segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Capítulo 1. "O início do fim"
O início do fim.
parte 1.
Depois de alguns minutos caminhando, percebe o quão as cidades grandes são pouco acolhedoras, aquelas pessoas não o olhavam, não o enxergavam, era como se não estivesse lá, pareciam todos profissionais demais, quase manipulados por um sentimento maior que o próprio entendimento.
Era como enquanto estivessem nas ruas, fossem totalmente vazios, exatamente, foi exatamente essa a palavra que lhe surgiu a cabeça naquele instante. Acorrentados a uma espécie de senso comum. Porem não era algo novo, Kai já convivera com isso antes, a vida toda conviveu na verdade, mas por algum motivo, naquele instante parecia tão agressivo a ele. Talvez pelo fato de estar desamparado, e já com muita fome, e em meio aquela chuva, talvez pelo fato de não ser conhecido ali como o gênio local, naquele momento, sentia-se simplesmente ignorado, normal.
“então isso é ser normal!? É não ser enxergado, mesmo em uma situação difícil. Se não me engano, esse não é o conceito de justiça do homem, porem enquanto não visto, não vivenciado, eu também não me importava com ele, tenho certeza que esse é o mal que cultivamos, sem saber, como um instinto...”.
Parou diante de um edifício, não muito luxuoso, na verdade, parecia muito desgastado, adentrou-o e falou com o senhor do balcão:
- boa tarde, senhor!
- boa tarde, jovem . [respondeu o grisalho].
- eu preciso de um quarto. [Kai].
- ohh sim, sim.. Temos suítes e quartos mais simples... [disse o senhor sendo interrompido].
- não, não. O mais barato, por favor![Disse Kai sorrindo].
- ah claro, poderia me seguir!?[senhor].
-... [Kai]
E seguiram para escada, o quarto era no segundo andar, havia apenas uma cama e uma mesa no mesmo, alem de um banheiro que parecia mal limpo.
-E quanto eu devo pagar por ele!? [perguntou Kai, menosprezando-o].
-ah claro, claro, são 30 reais pela diária, [respondeu o velho]
-tsic...ok, vai ser provisório. [Kai]
O velho já ia saindo do quarto, quando se lembrou e perguntou.
- e o seu nome jovem, qual é!?[velho].
- Jones, Kaita Jones [Respondeu].
- hahaha, certo, senhor Jones, espero que goste do quarto. [respondeu o velho já saindo do quarto]
‘tsic, como eu poderia gostar de um lugar como esse!’.
-Senhor![Kai]
O velho se virou.
- Como ousa exigir uma apresentação, sem se apresentar também? [perguntou Kai]
O velho surpreendido sorri e responde.
- Meu nome é Taylor, só me surpreende o seu interesse para com um velho recepcionista. [respondeu Taylor]
-Eu tenho certeza que seu trabalho não pode defini-lo, nem como bom ou mal, pequeno ou grande, mas isso é relevante. Diante das circunstâncias, é a única pessoa que eu converso há quase 5 dias. [Disse Kai]
-Entendo! Só não entendo o que um jovem faz sozinho, com uma mochila e nada mais.[Taylor].
-Eu também não. [Kai].
- Pois bem, sinta-se a vontade senhor Jones [Taylor saindo]
Após a saída do velho, Kaita deitou, e antes que se desse conta, dormiu.
Algum tempo se passou, algumas horas. Um som ecoou do lado de fora, algo parecido com uma marcha. O que interrompeu o sono de Kaita, fazendo-o se dirigir a janela.
De fato era uma marcha, haviam homens do governo por toda parte.
Uma interrogação vagou pelos pensamentos dele.
‘exercito!? O que esta acontecendo?’
Saiu e desceu as escadas novamente, quando se aproximava do balcão, percebeu os homens fardados, pelo menos 3 deles, conversando com o velho Taylor, não usufruindo de respeito para com o idoso.
‘ tsic, o que esta acontecendo!?’.
-E depois de meses de discuções, o governo declara guerra aos grupos separatistas e anarquistas do país... [dizia o repórter, de uma televisão perto do balcão].
‘guerra!? Uma guerra civil!?Será que eu estava tão obcecado pela física que nem me dei conta disso!?’
Pensava Kai paralisado, perto da escada.
-A partir de hoje, não serão mais permitidos estrangeiros na cidade, o exercito proíbe qualquer hospede que não tenha natal da capital [dizia o fardado]
O velho Taylor olhou assustado para Kai, que continuava parado. O que atraiu a atenção dos soldados. Que aos gritos disse.
- Moleque, volte para o seu quarto! [esbravejou o soldado]
‘assim como hoje mais cedo o conceito de justiça feito pelos próprios homens havia sido ignorado, agora.. ele se confirma, os homens idealizam conceitos perfeitos, porem conceitos que estão alem do seu compreendimento total. Tsic, a perfeição não combina com eles, porem ainda assim, alguns deles, parecem ser realmente puros como o velho Taylor, que agora a pouco arriscou-se para não me entregar. Tsic, são contrastes, o velho e o soldado. De Justiça e abuso, Eu acredito que se houvesse Justiça, o velho seria vencedor, e não apenas uma mosca sem poder de reação, mas eu acredito na justiça, mesmo ela sendo simplesmente... inalcançável!’
Pensava Kai, naquela fração de instantes, enquanto dois dos fardados se aproximavam.
-Ei, Velho, hoje mais cedo, ou o ouvi questionando o meu interesse pelo seu nome, afinal você era apenas um velho balconista gentil, eu acho que agora eu tenho uma resposta mais solida que anterior, homens são definidos pelo que fazem, seu nome me interessa mais do que o nome de um soldado de alta patente, ate porque sua virtude supera a de qualquer um dessa sala. Veja, como ate um soldado, sustentado pelos músculos pode ser grosseiro numa situação tremendamente... controlada! [Disse Kai num tom de voz irônico]
Espantados, todos da sala olhavam fixamente para o jovem, que continuava a falar, e a atrair os outros soldados dali, totalizando três deles, indo em sua direção.
-E vendo por este ponto, a justiça do governo parece uma ameaça aqueles que lutam por suas próprias vidas, e cultivam sentimentos nobres, A Justiça. Vocês que deveriam ser a justiça envergonham a minha classe. E perdendo o respeito por vocês, eu não temo suas armas ou almas, apenas os vejo como larvas diante de arranha-céus!.[ Exclamava de forma fervorosa Kai ao ver aqueles homens se aproximando]
Já estavam muito perto, e pareciam furiosos.
- Moleque, vamos fazer você nos respeitar ! [gritou um deles já levantando seu cassetete para atacar Sr. Jones]
Ainda parado, Kai, viu o tempo parar, e sua mente se expandir:
‘E mesmo depois de tudo, não apenas minha tese anterior mas também agora o meu relato sobre justiça, é menosprezado e ignorado por eles, que são conhecidos como a JUSTIÇA dos homens, ignoram-na sem temor, e não parecem estar acorrentados a ela...’
Sentia enquanto organizava suas idéias, a força se espalhando a cada músculo.
‘... enquanto eu, que me dediquei a outros caminhos, me sinto preso a ela, existe um elo entre mim e ela, o qual eu entendi ao passar desses dias, e ignorá-lo seria matar o Kai, que eu lutei para construir... A força é.. va..zi..a ...’
E de forma inconsciente a tal força, se concentrou aos picos do corpo de Kai, enquanto ele dedicava seu consciente à suas idéias.
‘... sem a virtude!’
Quando terminou, todo aquela força se dispersou explosivamente, jogando todos da sala para longe, não apenas as pessoas mas também tudo que continha massa, a recepção foi, naquele instante desfigurada.
Os olhos do velho Taylor, presenciaram a queda dos soldados, e o jovem, como ele o chamava, de pé por alguns segundos, tempo suficiente para perceber que aqueles olhos negros de hoje mais cedo, estavam com uma tonalidade menos escura, parecia inconsciente, e a queda de Kai confirmou isso.
O velho correu para ajudá-lo a sair dali, enquanto percebia que outros soldados adentravam o edifício.
Arrastou-o ate a porta dos fundos, saindo do imóvel, o velho parecia preocupado, escondeu o jovem e a si mesmo no carro do seu patrão, a duas quadras dali.
O velho velou o sono de Kai, ate o momento em que também se rendeu ao cansaço e dormiu.
Mais algumas horas se passaram, e a madrugada se tornou dia, já era quase a hora do sol nascer.
Kai abriu seus olhos lentamente naquele momento, em equivalência de tempo com o alvorecer lá de fora. Sentia-se dolorido, parecia ter sido agredido, mais não percebia hematoma ou algo que comprovasse algum contato físico posterior, apenas sentia os músculos doloridos.
‘Eu não entendo como força se manifestou ontem, antes, na biblioteca eu a manipulei, forçando algo, trabalhando nela, diferente de ontem, que ela se manifestou antes de eu pensar em fazê-lo... Como se o subconsciente tivesse trabalhado em conjunto com o consciente, eu preciso me lembrar de investigar! ‘
Notou que ainda estava faminto, já eram 5 dias sem comida, pensou em conversar com o velho, mas ele estava dormindo ainda. Não quis interrompe-lo, ainda mais quando tinha certeza que quem o havia tirado da recepção inconsciente havia sido o próprio velho.
Sentou-se e olhou o dia, que acabará de nascer, o clima estava agradável, o sol ameno, e se sentia como se tivesse evoluído sua tese, como se tivesse ao menos naquele instante, superado suas expectativa, ao manter um elo entre a escuridão e a luz que remanesciam dentro dele mesmo, eram eles o consciente e o subconsciente.
O que talvez pudesse pesar futuramente, porem, o fascínio superava qualquer coisa, ele em contraste com a descrença na justiça dos homens eram tudo o que sustentavam seus pensamentos.
Parte 2.
As 8 da manha, Taylor abre os olhos, e assustado levantou-se, e notou que não estava no mesmo lugar de outrora, onde havia dormido no dia anterior, notou ainda a ausência de seu jovem amigo, e resmungou:
-Sozinho novamente. [num tom de desanimo completo]
-Sozinho velho!? [uma voz próxima se manifestou]
Era Kai, que trazia consigo uma sacola, com pães frescos.
-Pegue Sr. Esses são seus . [Kai]
Abismado, sorri, e completa.
-Na verdade eu tinha certeza que não iria embora jovem sábio. [Taylor]
- Eu percebi isso a um segundo atrás. [ironizou Kai]
Os dois sorriram, e velho se sentou e começou a comer. E ainda com a boca cheia perguntou:
- E você Kai, não vai comer, esta muito bom!?[Taylor].
- tsic, eu estava com tanta fome que já comi a minha parte no caminho.[disse Kai, cabisbaixo]
O velho gargalhou e continuou a comer.
O silencio pairou por algum tempo, Kai estava distante e Taylor comia vorazmente. Ao lado, as ruas estavam vazias, porem era uma imagem falsa, haviam, soldados pela cidade toda, eles temiam uma ação rebelde, aquela cidade já não parecia segura.
Quando uma perguntou que perturbou Kai mais cedo lhe voltou aos pensamentos.
- Eles estavam mortos, velho!? [perguntou Kai]
O velho ainda terminava de mastigar, e respondeu:
- Eu duvido que eles tenham sobrevivido a tal impacto, você mesmo viu, foi assustador! [disse Taylor]
-Na verdade, eu não me lembro exatamente, um feixe me deixou inconsciente. [Kai]
-Então, sua mente lhe poupou de algo assustador. [Velho]
-Mas o que aconteceu? [Kai]
-Então você realmente não se lembra!?[Velho]
-Eu vou lhe contar então: depois de dizer o seu discurso improvisado, eu notei sua feição diferente, parecia não ter remorso ou temor algum, você ameaçou caminhar na direção dos soldados, mais não ouve tempo...[Concluía Taylor]
A atenção de Kai era absoluta.
-Eles foram arremessados simultaneamente contra as paredes da recepção, pareciam desfigurados após aquilo, e você manteve-se firme, olhando para eles, ainda sem remorso ou temor, seus olhos estavam distantes e frios, seu cabelo parecia ter clareado, [sorrio] apesar de isso provavelmente ser uma ilusão da minha cabeça, mas... eu ainda me pergunto, o que foi aquilo jovem!?[conclui Taylor]
E por alguns segundos, ficaram em silencio, o velho ansioso por uma resposta reveladora, olhava fixamente pros olhos ariscos dos jovem, que fugiam.
-É o que eu pretendo descobrir, o mais rápido possível. [Kai]
-Esta certo rapaz, honre seus segredos.[dizia sorrindo Taylor]
-E você, o que pretende fazer a partir de agora? [Kai]
-Tenho que devolver o carro do meu chefe, e bolar algo pra explicar sobre o hotel.[Taylor]
- Mas você será demitido, e talvez detido por tal. [Kai]
- Não se preocupe, quem esta sendo procurado no momento é você jovem.[Afirmou o velho]
Que apontava para o sul, mostrando alguns soldados que pareciam estar procurando alguém, estavam interrogando as pessoas daqueles arredores.
Kai olhou e percebeu o mesmo, e se viu encrencado.
-Tsic, se eu ficar aqui eu vou ser pego.[ disse olhando fixo para a direção dos enfardados]
-É verdade jovem.[confirmou o velho]
Kai mudou sua expressão e exclamou.
- Nesse caso, eu tenho um plano, o qual pode dar certo ou não. [Kai]
- E o que seria? [Taylor]
- Eu vou levar o seu carro, e você diz que o carro foi roubado pelo assassino de militares.[relatou Kai com um sorriso malicioso]
O velho se assustou e deu seu parecer.
- Não jovem, a minha ajuda a você se encerra aqui, esse carro não é meu, e eu não posso deixar você levá-lo.[disse o velho em alta velocidade]
-Nem você nem eu temos escolhas nessas circunstancias. [disse Kai]
E entrou no carro, ligou-o e deixou uma palavra de despedida.
-Foi um prazer velho, lhe sou grato por tudo. [disse Kai]
O velho ficou em silencio, e retrucou.
- Durante muitos anos meu... ‘amigo’, eu trabalhei aqui, nunca fui capaz de enriquecer, porem sempre fui capaz de sobreviver, dignamente por sinal, e eu me recolhi a minhas virtudes, e sempre fui sincero quanto aos meus desejos, eu sempre fui... algemado as minhas crenças, aos meus patrões, e sempre pensei que fosse livre por questionar isso, dentro de mim, sendo livre apenas para mim mesmo.
Como egoísta que sempre somos, eu me recolhi, e obedeci, foram 25 anos meu jovem, aqui mesmo, todos os dias, sendo impecável.
E no entanto, você disse algo que me motivou a não ser mais assim.
Você usou a palavra: ‘vazia’, disse que a força sem virtude era vazia, e eu me sinto vazio. [dizia o velho]
Caminhou na direção da porta do passageiro, e adentrou o carro.
-Eu espero que sua juventude não cegue a sua virtude, e unida a sua força me fez admira-lo ainda aquela noite. [concluiu o velho]
Kai não olhou-o entrar no carro, e respondeu.
-Não mencione seus heróis antes do fim, meu... ‘Amigo’[disse Kai, dando ignição ao carro]
O sorriso do velho marcou a saída dos novos companheiros, ainda sem causa. Caminhando rumo à compreensão da força, e em contra lance tentando sobreviver ao caos da cidade em guerra civil, e as buscas do mesmo ao jovem.
Partiram, tentando não chamar a atenção, rumo ao norte da cidade, onde pensavam que não seria tão fiscalizado, tão inundado de militares. Procuravam um bairro, para pensar nos próximos passos, e para organizar algumas idéias.
Kai contemplava o pensamento, de que uma semana atrás era um grande gênio, e agora se tornara um mero fugitivo, mas não se arrependia.
O velho cultivava pensamentos similares, pensava o quão sua vida era pacata, e sem preocupação, enquanto agora, nem ao menos podia descansar seus olhos, ou baixar a guarda, ou demonstrar aos soldados da cidade, seu temor a eles.
Após algum tempo dirigindo, Kai se cansou e pediu ao velho que dirigisse.
Taylor não pestanejou e aceitou.
-o Sr. Não faz idéia de quão eu me sinto bem dirigindo. [dizia o velho ao aceitar a oferta]
- Então parece que já encontramos uma utilidade ao velho do time. [Disse Kai gargalhando]
O velho a principio não se sentiu confortável com aquilo, porem, sorrio retrucando, e percebeu o tom cômico da resposta de Kai.
E seguiu para o banco do motorista enquanto Kai se sentou no capo do carro.
- Até mesmo as portas com janelas abertas desse carro, me fazem me sentir preso. [admitiu Kai]
-...[velho]
- Mas não há tempo, ainda temos que reabastecer e encontrar uma autoridade, que seja consciente o bastante para nos ouvir, e reconhecer o quão seus soldados mortos estavam abusando do seu poder. [Kai ao entrar no carro].
-Eu reconheço o seu esforço, mais não entendo se és realmente puro ou burro, meu jovem. [disse o velho]
- ... [Kai]
-O assassinato não resolve dessa forma, é um crime grave, e quando efetuado contra um militar, sua gravidade aumenta, entenda que o exercito é a única coisa que devemos manter distancia. [concluiu o velho]
-tsic... Não tema velho, inocentes não devem temer, é isso que nos fazem crer desde que nascemos não é!? [disse Kai com o carro já em movimento]
-Kaita, não seja tolo, a justiça não existe nesses casos. Onde você acha que vivemos, numa historia em quadrinhos? [disse o velho aos gritos]
-A justiça? Você não acredita que ela exista não é?![Kai]
-... [velho]
-quando foi que te fizeram não acreditar em tudo que acreditamos ser correto!? [Kai]
-... [velho]
-Acredite, se não há justiça, não há liberdade, encare os fatos como teorias que ainda não foram praticadas, assim como na física, usamos termos numéricos para explicar coisas da natureza, e geralmente eles simulam bem os resultados, eles parecem realmente funcionar na pratica, quando efetuados com perfeição.
A justiça é termo que podemos explicar, e temos poder para argumentar-lo, significa que se colocado em pratica, é provável que funcione. E se não funcionar, significa que ainda não foi feito de modo correto. [concluía Kai]
- Mas.. [ Velho sendo interrompido]
- Não me diga para renegar algo que nós dois classificamos como correto por receio, você que se sentia aprisionado aos seus chefes, sinta-se aprisionado agora a algo realmente nobre. A justiça. [Concluiu Kai]
O velho se manteve em silencio, e recolheu-se aos seus pensamentos.
‘ele tão jovem, parece tão verdadeiro quanto aos próprios ideais, ele me faz refletir ate mesmo diante de uma proposta absurda como essa, imagino que deva ter sofrido no passado, bem como meu pai dizia, que apenas conseguimos crescer após conhecer o sofrimentos, e ainda posso dizer, que ele parece diferente de alguns dias atrás, como se algo o estivesse consumindo, como se aquela imagem de ontem, quando matou os soldados, não tivesse escoado totalmente, ele parece aprender com o seu poder, diferente de pessoas comuns que geralmente,se tornam ainda mais cegas nessas
Circunstancias, aquilo de ontem, parece lhe fazer bem... esse jovem me faz me lembrar das coisas que eu gostaria de ter conquistado quando jovem, ele carrega o desejo similar ao de toda humanidade, com uma diferença básica, é menos retorcido pela realidade. Eu o aprovo... ele é algo, que eu não pude ser, incentivá-lo agora será como manter vivo o que eu seria se não tivesse desistido’
- Pois bem jovem Kai, que assim seja portanto. [Respondeu o velho]
-...[Kai sorrindo]
E seguiram viagem.
Parte 3.
[diário ->]setembro, 18.
E depois de tanto caminhar, ainda me deparo com inseguras e incertezas, diante das luas, eu sigo uma idéia tortuosa, confiando em um senhor estranho, e por horas testando-o, e pensar que ele aceitou me seguir numa busca suicida de fato...
Ele parece confiável, o que me surpreende nesses dias, talvez o inocente ao qual se referia hoje mais seja um espelho de sua própria qualidade, tão inocente ao ponto de seguir um desconhecido, ou tão obscuro ao ponto de me fazer acreditar. Nas duas situações sua presença não pode ser aceita, se pela inocência seria exploração da minha parte, se por malicia um perigo constante a me rondar...
Realmente problemático como todas as coisas dos últimos dias.
Eu me lembro o quão simples era minha vida outrora, antes daquelas coisas injustas terem acontecido, o quão subir no muro para ver a rua era uma aventura aquela altura.
E eu temo que não haja esperanças de tal conforto retornar. Agora ainda com essa tal força, que por um momento pareceu ter vontade própria... eu sinto um peso sobre os meus ombros, uma responsabilidade a qual eu não conhecia outrora.
A força, o velho e agora a policia... Porem, segundo os fatos, meu rosto não é conhecido, ninguém nessa cidade me conhece, eu temo que o velho carregue a imagem de um assassino sozinho, pelo fato de ser conhecido, e pelo fato de ter sumido repentinamente após os assassinatos.
O peso se multiplica, o mais justo a se fazer, é levá-lo comigo.
E ainda tenho que entender a força.
2 fardos, e eu ainda não tenho um foco.. tsic.
E a manifestação dessa força, me faz sentir, como se, eu a devesse usar, para o bem da justiça talvez, que a muitos anos se mostrou ausente dessas terras.
... [<- Diário]
Fechou o diário e tornou a pensar.
‘é, realmente as coisas começaram a acumular, e eu tenho escolhas a fazer, esse país vai cair em ruínas se essa guerra sem sentido continuar. Não será viável conversar com alguma autoridade como o próprio Taylor disse mais cedo, meu verdadeiro plano consiste em demonstrar essa força, e subjugar quem ridiculariza a justiça, a anos pessoas morrem de fome por aqui, morrem sem lutar, e se agarram a única esperança que lhes resta, esperam mesmo que inconscientemente por algo surreal que os retirem dessa classificação de inferioridade, eu temo que diante disso, não cabem argumentações, eu quero medir o poder de influencia dos homens com o poder que eu carrego atualmente...
E se as coisas são como eu imagino, não há fim para a força, é uma fonte infinita, a qual eu tenho desejo de testar, e com certeza eu creio que não exista uma oportunidade melhor que essa, para... Punir os injustos’
Olhou de canto de olho para o velho que já dirigia a muitas horas sem descanso, e sentiu que revelar isso a essa altura seria perder seu motorista, e por ventura, deixá-lo a mercê dos militares que provavelmente tinham o velho como a imagem do assassino.
Manteve aquilo em segredo por tanto. Decidiu carregar o fardo sozinho daquilo.
-Eu estou cansado, preciso parar Kai ![disse o velho]
- Eu entendo, mais não tenho dinheiro, se carro lhe parecer uma boa cama, eu mantenho vigília durante a noite. [Sugeriu Kai]
- Ele me parece uma ótima cama .[ Completou o velho que aquela altura estava exausto]
Eles estacionaram em um posto de combustível, perto da residência do presidente.
O velho pulou para o banco de trás e em poucos minutos dormiu, e Kai se retirou do carro e ficou de pé a frente do veiculo, rente a roda dianteira.
Foi quando percebeu o movimento, haviam jovens na conveniência do posto, decidiu manter-se atento, pois logo considerou a vigília da guarda, sabia que nessas situações pessoas não podiam ficar até essas horas nas ruas. Logo pensou.
‘arruaceiros ou rebeldes!?’
Eles pareciam alegres, efusivos...
Eram vigiados a distancia por Kai, que começou desde ali a montar sua ofensiva, não aos jovens, mas sim a maior patente dos soldados que estavam por ali, imaginou que um bom estrategista concentra seu ataque no coração do inimigo, minar suas propriedades era inviável, para uma só pessoa.
Como estavam na capital, sabia que haviam altas patentes no quartel general dali. E tinha uma suspeita de onde seria tal quartel, haviam avistado tendas maiores algumas horas mais cedo, provavelmente onde os generais se reuniam para discutir.
Porem a quantidade de soldados era um problema, eles estavam alertas. Tinha ainda ouvido no radio do veiculo que em três cidades do país os conflitos haviam se intensificado, o caos pairava. E como já era de se esperar o exercito temia as milícias.
E se fecharam naquele bloco, porem, o general tinha que morrer.
E a única forma de manifestação da força que conhecia era o impacto, expansão de força, e posteriormente o atrito com qualquer massa, o que não era uma opção interessante, haviam fuzis e metralhadoras prontas a lhe recolher a vida, era um dilema, tinha poder ofensivo mas não podia se defender, e ainda se lembrou que ao usar a força e demasia sua consciência era o preço a se pagar.
Ainda assim, uma idéia lhe surtiu.
Procurou uma pedra no chão e ao achar, levantou-a a altura dos olhos. E por mais uma vez apelou para a força, e tentou move-la para direita ou esquerda, e percebeu que era possível se aplicasse a força em equivalência ao peso da pedra.
- Ela pesa em media 5 ou 6 gramas por volta.[Kai]
-Aplicar uma força sutil para qualquer direção, uma força que represente a mesma massa da pedra, pode repeli-la de mim, eu temo que tenha descoberto o colete perfeito a prova de balas. [ Kai, sorrindo empolgado]
Levantou-se e caminho para a conveniência.
-Eles devem ter uma arma por aqui. [disse Kai num tom baixo]
Quando foi surpreendido por uma voz suave feminina, e em seguida um toque em seu ombro direito.
Virou lentamente ouvindo-a:
- Não sei se é novidade, mas já são quase uma hora da manhã. [dizia a voz feminina]
-E o toque de recolher prevê a ausência de pessoas nas ruas as oito da noite, certo!? [completou a voz]
-Então temo que só possa lhe perguntar, que como uma pessoa ciente de tal, O que faz fora de casa tão tarde? [perguntou Kai, ao se surpreender com os olhos verdes da moça]
Ela sorri e continuou.
-Pensei que crianças se surpreenderiam com tal embate, garoto [disse a garota]
-É como dizem por ai, ‘para pessoas normais, todas as pessoas são normais’. [ironizou Kai]
-Então me diga seu nome garoto. [em meio aos risos perguntou a garota]
-Assim que descobrir o seu me sentirei feliz em lhe dizer.[Kai]
Que ao desferir tais palavras percebeu a arma na cintura da garota e pensou.
‘de fato uma rebelde, mas tão jovem!?’
-Sara. [Respondeu gentilmente Sara]
-É um prazer Sara, porem temo, que se julgue muito experiente e vívida para se referir a mim a todo o momento como garoto.[Kai]
-Talvez isso se deva a arma que carrega no lado esquerdo da cintura, estou certo? [concluiu Kai, ainda admirando aqueles olhos verdes]
Por um momento pensou que a situação terminaria tensa.
-Não por isso, apenas não sei o seu nome. [Sara]
- Meu nome é Kaita.[Kai]
- É um prazer Kaita, e me admiro por ter percebido a arma, sem ter nem mesmo olhado diretamente para ela. [Sara]
-Não se admire por tão pouco, temo algo tenha me admirado mais que sua arma.[ Disse Kai se referindo aos olhos da mesma]
- E o que seria? [Sara]
Começou a caminhar de novo na direção de seu carro, a arma da garota para Kai, lhe economizaria esforço, seria mais simples pegar arma dela do que uma suposta arma da conveniência. Já a meia distancia da garota.
Fez um pedido.
-hey, pode fazer algo por mim? [perguntou Kai]
A garota perecia ter ficado constrangida.
-e o que seria, Kaita!? [perguntou Sara]
- atire em mim! [Kai, sorrindo]
Era uma proposta diferente de qualquer outra que Sara pudesse imaginar, pedir um tiro, não parecia algo normal, e naquele momento, finalmente o clima ficou pesado.
Ela se virou e caminhou na direção contraria a Kai.
-Essa cidade só tem louco. [resmungou Sara]
-hey, heeeey, o que esta fazendo, vai ir embora !? [Kai gritou]
A garota não respondeu.
Kai abriu seu diário, arrancou uma folha, e escreveu rapidamente, uma frase e correu atrás da garota.
- ao menos pegue esse bilhete. [disse Kai]
A garota o pegou, e imaginou que fosse um telefone, algo do tipo, nem o olhou, nem mesmo o respondeu e continuou a caminhar, enquanto Kai caminhava pro outro lado.
Depois de caminhar um tempo, a garota decidi, ler o bilhete, e se surpreende, não era um telefone, seguia a frase:
‘eu não podia deixar que seus olhos impedissem meu teste, sua arma possui a você, busque-a quando perceber sua ausência’
Foi quando ela percebeu que sua arma não estava mais lá, e com certeza percebeu que havia subestimado Kaita.
Que estava ainda no carro tentando acordar o velho. Quando conseguiu, pediu que saísse do carro, que o ajudasse em algo.
Mostrou a arma e pediu para que atirasse, Taylor resistiu e argumentou, disse que não queria atirar num amigo, Kai retrucou dizendo que não havia tempo, que era necessário o tiro, e completou dizendo que era de suma importância para seus estudos.
O velho desconfiado, apontou-a para Kai. Que fez um ultimo pedido antes do disparo.
- atire numa área que não seja letal ao menos! [Kai]
-e como eu posso saber que área não é letal? [Taylor]
-tsic, apenas atire Velho. [Disse Kai... atento ao disparo]
Naquele instante um disparo é ouvido, e o sorriso de Kaita contrasta com o momento, seguido de uma palavra muito usada pelo garoto.
-Eureca! [Kai]
O velho espantado admirou o momento, e mais a esquerda a garota Sara compartilha o mesmo espanto, eram duas testemunhas de tal descoberta.
Kai se envolve em seus pensamentos novamente.
‘uma pequena parcela da força, aumenta o tempo de uso e é perfeito contra projeteis de armas de fogo, a maior arma do exercito atual, agindo assim minha consciência é assegurada assim como a integridade física, porem nesse caso, armas de fogo não são armas que eu possa usar, quando estiver me defendendo, até porque, os tiros seriam desviados, tanto da minha arma quanto das armas deles, e nesse caso, eu temo que dependa inteiramente da força para atacar e defender, e considerando que o ataque me custa muito... atacar com a força é totalmente inviável, eu preciso de ... armas... brancas!’
- Volte a dormir, Taylor, temo que amanha será um dia corrido pra nós! [Kai]
[kuragari no Ga]
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