- Nana.
-A, um pôr-do-sol cada vez mais belo, enfeitado pelas flores e folhas ainda vivas, existe uma coisa que nós temos, que aqueles que vivem na cidade e em grandes centros, não tem! e esta, é a mais valiosa coisa que o homem pode ter e desejar, o seu valor é inestimável em qualquer lugar deste mundo!
- e o que é nana? - Izu.
- O tempo!

uma revoada de pássaros que sobrevoava por ali, cantava com grande orgulho, a chegada do crepúsculo, a morte do dia se aproximava, e naquela quietude, os três passaram a observar, de onde estavam o horizonte distante e convidativo!
- PIUUUUUUU - não exatamente.
uma pena pairou sobre eles, uma pena dourada!
- IZU, NANA, eu quero viver ao lado de vocês, morrer ao lado de vocês, nós vamos nos tornar eternos, ao menos para nós três, não é?! - yu-me.
- CLARO!
- SIIIIM!!! - disse Nana e um Izu alegre e emocionado com a declaração, yu-me não era de se abrir assim tão fácil, neste momento, Izu e Nana perceberam o quão valiosos eram para yu-me, e o mesmo, soube que também era precioso para eles.
- sempre juntos!- Yu-me, Izu, Nana.

- POR FAVOOOOOOR, SOL, VENTO, ÀGUA, Fogo, TERRA.
- POR FAVOR, DEUSES DO VENTO.
- POR FAVOOR PASSAROS, CÃES, GATOS.
- POR FAVOR, NOS DEIXEM OBSERVAR MAIS UMA VEZ ESTE CREPÚSCULO, MAIS UMA VEZ...
-... Até o fim das nossas vidas!

Por mais solitário que estivessem em suas antigas vidas, aqui encontraram uma amizade verdadeira e sem limites, por serem pobres, os pais na maioria das vezes morriam para salvar os pupilos, para alimentá-los e dar uma nova expectativa de vida, davam suas vidas em troca de um pedaço de pão, fruta, ou qualquer coisa que lhes dessem alguma força e certeza de sobrevivência, trabalhavam arduamente até que o sono da morte os encontrasse no campo, ou no leito de suas destruídas e miseráveis casas!
- Se é que aquelas cabanas que vocês vivem podem ser chamadas de casas - disse um político que estava de passagem a cidade, em uma propaganda política que consistia em recolher o maior número de votos, com algumas mentiras usadas habitualmente, após a eleição do mesmo, jamais voltaria a aparecer, aquilo se repetia por anos e anos, e a cidade apenas seguia destruída e sem recursos.
- você diz que nossas casas não são realmente casas, mas, não importa para nós o material usado, nem as luzes que os ricos tem, muito menos uma bela fachada frente a casa, decorando-a e a deixando uma vez mais bela, para se comparar e dizer, "a minha casa é a mais bela"... Uma casa só tem valor se existir alguém dentro dela, a minha casa é a minha família, onde eu posso retornar e conversar e abraça-los, um lugar para repousar as minhas dores e ser consolado de tudo - disse um cidadão que estava por ali e ouviu o político debochar!
- hahahahahahaha meu jovem, Você tem muito que aprender! - disse ironicamente. - sem bens materiais os homens não são nada, são apenas isto que vocês são.. se o homem não tem nada a oferecer, nenhum ouro ou jóia, dinheiro ou uma CASA, ele é esquecido, qual é o sentido da vida se você não pode comprar ou vender? Viver plantando num solo destruído, sem minerais, com dinheiro eu poderia comprar para você, para ajudá-lo, e a água? Eu poderia aplicar aqui as novas técnicas, a urbanização aqui cairia como uma luva... Com meu dinheiro poderia comprar algumas coisas novas para armazenar a água... Chamamo-las de encanamentos, chuveiros, caixas de água, e muito mais, mas você não quer não é você acha que o dinheiro não é tudo, e que cultivar uma terra morta, é muito prazeroso.
Diga-me garoto, quando foi a última vez que sentiu o gosto do morango em seus lábios rachados pelo calor? Quando foi a última vez que você vestiu uma roupa que não foi usada a mais de cinco anos? Quando foi que você recebeu um presente de uma pessoa amada? HAHAHA, não me faça rir MOLEQUE!
a sujeira do seu povo será levada! Vocês serão enterrados como indigentes, e mesmo após a morte, não terão nenhuma condecoração sequer, esquecida! hoje e sempre!

- Vocês são todos iguais, todos... - disse o jovem, afastando-se do político, que agora fumava um grande charuto fedegoso e caro!
- HAHAHA, onde está a sua resposta jovem "mestre"?! porque agora tens medo de me responder, sabe que eu estou certo não é, ótimo, saiba que eu estudei três vezes mais que todos vocês, passei minha juventude concentrado nos livros que me fariam ser alguém, diferente de vocês, eu tive uma boca educação e sabia respeitar os meus superiores, eu aprendi a jogar, e as cartas foram mais uma vez viradas para mim, com boas intenções eu vim, mesmo não podendo cumprir aos seus pedidos no ano passado, desta vez será diferente, Você sabe disso, eu estou realmente preocupado com vocês, eu sempre estive! SERÁ QUE ESTÃO LOUCOS? SERÁ QUE SE ESQUECERAM DAS MINHAS PROMESSAS?

Izu que ouvia atentamente o político estava ofendido, e mesmo com pedidos de nana, e de yu-me, levantou-se e foi confrontar o grande e gordo homem! que ria de tudo e todos!
- Vocês SÓ TÊM UMA SALVAÇÃO, E ESTA SOU EU! Acreditem em mim! eu estou aqui salvar suas vidas!
- Diz isso como se fosse algum Deus, ou homem de grande poder no mundo não é, mas não passas de um homem gordo que ao invés de aplicar a justiça no mundo dos homens, apenas contribuí com a desgraça e crimes, todos nós aqui sabemos o quanto vocÊ é interessado em nossos corpos podres, e que jamais nos ajudará, pois, tudo o que quer são votos, se nós vivemos ou morremos jamais saberá dizer, mas enquanto os nossos dedos se mechem e nos podemos nos rastejar até as maquinas, você vem aqui e implora o voto!
Comprando pessoas o tempo todo, para conseguir poder, dinheiro e tudo mais, e onde foi parar a sua honra? plantando mentiras e colhendo aquilo que bem deseja, és astuto, soberano nesta cidade, sabe que o que lhe melhor convier pode ser feito, mas não faz...
A ANOS E ANOS, esta cidade tem esperado uma luz do seu mundo, senhor engravatado, e também...
- a anos nós deixamos de acreditar em vocês! metade deste lugar sonha e acredita que a justiça ainda existe e que nós seremos coroados, com qualquer coisa, a outra metade, com razão perdeu a esperança em você e seus companheiros, não existem cantos aqui senhor, não existem história de grandes homens, aqui, só habita a morte, e num lugar onde a morte paira, só os mortos podem residir, volte a sua casa, tome um pouco da sua àgua, pois foi muito cansativo o que você disse, mentindo assim o tempo todo, ficará desidratado e poderá morrer, quando um homem mente a sua mão treme, mas quando ele se acostuma com isso, apenas o seu rosto pode denuncia-lo, o rosto de um comendador, este é o seu! Por ter estudado demais, o mundo o destruiu não é? você se apegou apenas no desejo de ter, mas nunca deu nada em troca, uma troca equivalente deveria ser feita aqui, mas... como estava em seus conformes, você vencerá novamente!
enganando, induzindo, torturando... é isso!
- GRRRR- rugiu o velho gordo - MOLEQUE, eu já disse, se vocês desejam suprir esta terra, e fazer deste lugar algo melhor devem acreditar em minhas palavras! pois só assim saíram deste mundo de fome e tristeza!
- Como eu disse a você velho, existem dois grupos aqui nestas terras, e eu faço parte daqueles que não acreditam em suas palavras, vá,roube em seu trabalho, volte para a sua "casa" coma e beba,beije seus filhos ao anoitecer,minta para a sua mulher quando ela perguntar como foi o seu dia, deite-se em sua cama e durma, acorde sem nenhuma culpa em seu coração ou mente, isso é o que vocês fazem de melhor não é?!
NENHUM POLÍTICO SABE O QUANTO ESTA TERRA TEM UM VALOR PARA NÓS, E MESMO QUE AQUI SEJA UMA TERRA INFRUTIFERA, NOS DESEJAMOS CULTIVA-LA, E AMAMOS ISTO...
diferente de alguns, nós amamos o que fazemos, e lutamos por isto! sem nenhum arrependimento, todos aqueles que nascem e morrem aqui, orgulhosos são, e orgulhosos após a morte serão, pois sofreram mas venceram sem mendigar, sem roubar ou extorquir de outras pessoas seus bens!
Nós não matamos os sonhos aqui, nos cultivamo-los até que eles sejam realizados ou a morte nos separe!
- A nossa casa é aqui, e aqui sobreviveremos - dizendo isto, foi até Nana e Yu-me - E estas pessoas que você vê, são a minha família, mesmo não tendo nenhum laço sanguíneo, somos mais unidos do que aqueles que de tudo tem - disse isso olhando firme para o velho- e que nasceram em um berço de ouro, a tristeza fez com que nós ficássemos unidos, pois sabemos que sem isto, estaríamos mortos, amizade e confiança
o seu mundo precisa disto!
- Vamos Anna, Yu-me - Izu finalizando.
O velho percebeu que estava em um lugar errado em uma hora errada, estava humilhado, o que lhe valeu tantos anos de estudo, se um pequeno grupo de jovens, já havia-o superado, toda a sua campanha foi em vão, e a sua arrogância agora, já não tinha sentido, irritado grunhiu:
- BOM, se vocês vermes não desejam a minha ajuda, eu sairei daqui, e cuspirei nesta terra, alias, não o farei, a minha saliva é cara demais para ser desperdiçada assim, mas saibam que eu voltarei - seus olhos brilhavam como fogo - e vocês entenderam o porque de todos os meus estudos e mentiras!
-ATÉ VERMES!

- Meio a meio! - foi o que pensou Yu-me no momento em que Izu terminará de discutir, ou argumentar com o homem que agora partia para o seu grande carro!
- Meio a meio, todas as coisas deste mundo são divididas assim, a tristeza e a alegria, o sonho e pesadelo, a guerra e a paz, e preocupação e a indiferença, trevas e luz, alvorecer e o crepúsculo... todos divididos assim, o coração dos homens podem com certeza serem bons ou ruins, isso depende com certeza do humano que o carrega, seus sonhos e sua história de vida, independente de onde nasceu, sua raça ou cor, todos carregam alguns sonhos, uns cheios de desejo, outros nem tanto, mas negar a existência de um desejo ou meta, nenhum de nós poderá, afinal, neste mundo, o homem que não sonha sofre com a realidade e se desespera, perde as razões de vida, em não ter nada para construir ou destruir, apenas o vazio..
Eu Nana e Izu não somos diferentes, embora eu queira contribuir mais com o sonho deles, do que com o meu, nós vivemos para realiza-los, nós viemos até aqui com esta idéia em mente, nós estamos vivendo porque desejamos viver e completar nossa jornada neste lugar, e assim seguimos ao encontro e de praias brancas e nuvens de ouro, ao encontro da paz...
- O coração de Izu é dividido entre a riqueza e pobreza, parte dele tem orgulho de onde vive, a outra, deseja desaparecer logo, estranho... uma pessoa assim... pode se tornar o dono deste mundo sem nenhum esforço, a sua natureza é dividida e por isso se adapta fácil em qualquer lugar.. incrível... é algo que só os grandes homens do mundo conseguem fazer... adptar-se - Pensou consigo mesmo - Eu sempre achei que aqueles que continuavam aqui estavam malucos, ou doentes, ou não tinham para onde ir e preferiam morrer aqui, neste lugar, com estas pessoas! Mas agora vejo que eles também têm razões para cultivar esta terra, algum dia, ela dará frutos e alegria para todos, por isto, devemos continuar aqui, mesmo que todos os outros riam de nós, mesmo que aqui nada tenha um valor, se Izu continuar aqui, teremos sorte!
EM outrora eu havia pensando que vivendo aqui só a morte nos esperaria com os braços abertos, eu nunca fui esperançoso o bastante, eu sempre estive atrás deles, atrás da chama que os alimenta, me esquentando, eu nunca trouxe a minha própria chama para a fogueira chamada sonho, tudo sempre foi assim..- tisc..
- Incrivel IZUUUuuu..- disse Nana- você foi incrível, parecia até um príncipe do grande mundo!
- Cala a boca Nana - disse Izu sorrindo - Aquele homem.. - disse isso mordeu o lábio com grande inimizade - ...ele voltará...em breve eu creio! E não passará em branco o que fizemos hoje com certeza!
- idiota! preocupe-se com a nossa terra, não com um gordo que só pensa em roubar! - Nana - Você fez o certo Izu, todos estamos com você, e se estamos juntos para sempre, passaremos mais esta vez sem nenhum ferimento físico ou mental, sabe melhor que nós, quem vive aqui neste lugar, nunca estará sozinho, Nunca!

Eu vejo estrelas neste céu!
O outono vem com toda a sua beleza
e as flores caem mais uma vez
o mundo é belo, ah, o mundo é belo

um passo a frente, o mundo nos chama
a cada estrada reta ou tortuosa
encontramos um novo sentido para a vida
e assim seguimos firmes
o mundo é belo, ah, o mundo é belo

flores douradas cobertas de mel
arvores felizes cantando uma canção
homens e animais dançam sobre a penumbra da escuridão
e comemoram a vitória sobre todos os males deste mundo

-a vida é bela, a vida é bela.


Cantou nana, mostrando-se despreocupada, porem... dentro de seu coração, algo estava fazendo com que esta temesse o dia de amanhã, um aviso vindo de sua alma? talvez!
- de qualquer forma, é melhor não falar nada sobre isso, a tensão será maior, e o coração estará encharcado de medo e escuridão! - pensou ela.



O vento soprava forte fazendo com que o fogo se espalhassem mais e mais pelas casas e plantações, o som da madeira gemendo ao encontrar com as chamas, era espantoso, alguns anos depois isso seria chamado de sobrenatural?!

-Angustia
-Angústia! do latim angustia - Aflição, sofrimento, Carência, falta, redução, restrição.
-Em tempos antigos exércitos inteiros faziam o uso de ervas ou drogas, estas faziam com que os homens chegassem a beira da loucura, simplificando as palavras, tornavam-se verdadeiros humanos no momento em que as consumiam, quanto mais forte a droga maior o efeito, e maior o ódio, as batalhas que se seguiam eram sangrentas e além da compreensão dos homens, taxado como sobrenatural, ou supra-humano!
Mesmo com todo esse poder, humanos são humanos! portanto em uma guerra, a maioria acabava por voltar em um caixão, ou enterrado no território inimigo! Isto sim, é a verdade humana! enquanto nós vivemos neste mundo em que a nossa energia e força é reprimida, procuramos fingir, nos esforçamos para isto, vivemos a vida que é dada! mas... - Os olhos do assassino de dentro da casa, flamejavam, de ódio e alegria - È incrível, quando a guerra é exposta ao homem, tudo se torna fácil, e também fragíl, matamos, roubamos, extorquimos, fazendo valer o preço da guerra e caminho da destruição, tudo ficará marcado em nossas mentes, o confronto, as mortes, os sonhos daqueles que se vão, os gritos, e certamente o seu desejo de mudar aquilo que já não é certo!
você, eu, eles... sonhando, realizando, sorrindo, após o fim da guerra, o que resta é alegria e contentamento, por estar vivo, por sacrificar tudo em um meio fio, andando em uma corda prestes a se partir, tudo se esvai...
Para aqueles que vencem, condecorações, dinheiro, fama, e honra, para os que perderam só há um caminho: A Morte!
Para que serviria uma vida se não há nada a proteger? nem mesmo a sua vida valerá algo, é com tristeza e agonia que o humano despede-se desta terra, quando sua hora chega e os seus caminhos se fecham, todos nós sabemos a hora de nossa desepedida!
as drogas a muito tempo serviram de estimulo para os homens que temiam a morte, ou para aqueles que desejam fazer mais vítimas, tudo conta em uma guerra, tudo! até mesmo o poço em que você derrubará o seu parceiro!
A vida é bela, hahahaha...sim, a vida é bela!
Quando nós sabemos os caminhos que devemos tomar, a vida se torna bela e doce, assim como o mel das abelhas numa manhã de primavera, o sabor é prazeroso, mas também é amargante no lábio daqueles que não entendem o real sentido de vencer, e viver apenas porque alguns o mandaram viver!
O mel! néctar dos deuses! o néctar que eu provarei por mais uma vez, após terminar com tudo, uma guerra estoura muitos homens caem, e de pé, só os mais fortes ficaram!
A guerra é a alegria da raça humana e em todos os séculos ela se fará presente! e cairão milhares pela esquerda e milhares pela direita, e eu... beberei o sangue destes e comerei de sua carne! mas seus ossos... eu farei de troféus em minha casa os colocarei e então serei coroado, com a coroa de crânios que fez valer a vida e a morte de todos! - acabando de dizer, sentiu o prazer da vida encher os seus pulmões e o fazer andar em direção a Yu-me.

-Patético, você é patético - dizia Akumu a ele- quanto tempo você vai ficar esperando para se levantar e lutar? QUANTAS VEZES MAIS VOCÊ DEIXARÁ PESSOAS AO SEU REDOR SE FERIREM E MORREREM?
Quantas vezes eu tenho falado a você para lutar? quantos dias se passaram desde aquele? a sua cicatriz jamais se curou, em verdade ela aumentou, e dói mais em mim do que em Você Yu-me... dói muito mais em mim!
-QUANTAS HORAS MAIS VÃO SE PASSAR ATÉ VOCÊ ACORDAR PARA A REALIDADE DESTE MUNDO?
- QUANTOS HUMANOS IRÁ PERDER ATÉ VOCÊ ENTENDER YU-ME?
Dentro de Yu-me, ecoava apenas a voz de akumu, a sua própria voz estava dando um grande e desastroso sermão, Yu-me tentava se mover, mas todo o esforço não remetia em nada, como se estivesse amarrado por correntes de aço, que jamais seriam quebradas pela força de um humano!
- A... Aquele dia..tisc.. - Yu-me.

O dia em que Akumu se referia, era senão o dia da queda...
o dia em que o destino decidia qual seria a nova estrada a seguir!
- Sem olhar para trás!



A alvorada chegou com toda alegria que pudera imaginar, três já estavam acordados, em verdade todos os dias levantavam-se antes do alvorecer, para contempla-lo, a admiração pelo dia que viria era muito grande, afinal... uma nova esperança nasceria!
Mas não naquele dia!
- A noite se foi, mesmo assim eu tenho dormido e acordado sem perceber, quero dizer, se não fossem aqueles pesadelos eu diria que este seria apenas mais um dia normal! - balbuciou Nana.
- Pesadelos, terríveis pesadelos que doeram em minha alma e destruíram a minha armadura, que arruinaram meus pensamentos e levaram meus joelhos até o chão, dobrados e sangrando!
Yu-me percebera que o que Nana dizia era quase uma premonição, ele também sentia um cheiro azedo no ar...
- Nana, o que é que você viu em seu sonhos?
- Eu vi... Uma grande arvore negra e em seus galhos haviam frutas maduras e suculentas ao olhar humano, contudo seus galhos eram podres, diferente de seus frutos, e dos frutos nasciam flores mortas como em tardes de outono e inverno onde as folhas caem e as flores secam e morrem, nasciam murchas..
- tisc...- Yu-me.
- Vi também uma grande arvore branca, do outro lado do rio, em seus galhos vivos nasciam frutas podres e indesejáveis ao olhar humano, e destas nasciam flores belas e fortes, flores que só na primavera poderiam ser tão belas, alimentadas pelo sol e pela alegria, jamais ví em algum lugar, flores como estas, de tão vivas me pareciam sorrir...
- arvore branca e árvore negra! - Izu - Que estranho!
- hm, é verdade Izu, eu também achei estranho, mas deixe que eu continue a contar - Nana.
Nana estava pálida, mais do que o normal, seus grandes cabelos brancos, eram de uma beleza sem igual e mesmo vivendo na miséria do mundo, era mais bela que princesas e rainhas de grandes reinos, seus olhos ora verdes ora azuis, cintilavam o espaço daquele lugar!
- ela parece uma princesa - pensava Izu.
- Era noite, quando as arvores começaram a se mexer, andavam de uma ponta até a outra, e se contava 50 metros de caminhada, até a beira do rio, A arvore branca marchava com toda a grandeza, demonstrava ser das maiores a maior, e das melhores a melhor, mas havia se contaminado pela doença que corria pelo rio, um rio de mortes, talvez...esse seja o porque dos frutos apodrecidos, a arvore andava e gemia de dor por ter perdido os frutos daquela colheita! Por outro lado, a arvore negra com seus dias contados, ria da desgraça alheia, e desejava toda a desgraça para com a companheira, ria-se, e comemorava a sua colheita daquele ano, com frutas macias e deliciosas, ao meu ver!
- Entendo, mas Nana! - interrompeu Izu - Se uma das arvores estava no campo seco e a outro no campo florido, onde você estava afinal?
Nana rompeu-se em lágrimas naquele momento, deixando os garotos no mínimo espantados com aquela ação!
- EU... eu estava meio ao rio dos mortos Izu... eu era a encarregada a colher os frutos de ambas as arvores, então chorei, quando olhei para meus pés, estavam plantados meio ao rio, no fundo, onde só os mortos viviam, eles estavam colados, eu jamais poderia sair dali, então comecei a colher os ambos os frutos, e ali, A árvore branca me pedia perdão por ser infrutífera, e me prometia uma boa colheita no ano que vem, eu não a entendia, pois ela clamava por sua existência, e a cada vez que eu arrancava um de seus frutos, a sua vida se esvaia, a cada fruto um segundo a menos de sua vida, até que veio a morrer!
e do outro lado, vi a arvore negra regozijando, e ouvi a sua voz obscura e tenebrosa..
- Aqueles que não dão frutos ao seu mestre, aqueles que não o servem, só serão de grande estorvo e por isto desaparecem sem perdão, e nenhuma segunda chance, a mudança do mundo cairá sobre os homens, e todos aqueles que não estiverem preparados para dar frutos cairão em terra! assim é o mundo, e assim sempre será!
De supetão Yu-me sentiu em seu coração um grande choque, e caiu... quase por perder seus sentidos desferiu três algumas palavras ao ar:
- Dia...De...

-...morte!

- YU-ME...YU-ME... - yu-me sentia seu corpo balançar mas estava distante, tão distante que não podia responder ao chamado de Nana e Izu desesperados a procura de uma resposta do amigo!
- YU-ME ACORDA POR FAVOR! - Nana.
- O que passa aqui? - disse um velho senhor que viu o rapaz cair.
- Ele desmaiou do nada! estou preocupada com ele, yu..
Dentro de sua mente, era como se estivesse viajando pelo tempo, observava tudo, muitas arvores e animais, crianças e velhos correndo por uma estrada que dava em um beco sem saída, e de lá, todos se lançavam, Yu-me apenas observava, não se mexia, a duvida dominava sua mente de forma que jamais sairia dali.
O tempo passava dentro daquele mundo, o relógio corria ao invés de andar, e logo ali, a noite era chegada, não houve um crepúsculo digno de admiração, na verdade a única coisa admirável ali, era aquela rua, e o abismo em que as pessoas se jogavam! No céu três luas, e muitas estrelas formando constelações diferentes e nunca vistas em outrora! Aquilo era como em seus sonhos, Yu-me sempre sonhava com um céu avermelhado coberto por muitas e muitas estrelas, e no comando destas, três luas, que formavam a trindade
- você sabia yu-me que todas as vezes que no seu mundo está chovendo, aqui também chove? e que todas as vezes que você se sente triste, aqui neste mundo chove sangue? e todas estas pessoas preferem se jogar no abismo do espírito à passar por essa luta? todas as vezes, quando Você faz chover apenas eu fico aqui esperando pelo sol, pelo brilho, e raios do mesmo! todos os dias eu tenho ficado sozinho, a muito tempo eu não sinto o calor daquela estrela, a muitos anos!
Yu-me olhou para o lado direito da estrada, ali estava um garoto idêntico a ele, sentado, olhando em sua direção, o que seria ele? uma cópia de si, estava delirando o bastante para ver estas coisas?
- Você acha que só no seu mundo a tristeza pode reinar? você acredita mesmo que dentro de Você tudo é feliz e calmo? eu sou você, ou melhor, um dia eu fui Você! hoje eu luto para sobreviver neste lugar, este abismo me convida, todas as vezes em que alguém de lá de cima cai, e se machuca, e eu sofro, e me debato por esta pessoa, sei que não posso deixar de existir apenas por uma simples queda, A morte passei por aqui, conversa, e debocha, das pessoas que caem, os pequenos espíritos que alimentam o seu corpo Yu-me!
- espíritos que alimentam o meu corpo? tisc... que história mais estranha, a resposta mais simples e idiota que eu já ouvi, eu devo estar sonhando, tisc!
- Você sabe que não está!
- É... eu sei! só não queria admitir, mas... pelo visto, já o fiz! - yu-me.
Deixe que eu me apresente, mesmo já sabendo que Você me conhece, afinal eu sou você, na verdade eu sou o segundo "eu", a sua personalidade que sente a chuva cair, que sente a dor por perder os sentimentos e sentidos do mundo, eu também sou a sua força, e também o seu mal, eu não posso mentir, por isso estou a contar! eu sou aquilo que Você mais teme, quando as noites não tem término eu apareço, eu aconselho, e também faço o que bem desejo, mas estas são raras! eu quase não saio!
Nós seguimos a lenda das três luas, as três luas que Você criou aqui!
- Lenda? e que lenda é esta?
- Não me interrompa, eu não me apresentei...
- até porque... porque eu não tenho nome!
as palavras ecoavam na sua cabeça, Yu-me sentia como se uma espada rasgasse seu corpo verticalmente!
- Não tenho nome... nome... nome... Nome...
- Não ter um nome é doloroso não?! em meio a todas as pessoas, você é o único que simplesmente não tenta existir, eles não conseguem enxergá-lo, apenas um fantasma do tempo, apenas mais uma silhueta! Tão doloroso quanto estar vivo dentro de você Yu-me.
- PARE, isso dói, PARE!
Sem sucesso, as palavras continuaram a ecoar, até que a chuva invadiu o espaço daquela rua, chovia forte, gotas preenchidas de sangue, o maior exemplo do que aquele sem nome, havia dito!
- ESTA É A CHUVA DE NOSSO MUNDO YU-ME!
- ARRGH - sentia a dor em seu corpo, as gotas como agulhas perfuravam, o gosto do sangue em sua boca, o fez pensar!
- Agora entendo, eu entendo...
- espero que tenha entendido de verdade Yu-me, é doloroso não é? isso é o que eu sinto todas as vezes que o mundo desmorona e a chuva abre o caminho!
- as três luas deste mundo, representam tudo, mas eu vou explicar, mesmo sendo o criador disto, Você jamais entenderá não é? pois não vive aqui!
- obrigado - disse yu-me ainda sentindo a dor que a chuva provocava em todos, agora entendia o porque daquelas pessoas correrem e se jogarem no abismo, preferiam morrer a sentir aquela dor que mais carregava angustia do que clareza dos pingos!

"A primeira lua".

Nos rios da cidade de ouro, ao leste, próximo ao muro de cristal do castelo da eternidade! Um velho pescava e admirava a vista que aquele rio lhe permitia, totalmente belo, flores cobriam a maior parte do rio, flores que vinham de dentro do castelo, pairavam sobre a água, e doavam ao rio, a sua beleza e felicidade! o Encantando homem estava contente por ter vindo ao rio naquele dia, e esquecera completamente o seu dever, esteve ali por horas e horas, as horas por sua vez se tornaram dias, e os dias meses, ele continuou ali, olhando o rio e sua beleza, todos os dias mais flores caiam sobre aquele lugar, e não demorou muito para que o barco ficasse coberto pelas mesmas, tudo era tão belo que o pobre se esquecera de procurar o caminho de volta para casa, ou algo para comer, apenas se mantinha vivo pela força de sua mente e desejo de assistir o cair da tarde naquele barco coberto pela beleza natural!
E todos os outros pescadores após tanto tempo, já haviam dado o velho como morto, ou desaparecido, cansaram de procura-lo, cansaram de tentar! mas ali estava ele, sentado sobre a natureza, sobre o regozijo que só os melhores homens poderiam ter! Com o tempo, percebera que aquelas flores poderiam alimenta-lo, e assim, dar forças para que o mesmo pudesse observa-las por mais vezes em mais dias! e assim o fez, comia das flores e bebia da água do rio, anos e anos se passaram, cerca de mais de trezentos anos estavam a frente do velho que continuava ali, a longivitude vinha das flores ou da água? ou mesmo daquele lugar? Mesmo velho, sua mente era jovem, e as dores não o tomavam de maneira alguma! o rio era mágico! e todos os seus amigos já tinham morrido, logicamente! pensou ele, ao lembrar do amor de sua vida que foi deixado em terra, de sua família e de seus amigos!
- a vida é curta demais para eles, a vida os traiu! - dizia o velho.
A sabedoria dos dias foi implantada a este homem, e por mais que o mundo mudasse e os homens caíssem sobre lanças e dores, o rio, as flores, o castelo, e ele, continuavam imutáveis, a magia daquela região, das belezas a maior, e assim foram se os dias e anos, até que os séculos se completaram!
Em canções o homem passava o seu sentimento, em canções de liberdade e felicidade! já que naquele lugar nada trazia tristeza ou vazio! era o que pensava o velho!

cantou uma de suas pequenas composições, e mostrava total contentamento:

Minha casa ficou para trás, mas meus ideais seguiram em frente
avante, avante leve pensamento que me introduz a sabedoria eterna
desta água eu tenho bebido e me deliciado, e estas flores eu tenho provado o seu eterno sabor
Tenho muito a aprender, e o que aprendi até aqui é maior que toda a sabedoria humana
nas províncias de meu coração, a razão mora, a razão também reina
e meus pensamentos já não são cobertos de cinzas e escuridão
o meu lar é aqui, neste caminho para a eternidade!

Por tantos anos, o velho foi abençoado pelos séculos, e já se contava mais de mil séculos, até o momento, de onde estava, via agora, pessoas a observa-lo, e assim, começaram a odiar, amaldiçoar, e duvidar de tudo sobre aquilo que ouviam, sobre as canções que ecoavam naquele rio!
E por mais que tudo fosse belo e calmo, e por mais que a verdade reinasse ali...
Flores começaram a morrer, o muro de cristal estava trincado e a Mágica da vida, se esvaiu, naquele rio, a água tornava-se podre, e animais mortos eram vistos em suas margens, a desgraça humana, a inveja humana, o desejo humano por conquistas, também havia roubado daquele lugar A vida!
De onde estava jamais se mexeu, não esperava a compreensão dos homens, eram gananciosos demais para entender aquilo que foi construído para ser eternizado, e já se lembrava todos velhos tempos com nostalgia e felicidade! Por mil séculos esteve feliz, fazendo o que sempre fez e pensando no que sempre pensou!
- Mas agora, vejo que os tempos de paz se foram, e eles desejam a destruição deste lugar, deveriam saber que a destruição não pode ser engolida, e não é alimento da alma!
nó céu não existia nenhuma luz, a luz da lua sumira, para ser mais exato ela não existia mais, pois os humanos roubaram a sua energia e força, para comprar mais armas e poderes sobre-humanos, deixando assim as noites mais tristes e agonizantes!
- a cada passo dado, a cada hino de destruição, o mundo clama e pede a alguém ajuda! mas ninguém o ouve não é?! onde está a lua que a muito tempo atrás iluminou a primavera, o verão, o outono e inverno? onde está a luz branca e fria que alimentava as plantas e flores deste lugar?
- isso se tornou um cemitério! - e escorreu de seu olho uma grande lagrima, que dizem os sábios e velhos, pesar o tamanho de seu planeta, e mais algumas toneladas, um grande estouro na margem do rio, muitos homens munidos com armas de fogo se preparavam para atirar!
- MALDITO SEJAS TU Ó FEITICEIRO DOS TEMPOS, que vive neste barco e que deve ser destruído, sabemos que tu envenenou nossas casas e mulheres em ponto de elas tomarem um outro caminho para um outro lugar, sem avisar a nenhum de nós, elas partiram para a casa de suas mães e jamais retornaram, nossos filhos estão mortos pois a dor da perda foi muito grande, e agora, o julgamento para os seus males e feitiços começará!
- aprenda com a justiça, e morra com o sentimento de culpa!
Ao terminarem o falso discurso munido de mentiras e obstruções do mundo, miraram suas armas para o velho, e assim, em só um segundo, cem disparos de uma vez!
- de toda as eras, esta foi a pior, de todas as colheitas esta foi a menor, e dos dias de destruição do homem, estes foram os mais intensivos e obscuros, já não a motivo para a vida, para a minha existência, todos estes, que julgam sem entender, serão destroçados no fim! mas não por mim, não pelos meus sonhos, serão feitos em pedaços pela justiça da natureza, por este rio que foi poluído e por estas flores mortas!
entregou seu espírito, mas antes chorou, chorou de alegria por estar desaparecendo de uma terra tão impura, chorou por que deveria chorar, e sabia disso!
As lagrimas que caíram no rio, o purificaram, de maneira que todos os que o viram em seus antigos dias não poderiam duvidar de sua grandeza, águas cristalinas, flores começaram a brotar, o homem que caiu sobre as águas, agora se desfazia, como pó!
- Para as plantas deixo o meu sangue, que as alimente tornando-as mais fortes e belas, e que a vida nunca desapareça deste lugar, pois assim, tenho crido!
- Para o frio deixo minhas lágrimas, para que sirvam de fonte inesgotável da mais bela e pura água, doce ao paladar e reconfortante ao corpo!
- ainda haverá paz! em algum lugar!
O pó cobria os olhos dos soldados que agora se esforçavam para ver o brilho daquela água, o velho já não estava ali e do céu, um grande e belo brilho se estendeu, em todas as partes do céu! em todos os lugares!
- a lua...- disse um soldado aflito, ao ver o seu corpo queimar sob o calor daquela luz.
O calor da lua derreteu todos aqueles soldados, cumprindo assim a profecia do velho homem, e assim, os dias se seguiram, e para o espanto da humanidade aquele luz se manteve para sempre no céu, e de lá, o rosto do velho podia ser comtemplado, noites em que a lua nova aparecia, noites de alegria para o riacho e as flores que cresciam cada vez mais fortes e belas!
Os homens passaram a chamar a lua, com outro nome, já que esta era jovem e forte, diferente da aparência do velho, decrépita e distorcida por seus séculos! mas uma coisa, jamais puderam ousar desmentir!
A sabedoria continuava com ele, mesmo jovem, mesmo velho, ela jamais se distanciou! fazendo assim com que todos respeitassem a lua cada vez mais! os tempos de paz viriam com certeza!
Ao passar dos anos, pessoas começaram a dar um novo nome ao velho, passaram a nomeá-lo como:
"Neo-Luna"

-e assim a primeira lua teve sua existência admirada! - disse a cópia viva de yu-me.
- A primeira lua representa a sabedoria e superioridade... bem, é que dizem não é?!- disse ele torcendo o nariz - você sabe melhor do que eu... afinal vocÊ criou essa lenda não é?!
- A! [lê-se "sim"]
- mas eu não me lembro, talvez ela tenha sido criada por você - yu-me.
- dá na mesma, você sou eu!
- hm!
Em meio aquela chuva pairou o silêncio, por muito tempo, apenas pensavam!
Yu-me ouviu um som diferente, ecoando naquele lugar, alto e prestes a explodir o seu corpo, era o som de um relógio, um relógio que estava muito alto naquele momento!
Tic Tac - fazia o relógio.
Mas que relógio? Yu-me não tinha um, e se o personagem ao seu lado fosse uma fiel cópia também não teria, então de onde vinham aqueles "tic-tac's?", Yu-me olhava em todas as direções, e procurava encontrar o objeto.
- Procurando? então você já o ouviu, como o esperado Mestre yu, você é interessante, e o meu interesse por você vai além de tudo, afinal somos o mesmo personagem com um jeito diferente de viver não?!
- hey, clone... tisc.. eu não sei nem como chama-lo...
- Não se preocupe, pois logo logo saberá, feche os olhos e encontrará o meu nome estampado em seus piores momentos, eu sempre estive acordado quando isto aconteceu, sempre estarei! Não houve um dia sequer que Você não sofreu não é? a sua terra, a sua glória, o seu partido, tudo se esvaiu, e o que sobrou a você agora? vitória de um soldado morto?
- Eu estou morto? - suou frio Yu-me.
- Não meu mestre, nunca! Se você morrer eu também desapareço, ah... quantas vezes tenho que repetir a você?!
- nenhuma! - yu-me.
- ok!
Yume fechou os olhos, e sentiu o balançar do ponteiro daquele relógio, cada vez mais fundo, cada vez mais forte, até que separou-se do corpo e do mundo, e via apenas a penumbra das trevas a sua frente, a cada passo na escuridão mais o seu corpo o rejeitava, a copia o seguiu, fielmente, como se fosse a sua sombra!
- Essa escuridão, eu já conheço, em meus sonhos mais tristes, em memórias de meu passado que eu jamais consegui alcançar verdadeiramente, em dias de sofrimento, eu caminhei, eu senti esse peso, e este obscuro desejo de me tornar poderoso, um desejo que envolve a morte e a vida!
- O desejo de matar? - disse a cópia.
- S...sim, quero dizer, provalvemente... hm..
- Não hesite! Yu-me, você mesmo sabe o quão devastadores são estes desejos quando atingem o clímax de sua alma, eu os entendo perfeitamente, e não é só Você que os tem! muitas pessoas deste mundo, sentem estes, e lutam contra, algumas seguem os desejos e vivem uma vida chamada de "vida de lutas", cabe a pessoa tornar realidade ou não este sonho!
Não me entenda mal, eu não quero que Você faça o que não deseja, que lute por lutar, sem ter motivo, não preciso que lute por uma vingança que nunca existiu... só preciso que Você siga o seu próprio caminho!
- Que merda é essa que você esta falando?- yu-me.
- Você fechou os olhos, concentrou-se nos sinos, e veio para cá, um lugar muito distante e diferente dos que eu costumo passear, no seu mundo, também existe a escuridão, as trevas, a chuva é um exemplo disto! a dor constrói palácios dentro de si, a dor constrói castelos e soldados, e então, é tomado pelo medo, pela destruição, pelo ódio e desejo de vingar! E então...
-... - yu-me.
- ... e então Mestre Yu-me, você vem direto para o lugar que eu nunca encontrei! o castelo das trevas, o castelo da ilusão humana! é incrível como seus sentidos o trouxeram aqui! é incrível como você pode se mover tão bem, mesmo não entendendo os níveis de sua própria vida, e de sua tristeza! nada será assim tão fácil para você, nunca foi... é como se você estivesse vivendo em uma bola de cristal, onde os limites são bem fáceis de se prever!
você vive na miséria, e a miséria constrói a dor, e a dor faz do homem, um verdadeiro soldado e exterminador! A verdade é unânime aqui!
- Então nos meus sonhos mais obscuros eu desejo terminar com o mundo? com os homens é isso?!
- Não sei! eu sou você, mas não penso como o mesmo!
- Hm... - mordia o lábio, sempre que estava pensativo.
- ...
- Por favor, me explique sobre aquelas almas, que caíram naquele abismo, eu preciso saber algo sobre elas, como Você disse, elas são a minha força? elas compõe o meu espírito não?!
- Sim!
- por favor, eu lhe peço... me ajude, me ensine, eu preciso entender isto!
- Não desta vez... enquanto você não descobrir o meu nome, enquanto você não entender o que veio fazer aqui, enquanto você estiver preso neste mundo de doçuras que eles lhe impõem, eu não poderia lhe ajudar, explicar, demonstrar!
- entendo - disse yu-me desanimando de si mesmo!
- Mas...
- mas? - yu-me.
- Eu acredito em Você meu mestre, sei que dará conta disto! e quando acordar já seras um homem mais sábio, e que assim seja, o seu tempo acabou aqui!
Yu-me sentiu seu corpo sendo sugado para uma luz, uma forte luz por hora branca, e em outras, amarelada, sentiu todo o ar da vida invadir seu coração e então pode entender!
- Estou de volta ao mundo de origem! - dizendo isso, abriu os olhos, e então...
Viu que haviam duas pessoas a olhar para o mesmo, Eram os mesmos amigos, os mesmos preciosos amigos!
tossiu, e cuspiu um pouco de sangue, em verdade aquela viagem havia desestruturado o seu corpo e confundido sua mente... porém, uma coisa era certa... As palavras saiam perfeitamente de sua boca, e neste momento, lembrou-se daquilo que a cópia havia dito.
- Eu acredito em Você... e quando acordar será um completamente diferente!
os pensamentos corriam com grande velocidade, as palavras formavam frases, e suas duvidas aumentavam, após a escuridão, havia luz, após a luz, o retorno para o mundo de origem, e então lembrou-se mais uma vez do que ele dizia...
- Dos pensamentos mais obscuros eu surgi, e em todos eles eu estou!
- AKUMU...o seu nome é akumu - resmungou Yu-me, cheio de vida e de dúvidas!






Tsuki-yomi