sábado, 28 de novembro de 2009

Capítulo 3. "O aniversário de morte"

- Yu-me estou feliz que você tenha voltado - Nana.
- Cara! você realmente sabe como assustar as pessoas ao seu redor - Izu suava frio e tinha a fala mais gasta que o normal - Não sabiamos mais o que fazer, estavamos assustados demais... você é um canalha - riu.
- Por favor... Nana, Izu, perdoem-me... mas... eu não sei o que aconteceu realmente! eu apenas apaguei?
- Sim - responderam os dois.
- Mas isso é estranho, jamais havia acontecido isto!
- Tem sempre uma primeira vez né? - Izu.
- ...
-Quanto tempo eu durmi? vocês podem me dizer?
- Claro, vocÊ durmiu por um dia inteiro, veja só, você desmaiou ontem a esta hora, ao Meio-dia, por isto pensavamos que era falta de uma alimentação, e então eu busquei algumas frutas meio velhas, os moradores me ajudaram com o que foi possivel... eles são bons!
- Um dia! - Estava distante, sentia o suor correr pelo seu corpo livremente, estava vivo e bem, tivera apenas uma noite de pesadelos, como sempre, a vida corria pelo seu sistema de energia, o sangue fervia, ele sentia o mundo dentro de si, muito mais do que outrora!
- Yu-me, quando estava inconciente ou quase... vossa senhoria - brincou Izu - desferiu algumas palavras, algo como:
- Dia de morte - disse Nana.
- é! a nana sempre me interrompe, se bem que eu jamais lembraria disso... é estranho!
- Ah! isso não é nada, eu só estive um pouco mais abalado do que o normal, talvez pelo inverno que chega firme e forte, e não deixará nada para nós!
- Mas sempre foi assim, não é preciso se desesperar meu pequeno amigo - disse Izu.
- é yu-me, sempre será assim, mas sempre conseguiremos! - nana.
- sim! perdoem-me!
- Talvez seja isso o que elas chamam de: Família! - pensou Yu-me.
- talvez, isto seja tudo o que desejamos todo este tempo, mas... eles são diferentes, e mesmo quando tem pensamentos obscuros, não conseguem o controle de sua alma e do inconciente, quer dizer, nem eu mesmo consigo, mas eu posso falar com ele, eu posso vê-lo, e visitar as terras escuras de meu coração! Tenho de protege-los, dos dias mals que vem, cada vez mais poderosos, cada vez mais e mais e mais!
- podemos nos tornar tudo o que desejamos, tudo! não é izu? você mesmo diz isto, o tempo todo, apenas para não desistir de si mesmo, da sua existencia, da alegria, e de todo o resto que compõe esta vida, eu entendo, eu sempre entendi, mas muitas das vezes me fiz surdo, cego e mudo, por isso...
- E por isso... agora eu quero me tornar alguém como vocês... eu quero ver o brilho do sol e sentir o seu calor, não mais o frio que atormenta a minha alma! nós escolhemos o caminho que devemos trilhar, é o destino? ou parte disto é de nossa escolha? a nossa escolha é o que alimenta o destino? o destino pode ser mudado? quantas perguntas eu tenho, e quantas respostas devo receber, seria isto parte do meu destino como humano?
- A única coisa que eu posso fazer agora, é proteger vocês com a minha vida, se isto for preciso!
Dizia Yu-me, para os dois, uma declaração um tanto quanto inesperada, afinal, um companheiro que disse o que sua alma pedia... um grande amigo.
- sabemos disto! não se preocupe yu, nós também nos sacrificariamos por você - disse nana.
- Nem todos os dias serão de sol como este, nem todas as manhãs as frutas estarão postas em nossa mesa, e nem toda a saúde do mundo cairá para nós como uma luva, porém continuaremos juntos, até que o pôr-do-sol nos separe, até que o vento nos carregue, até o findar dos dias - mais uma vez esta declaração feita por yu-me, mais uma vez uma declaração de morte ou vitória, mesmo assim, pouco importava afinal... A vitória para ele, consistia em estar junto daqueles que o seu coração se agravada, e mesmo com os dias enegrecidos, alguma sugestão apareceria!
Sobre a idade de yu-me, Izu e Nana, tinham respectivamente:
Yu-me: 13 anos.
Izu: 12 anos.
Nana: 10 anos.
Muitos perguntariam sobre o destino destes que vivem num mundo onde a justiça foi feita pó, e guardada em cofres de ouro, em altos bancos que apenas trazem o lucro para quem vive de furtos e obstruções, de grande e médio porte, como tão pequenas crianças podiam viver assim?
Não existiam respostas para perguntas inacabadas, aquela também era uma pergunta deste tipo, o quão duro seria a realidade para aqueles que vivem no mundo da ilusão?! essa seria mais uma pergunta!
SOnhos, metas, desejos de crianças são levados a sério por elas mesmas, mesmo sabendo o quão difícil, jamais deixam de acreditar, jamais tropeçam sobre outros desejos, é tudo coordenado por sua mente, porem poucas destas crianças conseguem se tornar adultos, muito menos ainda é o número das que realizam seus sonhos... este era o início...
Do outro lado da cidade, num bairro nobre e com uma estimativa muito alta de vida, viviam os poderosos e fortes homens, e apenas aqueles que juntaram uma grande soma em dinheiro podiam se manter ali!
Grimu era o nome do patético homem que esteve a infernizar os homens atrás de votos, comprando-os, e promentendo sempre a mentira inacabada.
- Tenho que fazer algo, alias, eu já deveria ter feito, não é aqui que meu orgulho vai morrer, não tão cedo, não agora! Eu tenho que tomar umas atitudes sobre aqueles vermes, o lixo da cidade, hehehe... eu sou o poder aqui, posso fazer qualquer coisa! Aquelas palavras me feriram, aquela luz que emanava de seus olhos me cegou por um tempo, aqueles desejos tolos de pessoas que vivem para ver a desgraça do mundo, isto tem que terminar - disse ao terminar de almoçar, um belo banquete, variado e delicioso.
- isto tem que terminar! - repitiu, servindo-se de uma grande taça de vinho.
Levantou segurou o telefone, tinha um sorriso diabólico em estampado em sua face, e então discou:
- 3394-12-48. hmm... serviços secretos ham... ao mercado negro, ai vou eu hehehe - ironicamente expressou um sinal de tristeza.
- Sim?! - disse um homem do outro lado da linha já esperando uma ordem.
- bem, bem, bem, se não é o meu amigo Deiman, hehehe, deiman, deiman, deiman...
- O que vocÊ quer agora? EU DISSE A VOCÊ PARA NÂO LIGAR NUNCA MAIS! - disse um irritado deiman.
- bom, se vocÊ não deseja a minha presença, ou ouvir a minha voz, quem sabe eu deva informar o seu paradeiro para a polícia, a sua cabeça vale milhões meu caro! eu lhe ajudei tantas vezes será que vocÊ não pode fazer o mesmo para mim? hein!? apenas receber não é o bastante deiman, é preciso dar para receber, é preciso comprar para ganhar, hm... estou cansado de explicar a você!
- Tantas das vezes que precisou eu o ajudei, o que você deseja agora? qual será o assassinato desta vez?
Fez-se silêncio no outro lado da linha, aquilo incomodou o homem de preto.
- QUANTAS VEZES EU TENHO QUE DIZER AOS MEUS SUBORDINADOS PARA NUNCA REPETIREM TAL COISA NA LINHA DE TELEFONE? VOCÊ É DESPROVIDO DE INTELIGÊNCIA? - disse grimu, secando o suor da testa, aquela conversa não fazia bem para ele, conversas do tipo sempre o deixavam encabulado e descontrolado.
- você não mudou nada não é? sempre o mesmo inocente! tentando subir nos degraus usando o corpo dos mortos que deixa ao tempo... sacrificando qualquer um! mas... diga-me, qual o problema "Patrão" - ironizou.
- Claro... eu direi a você, e então, o fará!
- ...
- Eu preciso de sua ajuda para eliminar alguns ratinhos que entraram no meu caminho, e rapido!
- Se era só isso, poruqe não liga para uma detetizadora?! elas terminam rapido com isto, sem problemas...
- hehehe -
- ok! sem piadas desta vez! diga-me onde e quando e eu irei, porém... - do outro lado da linha sorriu mais diabolicamente que o o gordo, seu sorriso era tão grande que mal coube em seu rosto.
- porem? - Grimu.
- Eu quero 30% a mais do que o seu pagamento normal... eu quero muito mais hehehe, esta missão vai exigir muito de meu auto-controle, hehehe
- fechado!
Dois homens, dois que não valiam o preço de um morto! dois ironicos que pouco se importavam com o que se passava ao redor, dois monstros que desejam só o dinheiro e o poder. Aquilo era se não o coviu de cobras que jamais fora encotrado!
conversaram por alguns muitos minutos, até que tudo teve seu entendimento, era hora de agir!
- Então... até lá, meu subordinado! - grimu.
- OK - Deiman.

Deiman era um homem na casa de seus trinta anos, procurado pela polícia a alguns anos, era senão o braço direito de grimu, que pagava as suas contas e o mantinha em segredo livre da polícia e de qualquer outro problema, muitos que sabiam da existência de deiman, foram eliminados, lógicamente a idéia mais sensata que grimu teve foi a de eliminar as provas vivas, que algum dia usariam o suborno para conseguir cargos elevados.
- nós estamos falando da humanidade deiman, não duvide, nem zombe, nós somos os nossos próprios demônios e por isto... não podemos deixar com que ele saiam vivos!
Sempre repetia isso, era o seu legado, a sua frase preferida.
- matar, incriminar, torturar! eu existo apenas para isto, apenas para trazer a dor a este mundo! e por dinheiro eu sempre o farei.
O cabelo de deiman era vermelho assim como um final de tarde de primavera, seus olhos azuis faziam-no parecer inocente o bastante para viver uma vida sem problemas, poucos o conheciam, muito menor era o número de seus inimigos, todos abatidos, ou quase!
- Eu nunca entendo esse gordo, nunca entenderei! - resmungava enquanto carregava sua arma.
- Não é preciso me entender - rebateu grimu - só faça o que eu mando, do jeito que eu mando, quando eu mandar, e vocÊ receberá o seu dinheiro!
- ok.

Capitulo 3. "O aniversário de morte".

Yu-me pensava e repensava em como a luz tão distante era poderosa a ponto de frita-lo se ficasse muito tempo exposto ao sol, é claro, branco, quase albino, se expondo ao sol desta forma, morreria facilmente! Desde o início de seus pensamentos ele focava o sonho de outrora, e então relembrou das próprias palavras ditas:
- dia de morte... talvez nós estajamos correndo perigo, eu penso isto, mas...- dizendo isto, encostou sua cabeça sobre uma àrvore e adormeceu, um sono penoso e fino, como uma seda que prestes a se romper ainda tenta manter a sua beleza e vida.
Em seus sonhos yu-me também estava pensativo, em uma sala totalmente branca, com adornada pelo ouro e pedras de diamante, olhou para si, e viu algo inesperado, suas roupas estavam brancas, muito brancas, seu longo cabelo negro brilhava a cada momento, e estava fino e liso, como em dias antigos.
- Flores caem sobre um longo riacho e o alegram... - disse uma voz ecoando muito alta e poderosa naquela sala, yu-me passou alguns segundos a degustar aquelas palavras até que...
Se lembrou de quem era a voz, era senão a sua própria voz, um pouco mais grossa! Percebeu que aquele era o seu pesadelo em forma humana, ou não tão humana.
- Akumu... - disse yu-me.

Akumu continuou a falar, ou recitar, aquilo poderia ser um poema, uma música, um provérbio, pouco importava para ele, afinal: só queria terminar.
-Frutos caem neste solo e alegram os homens - continuou com uma rapidez incrivel, estava encomodado mostrando um grande desconforto em suas palavras e seguiu:
os homens caem neste mesmo solo e alegram outros homens
de certa forma tudo toma o seu devido caminho
e o ciclo jamais tem fim
- Eu poderia tentar mais uma vez, eu poderia, mas sei que jamais conseguirei! Os tempos estão mudando e adivinhe... estão mudando para pior, muito do que jamais se viu, agora será visto, muitos que não acreditavam na mudança agora faram parte dela, e contemplaram o preço disto, o preço de viver neste mundo, onde tudo não significa extamente nada!
Yume acordou atordoado como se tivesse levado um grande soco em sua cabeça
- Droga Akumu... o que você quer com essas charadas? - resmungou um yu-me visivelmente irritado e encabulado.
- Mestre yu-me, você ainda não entende?
- AHHHH- Yu-me deu um grande grito de surpresa, desaprovando a atitude do rapaz! - Como você pode aparecer no meu mundo? você tem um corpo reserva? am?
- nada disso, nada disso... pufff - suspirou akumu.
-...
- Nós ainda estamos em seu sonho, você apenas acordou de um sonho dentro de outro! sempre haverá espaço para um sonho onde há outro maior, e talvez até um terceiro, e eu devo acorda-lo, quero dizer, já o fiz!
- sonho sobre um sonho... interessante!
- Talvez seja, eu não tenho a intenção de contar ao vocÊ nada ainda, não me parece digno o bastante para entender sobre estes mistérios que só existem aqui em meu mundo, mas estou disposto a responder algumas perguntas, as mesmas que fez quando veio para cá, da última vez, ou devo dizer: primeira vez? O senhor estava tão confuso que fazia perguntas demais, e mesmo se eu as respondesse continuaria com dúvidas, mas... agora que sabe meu nome, e que seu corpo e mente estão estáveis eu posso responde-las, sem que você fique com mais e mais dúvidas... puffff - suspirou outra vez - tens de entender o quão difícil é se manter aqui neste mundo, e que pra isso vocÊ nescessita de uma grande parcela de sua energia, e que essa energia não volta assim para o seu corpo tão facilmente, é como se você socasse a parede esperando quebra-la, de qualquer forma, só iria se machucar, e é o que esta acontecendo... você esteve pensando este tempo todo, procurando um jeito de me encontrar e me perguntar aquelas coisas todas... aaaa... quantos problemas eu arrumei agora!
- Bem... como uma promessa é promessa, pergunte!
- se a minha energia é consumida aqui, eu preciso ser rapido ou então não acordarei a tempo de sair debaixo desta árvore até o anoitecer e mais uma vez ficaram preocupados comigo, por favor, seja gentil e honre sua palavra!
- ok.
- O que eram aquelas pessoas? o que faziam ali, vocÊ disse que elas compunham a minha força...
- exatamente, elas compõe o seu espirito e força, assim como na terra vocÊ deve se alimentar para conseguir energia o bastante para ao menos ficar em pé, aqui eles também se alimentam, mesmo sendo o seu espirito e força eles também necessitam de seu espirito para sobreviver, são como uma fonte renovavel de poder, eles comem do seu próprio poder, da sua própria aura, por isso são poucos, mas muito fortes..
- Necessitam do meu espirito para sobreviver, engraçado, eles são o meu espirito!
- assim como eu necessito de você para viver, algum problema quanto a isto? somos seres secundarios yu-me, você é o rei deste mundo, e somente você dita as leis e regras aqui! Mesmo que eu tome seu corpo por algum tempo, ele volta ao seu dono original, o meu poder é escasso perto do seu! e é por isso que vocÊ continua a exercer a função de dono e predador deste lugar, e é por isto que quando chove o rei não se molha, e quando os raios começam a cair você não sente o tremor! o Rei tem seus subordinados que morrem e vivem por ele!
- Agora eu entendo um pouco mais! perdoe-me, eu não quis ser rude, não é de minha natureza ser arrogante e cético assim!
- Talvez da sua não seja, mas da minha natureza sim! - sorriu akumu.
Quando o tempo fecha lá em cima, quando os tremores recomeçam, a coisa tende a ficar feia... é como se existisse um monstro, um grande cão atravessasse os portões da escuridão de seu coração e viesse aqui para caçar, como eles compõe a sua energia e espirito preferem se jogar no poço da tristeza a virar comida do cão que traz a escuridão para o restante dos pequenos espiritos, eles são unidos yu-me, eles são a mesma coisa que vocês são, quando se tem amizade tem-se a confiança e honestidade, sei que todos aqueles que vivem ai fora, preferem morrer à sacrificar seus amados companheiros! isto é um exemplo, um breve exemplo do que se pode ver!
- Mesmo que sejam destruidos, lutam, mesmo que tenham pouco tempo de existência, eles salvam os mais novos, que por sua vez farão a mesma coisa! esse é o ciclo sem fim do seu espirito, que luta para não se entregar, para que não recebe as trevas em grande escala!
- Amor, Felicidade, Honestidade, Confiança... isso também existe aqui... sempre existirá, até que você morra, ou não!
- hm... eu os entendo, eu queria nunca mais deixa-los cair naquele poço!
- tisc... você é burro o bastante para acreditar em unicórnios também? Eles sempre morreram e sempre morrerão! como eu disse este é um ciclo interminavel, yu-me, mesmo você sendo rei deste mundo, você não é um tipo de Deus, penso eu!
- Parece que eu não tenho escolha não é? deixa-los morrer, é tão.. tão.. cruel! Bom eu já vou, temo que ficar aqui por mais alguns segundos meu corpo deixará de sentir a vida, e isso é mal!
- ATÉ!
dizendo isto yu-me desapareceu da sala, porém, akumu continuou ali, parado, pensando em algo muito sério!
- Seria mais fácil eu ter contado toda a verdade sobre algumas pessoas do seu mundo mestre, mas se eu contasse a você... tenho certeza que não conseguiria alcançar a meta! Ainda é cedo... mas falta pouco!
- A ilusão do mundo dos homens é mais forte que a realidade, por isto, eles resolvem viver adormecidos para sempre, em um sonho perfeito e extenso! - akumu.

Acordado do outro lado do seu mundo, yu-me correu em direção a Izu e Nana.
- ALÔ, ALÔ, vocês dois! - parecia ter renovado o seu humor.
- A... olá Yu - nana estava desanimada e preocupada, sua feição estava como a daquele dia, pálida demais para ela mesma!
- O que foi? aconteceu algo? me digam por favor!
- Não yu.. ainda não!
- Ainda? o que isso significa? - já preocupado.
- Bem yu, tive outro daqueles sonhos estranhos, que mais me parecem com profecias, mas este é sério, muito sério!
- Então diga-me..
- ok
O clima estava pesado, as nuvens lá de cima, estavam negras, muito negras! Uma tempestade estava prestes a começar, uma tempestade diferente das outras, um vento forte zumbia nos ouvidos de yu-me, que naquele instante já demonstrava preocupação!
-EU VI.. eu vi..
Izu percebendo que Nana não conseguiria dizer, cortou a fala da mesma, dizendo com receio algumas palavras
- Nana viu a nossa morte yu-me, ela viu nossos corpos no chão, ela viu!
- Esperem, esperem, isso não é motivo para ter medo, só um sonho ok?! isso se difere da realidade!
- ERRADO! - gritou Izu.
- o que está errado?
- tudo! você não acredita não é?! eu posso ver em seus olhos a dúvida, a mesma dúvida que entrou em meu coração, mas por favor, venha conosco até ali, preciso mostrar algo a você!
Os três sairam de seus lugares, e caminharam um pouco, indo até um rio, um rio escuro, e pararam!
- Se lembra da minha primeira visão? - perguntou Nana.
- Sim,sim, claro, estes dias eu fiquei pensando e tentendo entender o sentido dela!
- Eu também - izu - e eu consegui entender, nós dois conseguimos - disse ele referindo-se a Nana como uma segunda entendedora do assunto!
- hm... e qual é o significado?
- tente você mesmo yu, você encontrará o sentido com certeza, vocÊ é mais inteligente que nós!
Yu-me olhava para todos os lados, o vento cada vez mais forte o preocupava, queria descobrir o porque do desespero dos dois garotos, que já haviam desvendado a profecia escondida no sonho de Nana!
De tanto olhar, percebeu algo, em seguida levou um grande choque.
- Não... isso não pode ser verdade! - agora pálido.
- Mas se três pessoas pensam a mesma coisa sobre um só objeto, ou desejo, ele pode se tornar verdadeiro não é?!
- Este é o dilema das duas Àrvores não é yu-me?
- sim! sim! com certeza!
- As duas àrvores...


Conta-se em uma lenda antiga, que o mundo era regido por duas àrvores gigantescas e mais velhas que a areia que esta nas beiras das praias, as duas em sua mocidade, eram belas e fortes, ambas davam muitos frutos a quem as colhia! A vida na terra naqueles tempos era muito boa e por longos anos, as àrvores viveram e deram vida a muitos dos que já deveriam ter padecido.
Entretanto como em toda era, os dias se tornaram escuros e a luz da lua jamais antigiu a terra, por outros longos e tristes anos as árvores não tiveram o seu corpo banhado pela luz mistica que a lua doava a todos os seres daquele mundo.
Muitos morreram naqueles anos, desde os homens até as flores, os corpos já não podereriam ser contados, pois jaziam podres atrás das montanhas que foram chamadas de: montanhas do desespero!
Por conta de tantas mortes, dos corpos e residuos que estavam atrás da montanha, um veneno foi criado, pouco a pouco, um por um, doenças foram unidas e criaram então uma nova arma de destruição, a própria natureza estava a atacar! como uma auto-mutilação!
O veneno quis se extender sobre toda a terra, porém as duas àrvores que eram responsaveis pelo seu território, não deixaram com que isso acontecesse, e o tomaram para sí...
A cada uma dessas um destino foi dado, a cada uma uma nova estimativa de vida, após terem o veneno recebido em suas raizes!
Os dias clarearam pouco a pouco, a vida recomeçou naquele lugar, poucos eram os que se lembravam das àrvores que fizeram o esforço máximo para deixar aqueles últimos seres vivos, poucos foram os que voltaram e agradeceram as mesmas!
Uma das árvores por mais que seu esforço fosse grande não conseguira sobreviver, e então foi enegrecida pelo tempo, em seus maiores desejos quis dar uma última remessa de frutos puros e belos, para que todos pudessem observar o seu esforço e o desejo de continuar, talvez um milagre foi concebido ali para aquela árvore já morta, uma ultima remessa de frutos, nascera, e eram suculentos ao olhar humano, deliciosos e cheirosos, frutos iguais aos de antigamente, frutos que resistiram a morte! Entretanto, as flores dos frutos estavam mortas, como consequencia do que aconteceu a àrvore!
A àrvore branca resistiu até o final, estava viva, após batalhar muito e ver a morte de sua companheira e amiga, após muito tempo curando toda a sua doença veio a dar alguns frutos, e com toda certeza sabia que seriam os últimos, a àrvore se tornaria infrutifera, os efeitos do veneno, retiraram o seu desejo de produzir e dar vida! mas não retirou dela a própria vida, os últimos frutos nascidos eram podrem, escurecidos assim como a outra àrvore, indesejaveis... então chorou e clamou por seus dias, a sua dor era tamanha que nem poderia desejar viver! A cada dia que se passava a árvore tentava uma vez mais reviver os frutos, mas nada acontecia... até que...
algumas flores brotaram, flores que se poderiam ser vistas em grandes campos, e florestas densas, flores tão belas e poderosas que um único olhar não poderia satisfazer o desejo! e mesmo com os frutos mortos, continuavam a crescer e brilhar!
o dilema das duas árvores, que por ironia do destino, tiveram suas habilidades seladas para sempre!
No lugar da bela árvore morta, outra nascera, e esta era cruel e impura aos olhos, uma àrvore que deseja apenas a destruição de sua companheira, uma àrvore que se parecia ainda mais com a humanidade, e isso se deu ao fato do sangue humano ter-se misturado ao resto dos outros, e corrido ao tronco de àrvores inocentes, o sangue humano que em outrora aquecia agora congelava e machucava, e a àrvore apenas podia amaldiçoar o seu próprio destino!
Para estas duas árvores em um dia de uma nova era, foi dado a seguinte ordem:
Reger a vida humana e cuidar da terra, sendo elas expressadas como a "morte e a vida".
Em seu meio corria um rio, agora um grande rio, onde a vida corria, e cada uma estava de um lado do rio, cada uma com uma tarefa a ser feita, e assim, foi-se o tempo das àrvores, e assim, a lenda tem um fim!
Sempre a olhar pela vida, elas continuam a viver, com seus frutos, e suas flores, hora enegrecidos, hora belos e formosos!

- A lenda agora faz sentido? - disse um Izu triste.
Suava e procurava apoio, a lenda fazia total sentido naquela hora, mas, por incrivel que se pudesse parecer ainda faltava algo, para iniciar a desgraça, o botão de ignição, que faria tudo desaparecer, assim como na lenda uma morte súbita para todos! No entanto yu-me sabia que as lendas nem sempre se seguem como são contadas, algumas das vezes versões diferentes e totalmente desligadas da história aparecem e trazem mais uma vez a dúvida em releção a original, se é que existe uma original! Pensamentos atingiam-no em cheio a ponto de sua cabeça doer, outra vez sentado, talvez fosse este seu maior hobby, sentar e pensar.
- Há algo ainda que não fora explicado por esta lenda, hm..., ou será que sou eu que procuro mais uma parte do quebra cabeça já resolvido? assim como nos casos de muitos dos mortos que são encontrados anos depois apenas com o seu esqueleto, e nós por nossa inteligência e também inutilidade quanto a vida e morte procuramos encontrar um fim e um culpado para a morte! Eu devo estar errado e quanto mais errado mais caminho para o meu próprio fim, tisc... - mordeu o lábio outra vez, era também um hobby ou uma maneira mais fácil de perceber que estava vivo e operante naqueles dias - tisc... Algo como estas duas àrvores, ambas iguais a da lenda, e um rio que passa meio as mesmas... hm... - começava a chover naquele instante, uma chuva forte e grossa, com raios em meio aos pingos o dia escureceu completamente - Droga... não há tempo pra ficar aqui queimando a cabeça com isso, ou há?
- Não há! - respondeu para si mesmo, se auto-afirmando rei da situação, rei de seu próprio pensamento!
- Vamos Izu, Nana, a chuva está vindo cada vez mais forte, nós teremos um temporal daqui a pouco... precisos nos esconder ou seremos vítimas de raios!
- Já... tudo cessará daqui a pouco, não preocupe-se com a chuva! - Nana parecia estar hipnotizada, seus olhos perderam o brilho, e mais uma vez, ela olhou para Yu-me com olhos que ele já conhecia, os olhos da morte!
- O que vocÊ está dizendo? Vamos sair daqui logo... caramba! - yu-me.
- YU você não entende, lógicamente, não o culpo você não teve a visão! perdoe-me! - Izu
- Mas que merda é essa agora? vocês estão de brincadeira?! uma tempestade vem ai, muitos raios poderão nos antigir, eu não devo acreditar nessa lenda, até porque ela é só uma lenda! vamos nos proteger... depois pensamos em algo!
- NÃO - Izu também perdera o brilho do olhar, e mais uma vez assustava yu-me. - Não meu senhor! não podemos mais adiar isto!
- ? ... -

Em uma rua anterior um carro estacionava e de dentro dele sairam dois homens, um grande o bastante para não caber dentro de próprio carro, e um pequeno homem, um vestido com seu terno domingueiro e sóbrio, o outro vestido apenas com o preto da noite, uma dupla astuta, o que faziam ali? naquele momento de chuva e solidão?! porque parar o carro num dos bairros mais tristes daquela cidade, onde a ajuda certamente nunca chegaria!
- É hora! - disse o homem alto
- OK- dizendo isto o último se apossou de uma grande arma de fogo.
- AK47! - resmungou ele - uma arma um tanto quanto letal não acha?! eu posso mata-los de longe e simplicar o meu trabalho, já que sou eu o assassino e você o mocinho dessa história...
- Ak47? NÃO, Não, não meu caro amigo! Você não usará uma arma com tal poder de destruição por tão pouca coisa... - disse o homem forte.
- Grima o que você quer dizer com isso? EU sou o assassino aqui, eu escolho as armas, são apenas pobres pessoas o que você quer com estes? eu poderia mata-lo agora mesmo!
- hm, e deixar de receber os 30% a mais? não, não! meu caro! Você vai fazer como eu mandar, como eu disser para fazer e se você entende isto, pegue a sua arma de menor poder de destruição, eu quero que você começe a caça-los, eu quero que eles sejam exterminados de forma honrosa... - Abriu o mesmo sorriso de outrora, mais diabólico impossivel - Entenda meu caro, eu sou a lei aqui, eu sou tudo! Eu poderia me chamar de Deus deste novo mundo, mas ainda não é tempo, eu ainda não tenho poder para tal! mas quando o meu capital estiver alto, quando as minhas economias forem maiores que as dos homens deste mundo, eu poderia ser chamado assim, e aceitarei com todo prazer o título de "Deus do novo mundo", e você poderá ser o meu fiel escudeiro, um anjo que traz a redenção aos homens!
- Redenção? eu sou apenas um assassino! Deus... quanta besteira! você deveria ir a igreja todos os dias quando era criança não?! quanta merda sai dessa sua boca!
- Errado meu caro amigo! Você diz que eu frequentei a igreja, com certeza, mas eu nunca deixei de ir até ela, pois é de lá que os 50% de meus lucros saem, hehehe, eu comprei até mesmo responsavel pela igreja, e nós conseguimos dividir o dinheiro todo!
- PUFF - suspirou deiman -Então até agora... você também estava roubando com a igreja, que estúpido... Bem, eu não me importo, na verdade o apóio, quanto mais idiotas para se roubar, mais fácil é o caminho galgado até a glória, você é inteligente o bastante para conseguir uma coroa, só não sonhe demais, vocÊ pode cair!
- É claro! - disse o gordo, que agora parecia estar sentado em um basilisco, mostrando toda a sua fúria e glória com uma grande lança dourada, mas a sua barriga continuava a incomodar!
- Ei chefe, você deveria fazer um regime, essa sua barriga me dá nojo! - disse olhando para a barriga de Grimu, que era realmente grande.
- Calado, seu réptil repugnante! vá fazer o seu trabalho - disse ainda sorrindo.
- EU SOU DEMAIS - pensou ele ao mesmo tempo que sorria - Agora veremos quem poderá humilhar quem, hehehe, a vitória tem um sabor mais doce para aqueles que vivem acíma dos vermes, o otimismo deles estragou o meu dia, mas hoje... mas hoje... eu estarei feliz quando isto acabar, e estas nuvens, ah estas nuvens, serão o meu novo presente!

Deiman pegou uma arma inferior, muito inferior e enferrujada!
- Bom se você deseja isto! Aqui vou eu!
- Pistola 38?!,hm... Boa arma! - Grimu.
- Vamos começar a caçar! - Deiman

Desceu rapidamente a barrancada que havia naquele lugar, estava guardando o melhor para o final, assim pensava, o tempo estava feio e mais obscuro ficaria em alguns minutos.
- Outro cemitério, isto é a única coisa que eu sei fazer, mas nem ao menos sirvo para ser o coveiro que faz o seu trabalho digno enterrando e plantando algumas flores sobre os túmulos, sempre desejei um trabalho honrado, com pessoas que me aceitassem como realmente sou, mas não deu certo, nunca vai dar! é algo que eu mesmo tenho que arrumar, o meu destino... eu deixei de acreditar em qualquer coisa com mais poder do que eu mesmo, E sei que jamais poderei me esconder por tanto tempo, Em uma hora ou outra eu terei de fazer uma escolha muito grande, entre continuar na penumbra da noite ou obter o calor do sol por alguns segundos! A liberdade como um sonho final, eu a desejo, almejo a sua luz, mas terei tempo? ao invés de caçar e matar pessoas estranhas para mim eu deveria eternizar o momento em que parto deste lugar e começo uma nova vida, longe de tudo e de todos, eu poderia fazer isto, eu deveria, mas...
inspirou e continuou para si:
- Eu mesmo não quero, é engraçado para quem ouve mas não para quem conta, uma piada sem um final feliz, onde o palhaço continua no limiar da graça e desgraça, quando em qualquer momento o sonho de vida do mesmo pode se extinguir caso a piada contada não tenha uma graça, e nem um sentido!
Eu me vejo em um buraco, eu me protejo dentro dele, eu vivo dentro, e não me importa o quão solitário isso é, o desejo de matar é maior, é muito maior, eu não poderia viver uma vida repugnante como estes homens que vivem a plantar e colher, viver uma vida pacífica... que estúpido, a arte da guerra é muito grande em qualquer lugar...
- bem - suspirou - Lá vou eu de novo, e quando essa chuva cair, muito mais sangue será derramado, eu espero que isto tenha um real sentido para o balofo, eu espero.. mas tenho certeza que não tem, a morte deveria segui-lo, e tira-lo deste lugar, afinal, o poder da guerra está com ele...
Mesmo optando pelo lado que conduz a loucura, deiman tendia ser mais lúcido que os próprios doutores e juízes do mundo!
Yu-me do outro lado, tentava compreender seus amigos, e questionava a atitude dos mesmos.
- Adiar o que? que acontecimento? vocês poderiam assustar até o mais concentrado monge em seus orações, isso não faz sentido! não faz!
- BOM - ouviu-se do alto do bairro, um barulho insurdecedor, como o de uma arma, segundos depois um homem meio morto e meio vivo, desçeu o barranco e tentou gritar, mas ao invés de entregar a mensagem, caiu!
Yu-me correu até ele na tentativa de receber alguma informação, o homem sangrava muito pela cabeça, tentava dizer algo, engasgado com o próprio sangue, este havia levado um tiro, meio a sua testa, estava morto!
- morto?! como isso pode acontecer? essa marca em meio a sua testa, um tiro... droga!
Meio desesperado, meio incrédulo, yu-me logo desejou desaparecer dali mas não podia, ouviu outro tiro e um grito alto, mais uma pessoa morta?!
preciso tira-los daqui rapido, pensou yu-me ao olhar para seus amigos que ainda continuavam hipnotizados!
- RAPIDO, IZU, RAPIDO NANA, VAMOS SAIR DAQUI, RAPIDO! não há tempo, vamos... Vamos!
Yu-me tentou puxar o braço dos dois amigos, mas... Não podiam se mecher, estavam como se fossem plantados.
- Qual o problema de vocês? vamos... por favor!
- VocÊ não entende yu?! não podemos nos mecher mais... é o fim! - disse Nana apenas sorrindo para ele - VocÊ não vê onde nós estamos?
- Droga o que ela está pensando?! a chuva vem ai, e agora um assassino também, a combinação perfeita para a nossa decadÊncia está frente aos nossos olhos - então olhou para baixo, e caiu sobre terra, eles estavam meio ao rio.
- Em meio ao rio não é?! Que jeito irônico de morrer, as duas àrvores uma de cada lado, julgaram o nosso proceder, e então nós fomos golpeados pelo destino, por isso eu disse, não há tempo para desespero, nem para fugir, aqui nós morremos, aqui então deixaremos nosso legado e sonhos, pare de resistir ao tempo, de tentar fugir se debatendo entre as paredes que o cercam, faça o que tem de fazer e não hesite por nenhum segundo, a vida é totalmente importante mas a morte talvez seja muito melhor, um descanso, um recomeço para nós que vivemos sempre assim, no limiar da loucura e lucidez... pare de resistir yu - rebateu nana rapidamente!
- Se eu posso lutar, porque tenho que desistir de mim? de nós? eu posso proteger vocês, mesmo eu! um fraco, sem nenhum ponto forte, eu posso tentar, eu devo protege-los até o final, e mesmo que isto custe a minha vida, eu o farei!
Tomado de emoção gritou:
- APAREÇA! VOCÊ QUE DEU A ESTES UM NOVO RUMO, APAREÇA!
- Da Trevas nasceu um cavaleiro e este foi nomeado como o cavaleiro da destruição, muitos não quiser acreditar em sua existência, e por isso, maior foi o número de mortos naqueles dias, diz a lenda, que em qualquer lugar, qualquer ser vivo que quisesse ouvir, poderia, os gritos, clamores, e pedidos, daqueles que morriam ali, e com o sangue podre destes, o cavaleiro se banhou, e também lavou a sua armadura, o cavaleiro que carrega a morte chegou...
disse saindo da casa, onde acabara de matar mais uma família, estava com as mãos sujas de sangue, que se misturado com as gotas de chuva, completavam o preço da miséria daquele lugar!
- então foi você... foi você que matou aquele homem... - disse yu-me ainda emocionado.
- Sim! mas não só este, além deste pasto morto, além daquelas estradas, todos foram mortos, hm, eu sinto muito crianças, mas o que sobrou aqui com vida, foram vocês três, o último deles, teve uma bala incravada em seu crânio, e eu temo que você tenha o visto morrer! ele corria e dizia:
- Preciso avisar, preciso salvar - disse com uma voz fina, zombando do morto que tentou por tudo, salvar a vida daqueles que ainda estavam ali - HAHAHAHAHA...
- Como ousa dizer uma coisa dessas? como ousa rir de uma pessoa que mesmo após a morte, tentou proteger outras pessoas?
- A culpa não é minha! a ordem não veio de mim, culpe o gordo que está lá encima, foi ele que desejou isso, quando vocês estiverem nó céu, ou inferno, peçam a deus ou ao diabo, para julga-lo da maneira mais correta e não se esqueçam de mim... esperem... nem o céu nem o inferno... existem! Perdoem-me garotos, mas vocês vão para debaixo do chão, e de lá não existe escapatória, quero me desculpar por não poder enterra-los, se eu continuar aqui por muito tempo, poderei ser preso de novo! e isso seria problematico!
Yu-me correu até os dois amigos, e esteve de frente para o homem que continuava a debochar do último morto, para ele tudo não passou de uma grande brincadeira, uma piada que teria um fim terrivel naqueles próximos segundos!
- Saia da frente pivete, ou você vai morrer primeiro... eu não me importo com a ordem de mortos, mas você me parecia tão.. tão... como posso dizer...
Yu-me encarou os dois amigos, uma vez mais, eles continuavam da mesma forma, sem o brilho de seus olhos.
O homem por sua vez, cansado de falar, apontou a arma para Izu, e então, retirou do bolso mais uma arma apontando-a para Nana..
- Dois contra um, hehe, como você fará para ser o saco de pancadas? você só tem um corpo!
- Por favor, mate-me... - disse yu-me ajoelhado - mate-me, mas por favor deixe que eles vivam, Eu nunca desejei isto para eles, eu nunca pensei que teriamos de passar por isto, eles nasceram com o dom da inteligência e beleza, diferente de mim, eles são gênios, que merecem viver todos os dias da terra e mais além, não há motivo para desaparecerem assim, sem dúvidas, MATE-ME, EU IMPLORO...
Se com a minha vida eu puder protege-los, assim o farei - repetiu para si, lembrando do que havia dito pouco tempo atrás, lembrando dos momentos bons e calmos que os três tiveram em suas vidas - Todos estes anos vivemos juntos como uma família, nós construimos muitos castelos, mas parece que fui tudo em vão, nossos castelos construidos em areia, eu não posso deixar isso acontecer!
levantou-se novamente, e abriu os braços encarando o atirador pronto a receber os tiros!
- atire em mim, deixe-os, eles não merecem essa desgraça para o seu futuro! Os dois merecem mais do que isso, muito mais...
Um raio caiu sobre a terra naquele instantante, e então...
- O que está acontecendo? Porque esse homem tem estas armas apontadas para nós? - disse Izu
- HAHAHA, então vocÊs acordaram desse sono, enquanto murmuravam palavras como zumbis, este moleque tentou salvar as suas vidas, até implorou para que eu o matasse, mas eu ainda não decidi! de fato a garota é muito bonita, mas é jovem demais, deverá morrer, assim o sofrimento de vocês acabará, carregar um fardo assim... comovente!
- Eu já entendi... eu devo me sacrificar para salva-los, este é o meu destino - começou Nana, estava visivelmente emocionada, ela entendia o que o destino havia revelado para o seu caminho
Dizendo isto, entrou na frente dos garotos e abriu os braços da mesma força que yu-me havia feito em outrora;
- hmmm - deiman.

A chuva agora livre, corria pelo mundo, ou melhor caía, o vento forte uivava, Ainda paralizada Nana deu início a uma canção funebre, que a muitos faria chorar se pudessem ouvir.


Longos são os dias, e mais extensas as noites
No limiar do tempo a vida se esvai
A vida se esvai e não me deixa escolha
Entre os grandes cavalos e grandes cavaleiros
Uma fenix renascerá entre as cinzas de minha insegurança
E mesmo definhado poderei encontrar o meu caminho
De volta para os braços de meus antepassados
Chorou o céu, lágrimas que compõe a minha melodia
E acompanham o meu sorriso e meu desdem para com este mundo
Como em nuvens de ouro e ventos de diamantes
Um grande dia para repousar um corpo Já perdido em horas
A marcha funebre carregada pelo vento e chuva
Continuará por estes tempos
Até que tudo termine em salvação ou destruição
E da casa de meu pai, eu me lembrarei em todos os dias de minha liberdade
Estarei para recordar
A última marcha dos homens.

- Se eu fosse como a chuva que por alguns segundos consegue unir o céu e a terra yu-me você seria o céu, e Izu a terra! e então poderiamos viver assim, sempre juntos, cantando alegremente e sorrindo além de tudo, sob todas as tardes, sob todo o inverno, jamais estariamos sós, eu... eu... Eu agora entendo o sentido de tudo! O que passamos, o que sentimos, porque vivemos nesta batalha que jamais tem um fim! Sob toda as lágrimas existe uma memória boa ou ruim, nós fizemos isto, assim como imaginamos, e sentimos a dor que isto nos traz, a cada dia passado eu sinto o mundo comprimido, com lágrimas também escondidas em seus olhos, em uma conversa silênciosa com a vida, eu entendi...
- todas as flores aqui plantadas lutam o tempo todo para sobreviver, assim como nós! A natureza nos obriga a forçar escolhas, e em qualquer lugar a morte também poderá ser aceita assim, quando uma pessoa desaparece uma outra toma o seu lugar, a seleção natural que compõe o nosso universo nos diz isto, e em qualquer lugar, mesmo aquela pessoa que foi substituida tem o seu espaço na mente e coração de todos os que viveram e puderam ve-la em sua juventude e boa forma, sempre existirá uma memória boa de alguém! Mesmo este sendo ruim o bastante para ser odiado todos nós em alguma parte de nossas vidas manteremos memórias felizes para as pessoas!
- todas as noites ao olhar para o céu, eu peço que ele me liberte e que faça de meu corpo o seu corpo, e nas constelações uma estrela com meu nome e desejo, pois quando o tempo for chegado e eu me perder em escuridão meu querido espirito desfalecerá assim como a casca que carrego comigo quero apenas olhar por vocês, e sentir o calor de seus espiritos e corpos, quero vigia-los para que nada de ruim possa acontecer e avisar quando a dor estiver por perto! Eu desejo me tornar uma parte de vocês, assim como vocÊs são uma parte de mim, e retribuir tudo o que todos tem feito por mim, em um mar de felicidade quero eu coloca-los para navegar e para um horizonte distante destino a uma grande praia branca, onde as flores e frutos são mais belos e vivos, e a vida tem um grande valor, diferente daqui e diferente de qualquer outro lugar!
- Quando a chuva cai, quando o vento sopra, o fogo queima numa lareira, o fogo trás memórias frescas e secas, o fogo irá curar a ferida que o tempo por ventura irá deixar em vocês! o vento amaciará e manterá a chama acesa e então vocês estarão mais vivos e formosos, assim como em um dia qualquer estiverão! e a vida não deixará de existir em nenhum dos lados!
- A terra gigante como é, poderosa e amavel, de tanto sonhar... almeja chegar até o céu com suas construções, mas dominada pelo desejo maior de explorar o que ainda há de existir, com muitos dilemas ela ainda deseja viver mais, muito mais, procurando a cada momento uma novo quebra-cabeça, a terra é coberta da razão e do conhecimento, da cura e do poder de junção entre seus membros, a união faz desta a mais extrovertida não é Izu?!
- O céu poderoso é inexplicavel e também convidativo, todos os seus segredos, todos os seus desejos, levam o mundo a crêr que ele tem a mágica de mudar o destino da humanidade e livra-los de todo o mal, o céu é lindo e forte, e é onde a maioria das pessoas desejam estar, sendo assim, o céu também é amavel e paciente, pois espera a vinda das pequenas pessoas até ele, voando com suas próprias asas e cantando a canção da liberdade, o céu é como você Yu-me, o céu é livre!
- o céu é livre...

Izu também entrou na frente de Yu-me, para terminar de fazer a proteção, Salvar o amigo era o legado de sua vida, o seu destino agora brilhava como ouro frente aos olhos de quem desejasse ver, Provando que dos homens também foi criada a confiança e honra, mesmo diante da morte, jamais voltar atrás!

- Bem Nana, se você é a chuva, e o yu-me o céu, eu devo proteger o céu com toda a minha força
- Izu QUANTA BESTEIRA VOCÊ ESTÁ FALANDO, PARA COM ISSO, SAI DA FRENTE, Sou eu quem deve morrer... sou eu! - Yu-me tremia, mais de ódio que de medo, tudo tão confuso, tão estranho, o mundo era cruel demais para continuar com a sua mera existência.
- Tisc, você é burro?!- parou. - isto Já foi determinado, tudo está nos conformes, a liberdade só é dada aos mais altos e nobres do reino, e você é ele, somente você deve continuar, eu acredito yu de todo o meu coração, você é um homem que pode mudar muitas das coisas que hoje vemos e sentimos, esta miséria, a dor, estas doenças, este caminho que o mundo procura, mude-o, e se não conseguir destrua o mundo com tudo dentro, mas não deixe-o a mingua, procure por algo em que o seu coração se alegre, e se torne um grande homem, assim como já é, assim como sempre foi, não confunda estas lágrimas de alegria e gratificação, com lágrimas de desespero e dor, não são iguais, nunca serão! eu estou feliz
- feliz? ...
- feliz! eu poderei me juntar as estrelas, e nunca deixarei você sozinho yu-me, nunca!
- idiota se você morrer... eu... se vocês morrerem eu não terei mais um sentido pra viver, todo este tempo nós vivemos juntos, viajamos juntos, cantamos, passamos pelas infelicidades, mas... continuamos juntos, isto sim é real! a morte...
- Yu, a morte, é um passo a frente da liberdade, apenas isto! a liberdade total para mim, no tempo onde eu posso coordenar, e em qualquer estrela me deitar, você tem que viver!
O assassino já estava encabulado, irritado, desgastado, somando tudo aquilo o seu desejo era de voltar para sua casa, ao invés de ver aquela cena deploravel, de três dividindo o sonho de um, o sonho da vida! onde todos protegiam os seus companheiros!
- Já terminaram?
- BOOM BOOM(tiros) - sem esperar respostas, atirou três, quatro, cinco vezes nos garotos, o sangue jorrou em seu rosto, o tiros foram a queima roupa, o trabalho estava quase completado!
Os tiros foram certeiros, cada coração receberá 2 tiros, o último acertou yu-me, em seu peito, porém não o feriu aponto de derruba-lo, yu-me continou de pé, apenas observando a cena, sem espaço para questões, sem tempo para nada, apenas a derrota...
- desculpa yu-me eu não pude segurar o último tiro - sussurou Izu - coff...cofff... me desculpa...
- Lá..do.. outro lado onde tudo é paz, o mundo não sucumbirá Yu-me, tente chegar ao outro lado desta vida, tente encontrar o sentido para a sua existência assim como nós conseguimos, sei que conseguirá... adeus!
- nana... izu... nana... izu... não pode ser...
- confira você mesmo garoto, veja o sangue que escorre do seu machucado, é de mentira?! esta é a verdade do mundo, onde o fraco é humilhado e dominado pelo forte, uma vez mais, você deveria entender, afinal você é o próximo!
Yu-me não deu atenção ao homem, que se aproximava, continuou fixando seu olhar e pensamento aos dois amigos caidos, deiman percebendo a fraqueza de yu-me, segurou-o pelo cabelo mas viu que o garoto não resistira, e então decidiu brincar um pouco, socou a sua cabeça até o sangue escorrer, chutou o seu estômago fazendo com que ele voasse para longe de seus amigos, continou a brincar assim, por muito tempo.
- É assim que vocÊ deve morrer garoto, é assim que um traidor como vocÊ, que não levantou a mão contra o assassino que levou a vida de sseus dois melhores amigos, eles erão a sua vida não é?! porque você desistiu deles assim, porque você não os salvou, ham? você tem alguma idéia melhor agora? eles morreram para protege-lo, mas agora... até mesmo o sobrevivente irá cair diante do meu poder, da minha grandeza e pureza, hoje... deves guardar estas palavras, o massacre começou com apenas 1 minuto de atraso, o homem que me contratou não gosta de trabalhos demorados, e eu tenho apenas mais 1 minuto para terminar, então que seja agora ou nunca mais, Yu-me todo ensaguentado como estava não apresentava qualquer vontade de segurar o ataque do mesmo, o homem tornou socar o seu rosto e agora pisava em sua garganta.
- patético, o seu fim é patético! TODOS OS FRACOS SÃO ASSIM, isso me revolta, esse olhar de cachorro sem dono, esse jeito de "tudo acabou pra mim", isso tudo, argh - deiman estava muito irritado, viu no rosto do garoto o mesmo desdem que via em faces conhecidas, yu-me estava apenas ignorando-o, e isso foi o estopim, a bomba acabará de explodir e o desejo de sangue aumentara - TUDO BEM GAROTO, tudo bem, hahaha, tenho que parabeniza-lo, você é um dos que me ignoraram, e que vão morrer pelas minhas mãos, hahaha, eu não vou usar mais nenhuma arma, as balas da minha pistola se forão, e eu não posso usar outra arma em vocês, é quase um pecado, estragar munição com ratos, bem... então...
Decidiu terminar de falar enquanto retirava um punhal de seu bolso, sua feição enlouquecida agora misturava-se com a chuva que caia fortemente.
- É AGORA PIVETE... é agora...
- Izu... levanta eu sei que você pode, você não morreu, eu posso sentir, por favor izu, Nana, volte a vida, eu não entendo, não me deixem aqui - pediu yu-me que agora estava longe dos amigos, voltou caminhando até eles, devagar o buraco da bala doía muito, e os socos e chutes também fizeram com que este dimuisse seus passos, o homem enfurecido corria em sua direção armado do punhal, uma última vez...atacou...



- Dói... Eu não pude ver o que se passou, estive mergulhado em pensamentos, eu os perdi, ah... - disse suspirando - dói, Izu, Nana, porque vocês fizeram isso, o meu destino, a minha missão, foi arruinada, vocês se foram
ARGH - Vomitou sangue, uma grande poça estava se fazendo no chão - meus braços não se mechem, eu não sinto minhas pernas, tisc... eu também perdi!
Deiman viu o seu trabalho completado e sabia que o rapaz cairia depois de alguns segundos, então tomou o rumo de volta para o carro, não importava a ele o modo que o jovem morreria, e nem adiantava ouvir o lamento do mesmo, tudo estava acabado, tudo.
- Adeus bom garoto, um dia... quando eu estiver perto do inferno, pedirei perdão pelos mortos que fiz, e se eu for aceito pretendo encontra-lo e me desculpar pessoalmente, mas agora... você deve morrer!
Deiman desapareceu na chuva, deixando tudo para trás, desde a arma descarregada até a sua própria paz.
- um assassino que mostrava ter sentimentos quase uma piada- pensou ele - A culpa é minha por ter matado todos estes, mas Grimu também tem parte, e se algo acontecer garotos... o dia do julgamento estará mais perto para nós! Adeus!
Yu-me sentia a dor desaparecer pelo corpo, quando o machucado é muito grande o corpo começa a anestesiar o sofrimento, para que aquele que vá cair, não sinta tanto e possa ao menos esperar pela morte.
- Mexa-se.. vamos... pernas... braços...
Com todo o esforço imposto yu-me conseguiu a proeza de se levantar, devagar deu o primeiro passo, devagar foi tomando um pequeno rumo, chegando até onde os seus amigos estavam...
tocou-os...
- ... vocês estão muito gelados - disse enquanto as lágrimas corriam sobre o seu rosto ensaguentado - vocês se foram... e eu não pude me despedir...
Yu-me se ajoelhou perto de Izu e Nana e reparou que ambos tinham sorrisos em suas faces, sorrisos de satisfação, haviam comprido o seu destino e decidiram reencostar suas cabeças no chão e deixar o tempo guiar os seus passos sob todas as coisas!
- ah... Não há palavras para explicar este momento, eu não pude fazer nada mas no final também pretendo me unir a vocês, sabe... eu agora... estou machucado... mortalmente machucado, disse olhando para o punhal.
Deiman havia transpassado o punhal em seu coração e os últimos segundos chegaram para ele, pensou em gritar mas não tinha força, a chuva também retirou dele os últimos momentos de energia, decidiu então cantar a última canção de seu tempo, em homenagem aos amigos e irmãos, em homenagem a confiança!

Mares de ilusão tomaram de mim os meus últimos suspiros
Emergindo das trevas continuarei com meus pequenos passos
E diante de meus amores reencostarei a minha cabeça
Em um dia onde tudo se esvai
Eu permaneço de pé para homenagear os meus últimos segundos de paz
e tudo...s..se...

Fez-se silêncio absoluto, o fim vem, o fim veio:
- tum...tum.....tum.....TUM... - fez o seu coração uma última vez, as batidas que estavam cada vez mais fracas, deram lugar a uma última, que ali encerrava o ciclo de sua vida...
Sabendo o que aquilo significava, retirou o punhal do peito e colocou-o ao lado da arma caida, terminando de fazer este esforço, deitou-se também ao lado de seus amigos, e por fim resmungou:
- Feliz aniversário Nana e Izu, meus parabéns, eu queria poder homenagea-los mas não tenho forças... eu espero encontrar com vocês no final de todas as coisas, A...D...E...U...S
tombou com sua mente e corpo, a chuva continuava ali, o vento também, o sangue corria pelo campo e tingia a grama com o seu poderoso vermelho, tudo terminou ali.
- ...


Data de morte: 03 de Maio de um ano qualquer.

"O céu, a chuva, e a terra, pareciam agora unidos para sempre, em um ciclo que jamais terá fim, em um único momento de paz, este mundo ainda terá o seu próprio brilho".
Novas flores irão brotar e mesmo em tempos tão tenebrosos, sobreviveram.




Tsuki-yomi

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