Vamos caçar! - disse yu-me.
- Como se fosse muito fácil! Precisamos primeiramente retirar você daqui!
- Você parece até temer a saída mais próxima akumu!
- Eu?! Tisc... Eu sou superior ao sentimento de medo, ou temor yu-me, eu não sou igual aos seus humanos, eu não temo as desgraças do mundo e nem as dores que isso acarreta! Quando eu nasci foi-me retirado o direito de sentir pena, Não existe nada neste mundo grande o bastante para destruir o meu legado!
- Dando uma de bom, até parece que esse é você! Mesmo dizendo tudo isso, haha, você depende de alguém para se mover!
- Não exatamente! - rebateu novamente - É Tão fácil quanto explicar a origem deste vasto universo, ou a sua burrice! Eu não sou um livro yu-me, uma enciclopédia que você procura só quando deseja saber o significado de algo, um dia espero que entenda... eu sou superior a qualquer coisa já vista!
- Hm, de fato, eu estaria caído até agora se ele não estivesse comigo - pensou yu-me - Aquela ilusão só pode ser quebrada com a ajuda de akumu, Entendo ele é a sabedoria deste corpo!
- É Você deve estar certo! - disse yu-me gentilmente ao amigo.
- Tisc... odeio quando você dúvida de mim!
- Eu não duvido!
- se é assim, então tudo bem! - akumu.
Capitulo 07. Um cadeado Chamado “sentimento”.
Parte 1.
"Grimu".
Grimu acabara de acordar, aquela foi uma longa noite e por mais que tudo tenha seguido o curso correto, estava preocupado, já haviam se passado tantos anos que mal podia acreditar que os sonhos ruins ainda o seguiam.
- Droga... isso não tem graça, o quanto mais durmo, mais tempo tenho para sonhar com a morte, deveria eu continuar acordado pelo resto de minha vida?! haha, como se isso pudesse acontecer, os pesadelos continuam do mesmo lugar, eu temo que ao dormir os sonhos sempre vão ser os mesmos, pesadelos ou não isso me incomoda de uma forma que eu não posso agüentar! Todas às vezes são os mesmos personagens sombrios, o mesmo cenário colocado em minha frente, a única coisa mutável ali, é com certeza a causa da morte! Em todos os sonhos eu me vejo morrer! Ora envenenado com uma lança que transpassa o meu coração, ora retalhado, hehe, o que eu mais gostei até agora foi o enforcamento, Deus, eu morro tantas vezes que penso estar vivendo num inferno! A Diferença é que são apenas sonhos, e eu estou pensando demais nisso, hehe, desde que eu mandei deiman acabar com aqueles vermes que viviam naquele lugar, aquele bairro pobre de azetsirt eu tenho estes pesadelos, mesmo que eu não tenha participado da matança, eu fui o idealizador! Eu estou pagando o preço sugerido pela vida! Bom... pouco me importa, se as portas estão fechadas com cadeados feitos de ouro, bastam apenas alguns bons homens com armas poderosas, para quebra-los, eu apenas uso os homens, eles trabalham para mim e eu os pago conforme a realização do trabalho, em meio a nós não existe nenhuma relação especial, de amizade ou confiança, todos agimos pela mesma coisa, dinheiro! Se eu deixar de pensar em pesadelos e puder me concentrar com as coisas que valem realmente a pena pensar, eu estarei feliz, Bom, foi um bom momento! Agora preciso me arrumar, terei de levar meus filhos ao parque, hehe, talvez hoje aconteça algo interessante! - terminando de pensar, Grimu tomou o rumo até o banheiro, um lugar peculiar, com televisores, rádios, dois computadores, e uma vasta área! Mais parecia uma grande sala que um banheiro, Parecia não estar preocupado com os pesadelos.
- Hoje é dia de igreja, bom, eu estava precisando disto, preciso falar com meu Deus sobre isso, hehe, espero que ele não cobre muito caro para uma consulta!
Os dois filhos de Grimu apareceram na porta do banheiro, eram eles, Marco jaqu'es joaquim, mais velho, e tom jaqu'es joaquim, carregavam o sobrenome do pai e da mãe.
- Pai, pai, pai! - exclamou o mais velho.
- hum? - disse grimu sem prestar muita atenção em Marco.
- hoje é dia de ir ao parque não é?! vamos lá, vai ser legal, hoje é a nossa formatura, eu vou ingressar no colégio do estado, huhu!
- colégio do estado? Esse garoto está ficando louco, a país em guerra e ele pensando em escola, tisc... mas não há um jeito certo para explicar a ele, afinal, é meu filho - pensou grimu.
- Agora que eu tenho 14 anos, eu vou me esforçar o bastante para ser grande igual a você pai, vou me tornar um homem justo a sua imagem e fazer com que todos saibam que ainda há justiça neste mundo! Vou me tornar um deputado, comprarei alguns imoveis e me farei merecedor! Serei tão grande quanto o mundo! Quem sabe algum dia desses eu não possa lhe dar um carro?!
- HOHOHOHO! isso soa bonito filho! então.. vamos, quero ver a sua formatura, e a de seu irmão!
Tom era tímido o bastante para não abrir sua boca nem diante de seu próprio pai, tinha problemas quanto a escola, por ser muito quieto caçoavam do mesmo, em um ninho de cobra uma pomba jamais deveria sobreviver, mas não era o caso de Tom, que agora completava 12 anos de fato!
- E você filhão? como foi o seu ano? - grimu perguntou a tom, dentro do carro.
- A.. Pai.. eu dei o meu melhor!
- entendo, se esforce para se tornar um grande homem, igual a seu pai AHAHAHAH - riu.
O mais incrível na família Jaqu'es joaquim, era que todos pareciam normais, nenhum deles demonstrava qualquer índice de loucura, e por onde passavam era cumprimentados, tanto os velhos quanto os mais jovens, respeitavam grimu, o homem havia se tornando uma grande autoridade naquela pequena cidade! Grimu guiava o carro com calma, parecia estar passeando por uma estrada pavimentada por anjos, nada retirava dele o bom gosto de guiar pelas ruas ricas e belas.
- Se eu parar para pensar, realmente eu sou sortudo, me casei com a mulher mais bela desta cidade, penso eu, me tornei um advogado com pouco tempo de faculdade, sempre fui esforçado, ao contrário de meu irmão, o imbecil sempre falou mais do que fez, e enquanto eu estive estudando sobre as leis e gravidades dos crimes, ele continuava a praticar esgrima, haha, de fato éramos uma família feliz, assim como a minha família agora é! A mudança de tempos não obteve nenhum sucesso sobre mim, hehe, e quanto mais o tempo se passava mais rico eu ficava, e meu irmão?
Pobre, o idiota continuava na pobreza e com certeza morreria nela! Era incrível como o tolo se interessava por livros que falavam de história medievais, e também de contos sobre bruxas, orcs, lobos que falavam, enquanto eu buscava poder, ele buscava a mágica do universo inexistente! Embora a algum tempo atrás eu tenha ouvido falar de um homem que corria os montes e rasgava os céus sentado sobre lobos, ele os domava e muito mais do que isso, eles eram amigos, era o que meu irmão dizia, embora esse homem nunca tenha sido revelado, dizem as línguas de toda este lugar, que morreu de tristeza, ou de qualquer outra causa, não importa! - pensava grimu.
- Amor?!
- hum? - grimu.
- Já chegamos!
Grimu perdera a noção do tempo enquanto dirigia e pensava, eles haviam chegado no lugar da formatura e mesmo com os seus filhos saindo em direção aos assentos, ele continuava parado no carro, sendo preciso que sua mulher, Hanabi, o chamasse diversas vezes, enfim estava acordado.
- A, perdão, eu estava meio pensativo aqui hehe! - grimu.
- tudo bem, mas tente se concentrar na formatura de seus filhos, eles almejam crescer e se tornar aquilo que você é!
- hm, não tenho certeza quanto a Tom, ele não me parece muito interessado... Ele se parece muito com meu irmão não é?!
- Não diga isso nem de brincadeira grimu, Tom jamais será como ele, é um insulto a imagem de meu filho!
- ok, ok! - disse grimu, que mais foi impulsionado pelo desejo de não discutir com a sua amada.
- mulheres sempre falam demais! - pensou ele.
Os dois se dirigiram aos assentos junto de seus filhos, ao que se podia ver formavam um belo casal, exceto pela barriga avajantada de grimu, que quebrava parâmetros, e invejava os concorrentes, que pensavam muito na forma que o gorducho havia conquistado a mulher dos sonhos de todos eles.
- Isso vai muito além de amor! - pensou um homem sentado a direita da senhora Hanabi.
De fato a mulher de grimu era muito bela, estava na casa dos anos de ouro, sua aparência era como a de uma princesa, jamais repetindo roupas ou sapatos, era muito materialista e por isto, grimu se esforçava em seu "trabalho", se é que aquilo poderia ser chamado de trabalho!
- Bem, onde eu estava? hm, entendo, depois que eu falei de meu irmão, tom me disse que não queria se tornar político ou algo relacionado ao "grande mercado do dinheiro", ok, isso não me importa, hehe, se Marco seguir o meu caminho eu estarei contente, afinal, ele é o primogênito, e o mais sábio dentre os dois, penso que quando este souber dos caminhos obscuros que eu trilhei não me condenará, diferente de tom que mesmo vivendo em uma eterna sombra e bebendo sempre da melhor água reprovaria minha atitude sobre tudo, e não desejaria isso! Patético, bem não se pode ter tudo que se deseja não é... nem mesmo eu consegui tudo!
Quanto mais eu buscava, mais encontrava, em meio a assassinos eu vivi, salvei suas vidas, o trafico de drogas foi o que com todo o orgulho fez de meu futuro muito mais promissor que qualquer outro, após salvar um pequeno traficante da prisão, consegui descobrir de onde vinham as cargas, onde estavam os pontos de encontro e todo o resto, fiz com que ele fosse preso e condenado a morte, hehe, foi fácil, até demais, me surpreendi com a inocência do homem, primeiro eu o ajudei, depois descobri de onde vinha a fonte de seu poder, e em final de cena,o matei, hehe, é claro que eu não desferi o golpe final, eu não me sujaria com vermes, jamais mataria alguém para conseguir algo, sempre mandei com que fizessem o trabalho para mim, e sem problemas, consegui tudo que sonhei, quero dizer, quase tudo! E isso me deixa triste, quando penso em minha vida, eu poderia ter tudo... mas não tenho, O Mundo deveria escolher melhor os seus reis, e se eu tivesse uma chance, seria o dono deste mundo, hehehe, assim penso eu!
Alunos seguiam para o palco, onde recebiam o certificado de aprovação da escola, para muitos que estavam ali, apenas uma perda de tempo, mas para Marco, uma honra tamanha que mal podia esconder o seu orgulho, assim como sua mãe, que esperava ansiosa a entrada de tom, amava os dois, mas tinha mais carrinho para com Tom, afinal, era o mais calado e mais sóbrio dos dois, Sua mãe jamais entendia o que o garoto estava pensando, e nunca fez questão de questiona-lo, o silêncio que corria dentro de tom jamais fora abalado por questões inferiores.
O maior problema de grimu ali era a concentração, mal percebera que seu filho marco já estava frente a ele no palco. De Súbito resolveu intervir na entrega dos diplomas, ali se iniciava a explicação de um dia interessante, como disse em outrora. Sua mulher não se mostrou surpreendida, sabia que aquilo aconteceria, certamente ela o via quando ele estava escrevendo, era certamente um texto sobre aquele dia, Grimu subiu até o palco e foi ter com o diretor da escola, que se mostrava muito feliz ao ver sua presença ali, rapidamente o diretor voltou e anunciou algo diferente daquilo tudo.
- Teremos aqui, um convidado ilustre, um homem que nunca ninguém viu igual, o qual vocês ouviram um pouco de suas palavras, por favor, recebam com alegria o grande deputado "Grimu Jaqu'es Joaquim".
A multidão de pais saudou o homem com palmas e mais palmas, assobios, demonstrando contentamento.
- é com certeza uma honra ouvir o discurso deste homem - disse um velho atento ao movimento de grimu.
- Meus caros cidadãos, amados amigos e companheiros, Aqui eu me levanto e diante de todos peço a liberdade para expressar um pouco de meu sentimento, sobre tudo o que é bom e livre nesta terra!
As salvas de palmas eram imensas, e os assobios intensos, ao saber do início de tudo a multidão se calou, esperavam um grande e belo discurso, e não iriam se arrepender!
Grimu olhava para o povo, parecia contente, e se mostrava inocente sobre os fatos que se colocados em uma balança quebrariam o seu coração.
- Grandes dias estão por vir para cada um destes que aqui se forma - disse isso agarrando seu filho marco, que agora sorria incessantemente, estava contente - Grandes dias ensolarados e felizes, e sabemos que todas estas crianças farão à diferença, eu sinto quase como se pudesse ver dentro de meu coração o futuro brilhando como um grande fruto de ouro, isso me traz a felicidade e esperança de que tudo ainda poderá ser concertado, a guerra é eminente neste lugar, e muitas pessoas se perderam! Isso nos faz pensar que, enquanto mais lutamos mais temos de lutar!
Para mostrar que o mundo ainda pode suportar as dores e dar a volta por cima, nós temos o poder de escolher o destino que devemos seguir, e é por isso que eu peço a vocês, crianças que carregam o futuro, que se compadeçam e escutem com seus jovens ouvidos os conselhos dos mais velhos, honrando os seus pedidos e desejos, façam deste lugar, um grande lugar de paz! Seguindo assim o ideal do velho homem, trabalhando apenas para construir um castelo de ouro e felicidade! Obrigado a todos - saiu do palco ainda abraçado com o filho, a multidão apreciara o discurso, e todas as palavras foram degustadas com prazer, nem mesmo lembrete sobre a guerra civil parecia afeta-los,
tudo parecia correr bem, da forma que grimu pensava!
voltou a sentar, olhando para seu filho mais novo, encostou sua boca ao ouvindo do pequeno e disse:
- Você também será grande meu filho, até que os tempos sejam jovem novamente, você terá a sua grandeza, é o que eu espero de meu filho!
Tom pareceu perturbado com aquelas palavras, e além do mais, era a sua vez de subir ao palco.
GRIMU apenas sorria, e de todos os lados via o seu poder ser exercido, ele podia mudar a escolha dos homens, com apenas um sibilar, suas palavras eram dóceis, diferente de sua personalidade possessiva!
Do alto do palco tom parecia contente, seu pai havia encorajado-o, coisa rara, muito rara.
- Vou dar o melhor de mim, ele espera isso, e eu tenho que fazer com que ele mesmo me veja crescer diante deste mundo! Eu não esperava isso... - Tom.
- Bem, bem, bem, - disse marco - agora eu já posso me tornar alguém muito poderoso, vou estudar muito para me tornar isso... a justiça de meu pai, também dorme dentro de mim!
O homem que todos imaginavam não existia, grimu enganava a todos, até mesmo sua esposa, quanto aos assassinatos, roubos e destruição, apenas os seus seguidores sabiam, incrível como este homem conseguia dividir tão bem as suas tarefas.
- Me parece que tom está mais motivado, isso é bom, ele não é igual ao meu irmão, hanabi tinha toda a razão de dizer isso, hehe, bom, a formatura terminou, só me resta cumprimentar estes vermes que virão puff... Isso é cansativo, mais é preciso, tenho de fingir ser bom o bastante para salvar a vida destes vermes, enquanto na calada da noite eles morrem pelos meus ideais! Sinto que tenho mais de duas personalidades, por isso, consigo conciliar tudo! A falsidade constrói muitos castelos de ouro sem nenhum esforço.
Os homens vieram cumprimentar grimu, ele sabia melhor do que qualquer um ali, aquilo deveria ser feito, para ganhar mais e mais admiração!
O padre da igreja principal estava presente, tinha assuntos a tratar com grimu, e também, veio para associar a igreja com a sabedoria que ele dizia existir dentro dos santos.
e assim foi o encontro dos dois homens de "bem:
- Bom tarde senhor deputado! - disse o padre.
- Bom tarde padre, como está?
- vou bem, muito bem! - disse o homem - E o senhor como tem passado? a benção de Deus certamente está sobre a sua cabeça, seus filhos são muito esforçados!
- Vou bem padre! - limitou-se a responder - Temos alguns assuntos para tratar em particular não é?!
- Com certeza! Vamos até a minha capela, já estaremos seguros e livres!
- como quiser - e foi simplesmente assim que Grimu deu a chave de seu carro para a mulher, e partiu com o padre até a sua capela, de começo hanabi estranhou a atitude e a reprovou, nunca vira grimu tão animado, ele nunca andava tão longe! Mesmo a distância sendo de apenas quatro pequenas quadras.
Já dentro da capela, o padre se sentou fazendo reverencia ao político, e fazendo um sinal com seu dedo, informando-o para que se sentasse à conversa poderia ser longa.
- Agora vamos tratar de negócios senhor jaqu'es!
- Com certeza, hehe, tempo é dinheiro!
Lá fora o dia estava quente, o sol gigantesco emitia todo o seu calor, dentro da sala estava muito quente e a reunião também estava com um clima diferente!
- Diga-me senhor Grimu, porque não citou a igreja em seu discurso? Você mesmo deveria entender que a sua palavra vale de muito, e o efeito pode ser notado na mesma hora, porque não citou a igreja no discurso de hoje?
- A, foi um erro, desculpe, eu me esqueci completamente!
- senhor grimu devo advertê-lo que o nosso contrato é recheado de clausulas que podem destruir muitos de seus empreendimentos! Saiba que a não participação da igreja em suas palavras pode ferir a nossa fé, e mais do que isso, o lucro gerado pelos fiéis podem cair pela metade, isso seria problemático não acha? Deus perdoe as nossas atitudes, mas nós precisamos de dinheiro para tudo, essa tal guerra civil, está destruindo a crença dos meus fiéis, muitos vieram até mim, perguntando se a existência de deus, é real! Eles estão totalmente perdidos, a fraqueza humana diante de Deus me deixa triste, se o senhor por ventura tivesse feito de seu discurso um ponto para criar uma união informal com a igreja, nós agora não estaríamos discutindo!
- Eu errei, mas isso não é motivo para o senhor falar tanto padre! - grimu.
- Você não entende Grimu? A Dúvida sobre a existência de Deus tem sido um grande problema para todos nós representantes da igreja, mas, deixaremos isto de lado, o senhor está perdoado, só precisa rezar um pouco mais, e lembrar da igreja em seus momentos íntimos com o dinheiro!
- Obrigado Padre! - grimu.
As reuniões naquela capela eram importantes e para que isso pudesse ser feito, toda atenção era dirigida as portas da igreja que se fechavam, e só tornavam a se abrir duas horas depois do encontro! Dentro daquele tempo, nenhum fiel poderia entrar na capela, para rezar ou pedir conselhos ao padre.
- Responda-me e seja franco nisso, padre, nenhum deles desconfia de nós? - grimu.
- Mas é claro que não meu filho, nós homens de deus, somos temidos e vistos como os próprios anjos, eles não podem e nem querem levantar falsa testemunha, pois isto pode custar muito caro!
- Não é isso que eu quero saber, pouco me importa se eles temem ou não, o ponto é a dúvida, a desconfiança.
- não! Nenhuma!
- Assim está melhor! Sinto o meu coração desinchar, se por algum motivo alguém nos ouvir, estaremos fritos serialmente encrencados entende? e eu não quero que isso aconteça!
- Nenhum de nós quer! - disse o padre abrindo a geladeira e pegando uma garrafa que naquela hora se entendia como vinho - Vamos brindar a velha infância e a alegria dos deuses!
- Ok, este vinho é de uma boa marca, vejo que o dinheiro dos fiéis está sendo bem empregado, mas... - parou para provar do vinho que o homem lhe oferecerá, certamente era um vinho caro pois seu sabor era muito bom - este vinho não se parece com aquele que é servido aos fiéis, aquele me parece com o vinho feito para o povo, que pode ser encontrado em qualquer mercado ou armazém!
- Parabéns por ter notado a diferença, em verdade eu coloco apenas um litro deste vinho que custa muito mais caro que a vida de todos os pobres que vem aqui, em um barril, e então termino de completá-lo com o vinho de menor preço, sendo assim, ninguém costuma perceber, o sangue do cordeiro não precisa ser dividido com a escória! E ainda mais agora, muitas vilas ficaram pobres, e as cidades destruídas, eu ainda não consigo acreditar nesta guerra, é sem sentido, deus nun... - parou para tomar um gole do vinho, e também retomar o fôlego que agora lhe faltara - hm, este vinho é o melhor entre os melhores, a sensação de tomá-lo é quase como se eu estivesse a correr pelos campos e campos da salvação, vendo o redentor abrindo os seus braços para mim! É de grande prazer! Mas como eu ia dizendo, eu quase não acredito que neste país a guerra tomou um rumo diferente!
Após algum tempo silencioso, grimu tentou explicar ao padre.
- Não tente entender padre, você não poderia, creio que nem todos estão aptos a entender o desejo da glória humana, a maioria apenas se esconde!
- hehe - sorriu o padre sem graça, sabia que aquilo tinha sido quase como uma agulhada em seu peito, era dele que grimu se referia.
- Mas isto não importa como eu disse, eu não vim aqui para perder tempo! Como está a colheita deste mês?
- Como eu disse, a guerra impôs um limite nas doações, e elas caíram consequentemente, em dois meses, as nossas colheitas humanas caíram cerca de dezenove por cento, em dinheiro, dois por cento em objetos de valor e afins.
- e..? - grimu.
- E isso vai se agravar, se a guerra não terminar logo, eu terei de ajudar as pessoas desta cidade com o meu dinheiro, você entende o que isso significa? adeus a vida calma e cheia de regalias, tens de entender que mesmo tendo eu trapaceado e roubado, ainda sou homem de palavra, e ajudarei a qualquer que precisar, como sempre fiz, em meus votos prometi não me desfazer de nenhum deles, nenhum! Pois quando estes tolos têm, me presenteiam com toda a sua alegria!
- hoho, como és cruel, ó homem de deus! - zombou grimu.
- Talvez eu seja talvez não seja não é problema meu entender isso!
- E o que devemos fazer? Para melhorar isso?! - grimu.
- Ainda não sei, mas se você fizer uma grande campanha, tenho certeza que eles acreditariam em você, a política se sobressaiu aqui nesta terra, muito além de minha compreensão! a religião está sendo afundada mais e mais num poço sem fim!
- Para um padre você é até inteligente, tenho certeza de que se eu fizer um comício com ideais religiosos eles me ouviram, eu posso conseguir isso da noite para o dia, é tão fácil quanto tirar doce da boca de uma criança, vencer uma corrida contra uma tartaruga, e qualquer coisa deste tipo!
- Sei que pode! e sei que fará, pelo bem de nosso redentor e salvador, vá em paz agora meu amigo e filho!
- Obrigado padre - ao sair da sala, grimu fez uma reverencia a imagem do santo pregado na parede, seu respeito para com os deuses era maior que a sua vida.
- Até mais ver! - Disse o padre fechando a porta!
Grimu não estava afim de voltar para casa, sentiu novamente a necessidade de expandir seus conhecimentos pela cidade, a tempos não andava por ela, e com isso estaria promovendo seu trabalho como deputado preocupado com as condições do povo, montando assim duas armadilhas para pegar apenas um coelho, a chance de acerto de quase cem por cento. Enquanto caminhava observava crianças correndo de um lado para o outro, estavam animadas o bastante para correr enquanto dormiam, o começo de toda a escuridão estava na capital do país, denominada Scar, e logo logo, se expandiria até azetsirt, mesmo assim, não se preocupou.
- Quando isso acontecer eu vou apenas fugir, eu posso e devo fazer isso - disse ele em voz baixa, não queria atrair mais atenção do que já tinha.
Ao ver as pessoas que continuavam a observá-lo, fez questão de levantar a corrente em seu pescoço e mostrar uma cruz, propagando ali, a mensagem de um salvador, tudo corria em seus conformes, grimu sabia dar um passo maior que sua própria perna sem cair e nem tropeçar!
Muitos que viram a demonstração de grimu entenderam naquela hora que deveriam procurar a igreja mais próxima, a inocência por parte dos homens era muito grande!
De dentro da igreja, o padre avistou duas mulheres, que vieram ter com ele, e após alguns momentos de conversa! Entraram na Igreja, o padre astuto como sempre, olhava para todos os lados, não queria interrupções! E ali, se fez completar o valor da desventura, e da desgraça que caia sobre o homem em um passe de mágica, quando os juramentos eram quebrados e toda a fé removida do corpo, onde tudo se tornava flácido, e o sal corroia as juntas daquele homem, que um dia jurou para si fazer o correto!
- mas o que é correto? eu jamais saberia dizer, eu sou apenas um homem que carrega a palavra da vida, não cabe a mim entender os mistérios que me cercam, e se tudo corre como eu desejo, é porque a palavra do redentor está comigo - pensou ele.
- Acabo de me lembrar de um fato curioso, embora eu o carregue como parte de uma culpa, continuo o mesmo, hehe! - O fato curioso era senão o envolvimento de seu irmão nos negócios de grimu.
PARTE 2.
"Culpa".
Dim Dom - fez a porta, do lado de fora um homem magro o bastante para passar por debaixo da porta estava a esperar alguém, Parecia dês-confortado tocando novamente a campainha, era o sinal, dois toques, a porta se abriu completamente, ao entrar reparou em tudo, a casa era completa e muito boa aos olhares humanos, o primeiro cômodo era como uma grande sala, com um tapete de pele de urso, e uma cabeça de tigre empalhada, no canto ao lado da lareira estava um homem, que parecia tê-lo esperado por algum tempo.
- Então você veio você terminou-o? - perguntou com a voz oscilante, estava tão preocupado quanto o homem que batera em sua porta, esperando pela resposta apenas mexeu sua mão para pegar uma rancora de vinho.
- A! eu terminei o meu trabalho - o homem tremia, o suor corria pelo rosto tomado pelo terror - Mas eu me pergunto o porque de eu ter feito aquilo, eu disse a você uma vez a luta só serve como razão quando se protege algo realmente verdadeiro, eu descobri o real motivo para isso, eu estou totalmente arrasado contigo, tu apenas usou de minha boa vontade para destruir, como eu posso olhar para teu rosto e não sentir pena dos teus desejos?
- Não se preocupe, não pretendo explicar o real sentido de nada a você, eu apenas dei a você uma missão importante, e você a cumpriu, isso é bom, muito bom, tenho de parabeniza-lo, afinal poucos são aqueles que não temem a escuridão e a morte!
- O mesmo eu digo a você, pois de dentro da escuridão tu jamais sairá, esse será o seu destino, caminhar por onde os ratos carregam os corpos, o sangue dos inocentes ainda servirá como água para o teu banho, e quando estiver afogado no sangue pútrido entendera o que eu tentei lhe dizer! Não será agora que a destruição entrará em tua casa, mas um dia com certeza tu cairás, assim como eu cairei por ter feito algo que não é digno, eu...
- ok, ok, ok, você sempre fala demais, e por falar demais nunca teve algo gigantesco para se espelhar, diferente da pessoa que você vê, eu estou de pé acima da sua pirâmide, meu amigo, estou assentado no trono dos grandes homens, e o prazer disso me eleva até o céu!
- Tolo, A JUSTIÇA NÃO CAIRA ASSIM... como uma pena de um pássaro qualquer...
O homem perdeu a paciência olhando com desejo de matança para aquele que estava sentado a lareira.
- Você sábia que uma espada só deve ser levantada contra quem prega a destruição de vidas? - disse ele, tirando uma arma do bolso, parecia comprometido a matar o homem, e demonstrava ter motivo para isso - Eu tentei ajudá-lo mas tu nunca pareceu se importar! Tentei alertá-lo mas nunca me ouviste, tentei juntar as peças do quebra-cabeça para provar que eu estava certo este tempo todo, mas foi tudo em vão! E agora tu me vens com a idéia fixa de que tenho de eliminar todos os seus problemas! E quando ao ideal verdadeiro que a justiça deve carregar? E quanto aos homens de bom coração que vivem nesta terra! Porque deveríamos traí-los?! Eu deveria matá-lo de uma forma cruel, cortando o seu espírito ao invés de corpo, ISSO NÃO É BRINCADEIRA! - Terminou o homem que já estava frente ao outro, na lareira o fogo queimava cada vez mais, um olhando no olho do outro, nenhum dos lados queria deter a força, o mistério que corria ali naquele momento.
- Você sábia Grimu... Que quando se mata uma outra pessoa sem um real motivo ou razão, o assassino só tem uma chance de não ficar louco? Ou ele continua a matar as pessoas, ou então... a loucura começará a visitá-lo, Eu não queria ter feito aquilo mas fiz, fiz pois pensei que tu eras a vítima, e em verdade a vítima foi quem eu matei, o sangue de sua cabeça escorria em minhas mãos, os olhos já cegos pediam perdão, dentro de sua mente ele perguntava se haveria uma redenção para seu espírito! Agora... - Então era grimu o homem sentado ao lado da lareira, com a espada meio aos seus olhos apenas observava a cena, friamente afastou a mão do homem, fazendo com que ele se conte-se, olhando em seus olhos da mesma forma disse:
- Bem, é como você disse, quando se mata um humano sem um real motivo, só existem dois caminhos, ou tornar-se um assassino rico e feliz, ou um louco que será facilmente pego pela justiça que você tanto prega, cabe ao feitor escolher! Eu apenas usei o seu poder e técnica, eu nunca quis que você tivesse que se tornar um assassino, isso será escolha sua embora eu ache que seria de grande ajuda a sua matança, sei que pode escolher um caminho melhor do que a miséria, o homem que você matou não era nem de longe inocente, um traficante de médio porte, porém... Capaz de erguer muitas bases de comércio aqui nesta cidade, o que seria pior? Você matar a fonte de problemas? Ou ver os filhos da nossa geração caindo na tentação desta cidade? Se tornando usuários de drogas e todas as desgraças que caem sobre nós? Você fez de sua desgraça a justiça, e nas noites mais escuras a sua atitude subjugara toda a maldade humana, então o que me diz? Prefere a prisão do seu corpo dentro de uma cela? Ou a liberdade incondicional? Faça a escolha, faça o jogo valer a pena! Agora já está feito, não tem o que se arrepender!
- O Cérbero, grifos, quimeras, orcs, anões, eu vivia naquele lugar, dentro dos livros eu preferia ter me escondido, onde as coisas eram nobres e os ideais puros, como nas histórias dos grandes reis de outrora, onde apenas a justiça reinava, eu sonhei viver uma dessas lendas, me vesti com uma grande capa, me senti um rei ao experimentar uma coroa de brinquedo em uma loja, Eu preferia ter vivido dentro de meus pensamentos, eu desejaria a eternidade dentro dos sonhos! Agora me vejo aqui com sangue nas mãos, certamente todos aqueles anos aprendendo a arte da esgrima me fizeram bem, eu aprendi em pouco tempo como me defender dos ataques, mas nunca pensei que teria de usar tal arte para um ideal tão pútrido! Eu... sou...Fraco! - disse o homem.
- BLÁBLÁBLÁ! quanta porcaria você lê hein?! Quem se importa com Cérbero? ou Orcs? o que importa neste mundo é o dinheiro, a fama, e a beleza exterior, poucos são aqueles que desejam entender a sua mente! Todos querem a mesma coisa, e no final só os bons a tem! Pare de chorar sobre o seu passado e concentre o resto da sua vida no presente, procure um objetivo e fixe sua idéia, compre tudo e todos, façam deles os seus escravos, e assim suba na vida, Eu como advogado poderia recitar milhares de leis, e é por isso que posso dizer, a lei não funciona, hehe, apenas uma besteira escrita por vermes, no final, quem tem mais poder vence, foi isso que percebi defendendo todos esses traficantes, não são diferentes de eu e você, eles apenas correm atrás de seus sonhos!
- Como se você entendesse o que é honra não é, tu falas como se fosse o dono da verdade, mas de longe se pode perceber o quão tolo é, e o quanto seus ideais são sem sentido! Compromete-se com a justiça ao olhar dos homens, no entanto quando está em sua casa demonstra o verdadeiro desejo de destruir tudo o que existe de bom nesta terra! e Quando a podridão alcançar a sua casa... Será um grande homem!
- pufff... - suspirou grimu, estava cansado daquela conversa, tomou um gole longo do vinho, e tornou a sentar, sábia que o homem estava mais calmo - Embora você diga isso, o seu destino será igual ao meu! Não temas, se tu cair eu cairei junto de ti, e se eu crescer tu também crescerá, o que achas de um pacto?
- E o que sabes sobre pactos? e como eu posso fazer um pacto com alguém com um ideal tão distorcido como o teu? e como acreditaria em suas palavras? - soltou o homem.
- Apenas acredite, nós somos irmãos se esqueceu disso? Eu nunca trocaria a sua confiança por algo incerto! eu prometo!
Grimu continuava a andar, seu pensamento estava no ápice quando foi interrompido.
- Paaaaaaaaaai! - disse um garoto.
Grimu olhou para o lado, era marco correndo em sua direção, a sua mulher decidirá não ir embora, hanabi não gostava de voltar para casa sem o marido, em verdade temia algo.
- Hanabi, marco, tom - sorriu grimu - a que devo a honra da presença de vocês?
- pai, pai! Vamos passear? Hoje é um dia especial então eu pensei que poderíamos continuar este dia juntos!
- OK! - grimu.
Diferente do que se deveria pensar, hanabi não tinha ciúmes de grimu, pois Desde o início, não sentia amor. O casamento era apenas uma forma de aprisioná-la a um homem, e já que aquilo teria de acontecer cedo ou tarde, colocou todo o seu empenho em uma maquina de fabricar dinheiro, chamada "Grimu". O homem não tinha uma feição muito bela e por mais simpático que demonstrasse ser, aquilo era uma mera representação! ela sabia melhor que qualquer outra pessoa o seu marido jamais a traíria, pois era a mulher mais bela da cidade, E grimu não era um tolo por inteiro, sábia o valor daquela mulher, cobiçada por todos!
- Vamos visitar a minha mãe? - disse grimu tomado de nostalgia, aquele dia fora reservado para visitas.
- Hm, você é quem sabe amor!
- Então vamos lá, entrem no carro e vamos ver a vovó - Disse aos filhos, que entraram rapidamente dentro do carro.
- Faz tempo que não a vemos não é tom? - disse marco.
- Hm, é verdade.. - tom.
A falsidade era o ponto forte entre os adultos daquela família cada vez mais ligados, e por mais que se parecesse verdade, muitas dúvidas surgiam fazendo com que a mesma família caísse em desgraça silenciosa, esperando apenas uma grande tumba para poderem repousar.
O caminho para a casa da mãe de grimu era um pouco extenso e ficava na cidade ao lado de Azetsirt, chamada: Geon do Norte a cidade das luzes, na pista principal para a saída de azetsirt uma frota de carros estavam por tomar o tempo de todos e não deixavam com que os carros passassem, grimu viu um homem com a farda do exército se aproximar deixando transpassar um sorriso.
- Como vai senhor deputado?! - era o major do exército da cidade de Geon.
- A, vou bem Jeffy, e você?
- Melhor do que nunca! Bem... Não sei como explicar isso - disse olhando para os carros empacados na pista - mas, todos estão impedidos de passar por esta estrada eu espero que entenda, os rebeldes chegarão ao interior e eu temo a pior das desgraças! Uma guerra total - Jeffy por sua vez tentou colocar naquele sorriso um pequeno sentimento de medo, porem não teve sucesso, estava acostumado com as brigas, e matanças, afinal todos aqueles que conheciam Grimu tão bem conversar com ele a mesma altura eram "pessoas más", A máfia usando a capa da justiça.
- Não brinque com isso, não é legal, meus filhos desejam visitar a minha mãe, assim como eu também desejo sair para tomar um ar fresco, eu preciso passar!
- Entendo a sua preocupação, mas a cidade já foi devastada, em verdade a força de combate restante somos nós!
- O QUE? - perguntou grimu espantando.
- Eu falo sério! Toda a força bélica se foi, as guaritas foram tomadas e os homens rendidos, isso não é brincadeira.
- Quantos passos a frente eles estão de vocês? - grimu.
A muitos metros dali, um atirador se preparava para terminar o seu trabalho, estava cerca de vinte e cinco metros da vítima, e não poderia errar, se o fizesse estaria morto! O general continuava a falar sobre as probabilidades e se questionar de estar ali naquele momento, deveria fugir assim como fizeram os seus parceiros, em uma cidade pequena como aquela, deveriam rumar até a capital e se reagrupar, formando uma força de luta e contenção ainda maior!
- Não sei, mas isso é problemático. - começou o major novamente.
- se nós n... .
BOM, BOM..
- Tarefa cumprida! - resmungou o atirador saindo de cena.
Não teve tempo de terminar o que tinha a dizer, o major fora acertado e o tiro havia destruído sua cabeça, percebendo a gravidade do ataque, grimu só pensava em sair dali, deu meia volta com o carro e partiu em disparada, desesperado, tinha escapado da morte e por um triz, sabia que era culpado pela morte do major, e pensava num erro do atirador.
- Sabe lá se ele não errou de propósito, apenas para me amedrontar? ou quem sabe poderia matar apenas um de nós... Mas isso está errado, como eles descobriram a conexão entre nós?! Não espere, espere grimu, você está sendo precipitado outra vez! Eles não sabem de nada, Não sobre mim! A suposição mais provável é que o major jeffy foi realmente cruel em seu trabalho todos estes anos, um homem com mais de quarenta anos de trabalho junto a polícia não poderia ser uma boa pessoa, sei que agia cruelmente, como queria e quando queria, fazendo assim o seu próprio julgamento!
Grimu acertara em cheio, o major não agia normalmente, não esperava pregar a justiça, e então matava seu tempo, procurando por aqueles que nada tinham a oferecer, matava e extorquia, e agora jazia morto! Sem um final esplêndido para a sua carreira, e sem uma luz para oferecer a nova geração!
O carro partia em alta velocidade de volta para o seu ponto de inicio, A casa, Dentro dele, todos guardavam o medo e quando os olhares se cruzaram palavras não eram desferidas, apenas o medo reinava ali, Grimu que sabia o bastante para gritar e pedir perdão, pisava forte no acelerador do carro, assim a família fez o percurso muitos minutos mais cedo, como um raio!
- Entrem rápido, não sabemos o motivo da morte do major, porem, vamos rezar pelo seu espírito em silêncio, eu farei a minha parte enquanto procuro algo, vão! - disse grimu.
- sim! - responderam os três restantes ao mesmo tempo.
- Quando as coisas ficam feias só há uma pessoa a quem posso recorrer, e mesmo assim, neste tempo eu não poderia pedi-lo para que faça algo, isto não é uma briga e sim uma guerra, e os nossos inimigos são piores do que nunca, eles são os próprios moradores do país, puff... o quão tolos são estes a ponto de acreditar numa revolta? isso não trará a felicidade para eles, o que eles vivem é senão um terço da felicidade, embora escravizados tem o que comer, deveriam continuar com o seu trabalho e apenas isso!
- Bem! não é hora para pensar demais grimu - Disse a si mesmo - Preciso entrar em contato com Deiman agora mesmo!
Grimu não fora a lugar algum, estava apenas se direcionando ao sótão da casa, logicamente fazia o caminho cauteloso para que ninguém pudesse ouvi-lo, desceu então até encontrar uma porta pequena, e retirou uma chave do bolso, ninguém sabia da existência desta porta, pois a sua frente um grande baú tomava todo o seu espaço.
- O que aconteceu? - perguntou grimu, estranhando o fato do baú não estar em seu devido lugar - Aquele maldito deiman, dou a ele um lugar para se viver e ele continua a me irritar, tenho sorte que a chave deste lugar está em minhas mãos, fora isso, não há problemas! Não ainda!
Colocou inseriu a chave na fechadura e a destrancou, ouviu se um ruído alto e fino, como um ganido, as juntas da porta estavam enferrujadas ou algo do tipo. Grimu amaldiçoou deiman por mais uma vez, o seu desejo naquele momento era de bater com um pedaço de ferro em seu rosto, como era descuidado a ponto de deixar as juntas fazerem tanto barulho, como um velho homem que em seus dias finais passa a se esquecer de seu corpo, deixando-o a mingua, sem esperanças, este parecia ser deiman.
Grimu primeiramente olhava para as juntas da porta, estava manchado de vermelho, um vermelho conhecido por ele, de um instante para o outro percebeu o que era, e sentiu a raiva voltar em seu espírito, dominando-o.
-Sangue... - de súbito, tomou a trinca da porta e a girou, entrando sem hesitar!
- Deiman, deiman, estou entrando - sussurou grimu - seu inútil, imprestavel, quantas vezes eu tenho que pedir a você, para tomar mais cuidado com suas passeatas? Porque não compareceu a formatura de meu filho? eu tinha lhe dado uma miss... - Os olhos de grimu se aregalaram mais uma vez, a morte do major fora um problema, mas aquilo era senão o maior de todos.
- D..deiman...
Diante de grimu o corpo do assassino estava feito em pedaços, o sangue seco estava por toda parte, até mesmo na fechadura da porta, e foi então que tomado do terror da morte, o terror que todo homem há de sentir ao menos uma vez em sua vida, grimu clamou por perdão, para uma parede avermelhada, e diante da carne pútrida se ajoelhou, a morte haveria de alcançá-lo algum dia, porém, teria ela encurtado o tempo de procura?
- Deiman.. Como isto pode acontecer com você meu irmão?
Parte 3.
"Deiman".
No ar pairava o peso da morte, como em outrora a casa emanava este cheiro, a cada olhar descrente sobre o acontecimento uma verdade era contada, deiman era irmão de grimu, o irmão mais novo, aquele se importava com as histórias mitológicas, aquele que vivia a vida de uma forma diferente, que um dia acreditou na existência da justiça por parte dos homens, e também, aquele que se corrompeu diante pena que um dia seria lhe dada, A prisão.
Voltando ao tempo, grimu lembrava-se dos acontecimentos que envolviam os dois irmãos, e por muitas vezes soube que deiman o salvou, desde a faculdade, onde os alunos costumavam tirar sarro de grimu, não pela sua aparência e sim pela atitude, a falsa idéia de acreditar na justiça sempre acabava sendo desmascarada, muitos sabiam que grimu se tornaria apenas mais um falsário, os professores sabiam, mas de nada adiantava apenas saber, precisavam de provar de algum ocorrido para retira-lo de seu meio.
- Aqueles que se opuseram a mim e ao meu sonho, morreram! E aquele que serviu a mim este tempo todo foi você deiman, meu pequeno irmão, como isto pode ter acontecido? Não existe ninguém que saiba deste esconderijo além de nós dois, e sei que você era um homem cauteloso, desde o início sempre foi me salvando de muitos dos perigos.
Lembrou então do que seu irmão pregava quando jovem Deiman era correto, assim como o fluxo da água de um grande rio, jamais sendo interrompido!
- Uma luta só é de valor quando aplicamos a verdade junto dela, lutamos para proteger algo ou alguém, quando levantamos nossos punhos contra o inimigo devemos lembrar daquilo que estamos a proteger, e mesmo diante da morte, deve-se aplicar a doutrina da justiça.
Quando o perigo envolver seus amados sonhos, lute, defenda os seus ideais, não deixe que as trevas caíam sobre a sua mente, seja justo.
Mesmo que eu perca os meus sentidos e venha a morrer depois, estarei feliz, cumprirei a promessa que fiz aos meus pais e aos que me sucedem, ganhando assim o respeito das duas gerações, nada mais importa!
- ideais que deiman carregava, eram puros como o ouro, a sua juventude foi coroada com alegria e simplicidade. - grimu - eu agora entendo, a sujeira alcançou a minha casa, em verdade ela a superou em tamanho, e agora eu sou o homem rico que tu disseras tempos atrás! Eu usei você, para o meu ideal, perde-me deiman.
Disse grimu se levantando.
- Agora jaz meu irmão mais novo em uma sepultura, é uma pena que os velhos tenham de enterrar os mais jovens e cheios de vida, é quase um insulto! Bem não há nada a fazer não é meu irmão? Se já não existe vida dentro deste lugar, eu não posso mais pedir que faça algo a mim, eu vim aqui com esse intuito, é claro que você sabia - disse ele, retomando o controle de seu corpo - eu queria uma investigação... Não tem jeito!
Grimu tomou a chave que estava em cima da mesa para si, saindo do quarto de deiman.
- Nada mais importa não é deiman, e a justiça caiu, e o herói da justiça teve o mesmo destino, quando jovem acreditou nela, e sei também que morrera acreditando, eu criei dentro de você uma dúvida e fiz com que temesse a prisão, usei-o assim como faço com todos.
- Tenho que admitir deiman! Pensei que fosses mais esperto, ou menos influenciável, que assim seja dito, quando volto em meus pensamentos e revejo sua juventude percebo o quão fácil foi trazer você para o meu lado! Quando os sonhos se desfazem, não há outro jeito!
Por fim saiu, não tinha nada a tratar com alguns restos humanos, o enterro de deiman pouco importa agora!
- Fique ai, prometo colocá-lo para descansar algum dia, meu irmãozinho tolo seguidor da justiça cega!
A maior decepção para grimu naquele momento, não estava relacionada a perda de um irmão, nem como este teve uma morte tão cruel, e sim a perda de um soldado, um bom soldado, que talvez fosse um general, sabia que aquela perda era mais cruel que a própria morte, teria de recrutar um novo homem para isso!
- Isso será realmente problemático, encontrar alguém tão fiel como ele... Talvez eu nunca encontre!
As memórias frescas de deiman começaram a irritar grimu, sabia que este seria um grande fardo a carregar.
Dias antes do primeiro assassinato cometido por deiman, o seu irmão mais velho pediu para conversar por alguns minutos.
- Deiman, você pode parar alguns segundos a sua leitura?
- A.. Olá grim, isso é realmente necessário? - perguntou ele, deiman estava interessado em desvendar o livro - porque se não for, podemos conversar depois!
- Uma vida está em jogo, ela necessária ou não?!
Deiman percebeu que seu irmão estava falando sério, não esperou um segundo pedido, fechou o livro e esperou atento ao que seu irmão tinha a dizer.
- Você deve estar a par de minhas saídas, e também de minhas vitórias, porem, creio que não sabe de um mal que se alastrou por essa cidade!
- Mal? diga-me grim, Sou eu algum animal selvagem para que tu venhas com um pedaço de ferro sem ponta para amedrontar? estou a parte de todos os casos de violência deste lugar, se é isso que quer saber, agora continue por favor!
- Entendo, então você deve saber do primeiro traficante que foi preso neste bairro?
- Azetsirt é quase tão grande quanto a capital, posso ter ouvido falar sobre o homem, mas não me lembro de nada que venha a ser útil agora, nem a cor de seus cabelos e nem de seus olhos, mas sei que estava você a tentar retirar da prisão um destes bandidos não é?!
- Exato! O nome desse era Oscar Montain, veio de Scar para cá, no início achei que fosse apenas mais um homem, no entanto a alguns anos, cerca de dois exatamente, este homem teve o seu império aumentado de tal forma que passou a comprar todos os pontos que poderiam se vender as drogas nesta cidade, sendo assim dominou tudo! E levando em consideração a sua explicação sobre Azetsirt, sabes que o advogado mais jovem e famoso da cidade é este que vos fala, não é?
Grimu estava com 25 anos no momento, jovem e talentoso, tinha herdado do pai a malícia da expressão, e por ventura conseguia desvirtuar qualquer juiz ou lei que fossem lhe apresentada. Naqueles anos de paz, era um dos mais procurados advogados, por saber livrar tudo e todos, arrecadando um grande patrimônio que usaria para crescer cada vez mais!
Deiman tivera informação sobre tal fato, em verdade estava flutuando em um rio que não levava a lugar algum, preso a sua próprio intuição.
- Eu não sábia de nada disso meu irmão! realmente não sábia!
- Vejo que lhe peguei desprevenido não é, mas este não era o ponto em que desejava chegar, falarei agora sobre o fato que me deixou triste e descrente!
Você deve saber o quanto é difícil livrar um criminoso da sentença que já foi feita de acordo com os dados obtidos, e que livrar um pescoço assim tão facilmente seria obra de um Deus eu penso, mas como tudo neste mundo tem uma solução advogados de alto calão são convidados para tentar livrar os pobres homens da prisão, ou morte, entenda como quiser, E quando as coisas não dão muito certo para os homens que tem o dever de livra-los, se irritam e prometem muitas coisas, tanto elas boas como ruins, muitos dos presos preferem pagar mais caro para que o homem possa agir com mais confiança e sem perder a calma, outros, preferem usar muitos dos meios antigos de suborno, a tortura psicológica e física, e quase sempre isso termina com a morte do defensor do mesmo! Triste não?
- Quanto mais penso desta forma, mais me arrependo de ter percorrido o caminho da justiça!
Deiman não disse nada, fitava o irmão e silenciosamente o pressionava contra a parade, grimu sábia com quem estava lidando, mesmo parecendo tolo e em vezes sonhador, deiman podia definir quem estava mentindo ou contando a verdade, por isso não dizia nada enquanto era lhe contado o causo, e quando finalmente encerrava-se a conversa, dava seu palpite sobre o assunto!
- Você deve estar perguntando a si mesmo se estaria eu falando a verdade, ou enganando-o, tomando seu tempo, mas não estou deiman, A vida em qualquer motivo vale muito mais do que moedas e papéis com retratos de homens famosos, não importa quanto se ganhe se não poderá permanecer vivo para ganhar mais e fazer da vida o que ela realmente é, enquanto nós conversamos aqui muitas das vidas são desperdiçadas ou perdidas, eu não sei mais o que pensar! Ontem a madrugada parecia quente, quente o bastante para queimar a minha alma, e hoje recebi uma ligação desagradável, de um sujeito mais desagradável que a ligação!
- Oscar? o cara que ligou para você, seria este Oscar?
- Sim! - respondeu grimu, firme e forte - este homem tem me seguido frequentemente, está preocupado com a sua prisão!
- ... -
- Eu sei que parece estranho, mas na ligação, ele usou de um dos métodos que eu lhe falei, o suborno que envolve a morte do defensor, este homem não perdeu o seu tempo a falar comigo no telefone, disse apenas uma frase e esta eu irei repetir aqui:
- Se não puder me salvar, prepare-se para desaparecer deste mundo! - grimu.
- Tanto a frase como o meu pedido será estranho a você, mas lembre-se que eu faço parte de sua família, e que jamais esta poderá ser destruída assim, tu me amas meu irmão?
Deiman não respondeu, continuava ali o fitando.
- Sei que minha vida não importa a você, e que nós não temos muito em comum, desde que ingressei na faculdade poucas foram as vezes que nos vimos, e muitas foram as vezes que debochei de você, tanto sobre a sua leitura quanto sobre os teus atos, mesmo quando me salvava daqueles panacas da faculdade, mesmo quando estava coberto de razão!
Mas diferente daqueles dias, estes são os piores de minha pequena vida, esta é a primeira vez que fui ameaçado de morte, e isso me dói, pois sei que não posso fazer nada!
- Deveria eu ir até a corte e entregar isto ao juiz? Dizendo que a culpa é mesmo de Oscar, e que este deve pagar pelos seus atos? Talvez! Mas o problema é: estaria eu vivo para o dia de amanhã continuar a trabalhar? Tenho certeza que não! Mesmo se ele for preso estarei a mercê de seus companheiros e subordinados, morreria sem nem ao menos descobrir de onde vem o ataque!
- O que eu desejo, é justiça deiman, nada mais importa!
Deiman mexia em seu livro, brincava com a capa, estava um pouco dês-confortado com as palavras que saiam da boca de grimu, achava ainda mais estranho que grimu o procurasse para resolver seus assuntos!
- E então o que queres que eu te faça? - disse o homem cortando o longo e silencioso momento.
- Primeiramente preciso saber se tu me amas deiman, assim como eu o amo, assim como nossa mãe nos ama, em um laço familiar que jamais pode ser destruído!
- ... - Deiman.
- Porque não responde a pergunta?
- E porque deveria?! - disse deiman ríspido.
- Porque da resposta que me deres é que saberei se devo ou não continuar a conversa, se já não me amas meu irmão, então não devo lhe contar mais nada! pois tudo que disser será em vão, terei de resolver com meus próprios punhos!
- Como se tú fosses homem para tanto, puff, desde os tempos de pré-escola tu és um medroso, que se esconde atrás daqueles que ainda podem se levantar! Não é de hoje que reparo que tu só vens a mim quando tem desejo de conseguir algo! E a última vez foi se livrar de uma briga que você mesmo havia provocado! Eu não serei seu saco de pancadas para sempre grimu! Não tente enganar aquele que já viu os seus truques mais de uma vez!
Porem não poderia deixar o seu pedido de socorro no ar e não tomar nenhuma atitude, o que queres que eu te faça meu irmão? eu falarei com este Oscar e pedirei a ele, o cancelamento desta besteira que ele chama de guerra, e se isso não adiantar darei a ele um tempo para pensar enquanto estiver sob o meu sapato!
- Deiman, Deiman, Deiman - grimu assumiu um ar egocêntrico no momento, olhando para deiman de canto de olho - Você sabe melhor do que eu sobre o que fazer numa situação como esta! Enquanto discutimos aqui, ele prepara o seu plano para me encurralar, este homem não é qualquer um, ele conhece muito bem as leis do mundo, e sabe que o fraco deve sucumbir diante o forte! Vou dizer a você o que eu quero que tu faças...
- Morte! - grimu.
- Você está certo disso? Por tão pouco desejas tirar a vida de uma pessoa? não estaria agindo da mesma forma que ele? Escrevendo o destino dos homens sem nenhuma preocupação quanto à vida?
- As regras não foram escritas por mim! Eu apenas as sigo - grimu - Quanto maior o poder, maior é a loucura! Não quero convencê-lo de nada, não preciso que faças algo contra tua vontade! Mas peço que olhe por todos nós, e todos os anos de nossas vidas que serão perdidos! Eu agora solteiro um dia poderei me casar e ter filhos, mas se morrer! jamais realizarei este meu sonho! Tudo será em vão... Você entende não é?!
- Não grimu, eu não entendo! Mas... Farei como ordenou no final de todas as coisas devemos nos deitar sob a mesma sepultura, e receber o mesmo julgamento! Vou fazer a minha preparação... Pretendo agir esta noite! - Disse isto, e saiu rumo a seu quarto, os dois discutiam na sala, e em qualquer momento poderiam ser ouvidos.
Grimu como sempre mostrava um grande contentamento, parte de aquele plano a seguir seria o primeiro passo para a conquista, uma pequena fatia do bolo que seria servida após alguns anos, sábia que estava indo em caminho ao poder, e mais do que isso, não pretendia se desvirtuar do caminho!
Ao cair da noite deiman saiu de seu quarto, estava com o rosto pálido, e sem nenhuma expressão, tomou o seu caminho, guardava dentro de seu casaco uma arma, pensou em levar uma espada, pois era quase mestre na arte.
- Não! uma espada só deve ser levantada para proteger algo ou alguém, eu não tenho nada a proteger desta vez, estou indo ao ninho de onde nascem as cobras, para eliminá-las para meu irmão, a história parece mais um conto de fadas... Uma espada não deve ser levantada sem uma razão, isso faria com que o ensinamento passado de geração em geração fosse feito como o esterco do pasto! O Ideal estaria destruído! E também uma espada é muito chamativa para quem deseja fazer um trabalho rápido, eu poderia ser visto usando-a.
Ao abrir o portão avistou grimu, estava dentro do carro a sua espera, fumava um grande cigarro, parecendo inquieto.
- Vou te levar até lá, deixarei tu a dois quarteirões da casa, quando terminares o carro estará aqui, espere cerca de duas horas para adentrar em sua casa, entendeu? daqui a duas horas eu já estarei em nosso lar esperando! Eu ligarei para o homem e então pedirei para que ele saia, dizendo que estou ao lado de fora de sua residência...
E você então dará o golpe final!
- Uma boa estratégia resumida! - disse deiman.
Alguns quarteirões a frente, cerca de qüatorze ou quinze foram contados por deiman, uma pequena distância até a casa do homem, grimu poderia percorrer aquele caminho em menos de um quarto de hora, mas desejava faze-lo vagarosamente, tendo tempo para pensar, como diria ao homem que estava em sua porta para conversar? Ele acreditaria? Enquanto pensava nisso se afastava de deiman, e já poderia contar cerca de três quarteirões até o ponto em que deiman estava o carro escondido na sombra de um grande carvalho estava sem a placa de identificação, grimu sabia como agir naqueles momentos, a situação ficaria muito delicada se por ventura alguém soubesse que o carro do homem que matara Oscar, fosse originalmente de posse de grimu.
Decidiu então apressar o passo, tinha alguma idéia em mente e não a perderia, andou rápido, no entanto jamais correu mesmo se passando das nove e vinte e cinco da noite, procurou não expressar nenhuma fadiga, os dias seriam mais claros a partir de amanhã, pensou ele.
Deiman sentia o frio da noite cada vez maior em seu coração, aquela seria uma longa noite, e o assassinato seria apenas o início dela, pensou em ligar para grimu e convoca-lo para uma nova reunião, porem pensou e soube que de nada adiantaria ligar, grimu deveria estar com o seu telefone desligado, era cauteloso o bastante para não deixar nenhuma ligação suspeita entrar em seu celular, o que restara a ele era seguir com a missão, o tempo demorava a passar, em seu relógio conferiu a hora pela centésima vez, a vigésima primeira hora ainda não havia se passado.
- Vinte e uma horas, até o ponteiro menor cruzar a casa das doze, ainda restam cerca de quinze minutos, isso é um problema, grimu ligará para o homem as onze horas, tenho certeza disso, esperar é um problema, tenho de ficar aqui calado, e quando o relógio informar que as dez horas chegaram devo seguir até a casa do homem e procurar de longe uma sombra grande o bastante para me manter até lá!
E foi o que fez, quando o relógio soou as dez horas, antes mesmo disso, começou a se movimentar, observando o movimento que naquela hora era zero, esperou algum tempo, não poderia falhar, o frio só aumentava em sua barriga, mesmo vestindo um grosso sobretudo! Deiman estava usando um grande chapéu, e com a calada da noite, ficaria imperceptível, pois ele escondia a face do homem, a luz jamais viria de encontro a seu rosto manchado pela corrupção.
Grimu enfim chegara a sua casa, olhou no relógio e este marcava a chegada da vigésima segunda hora, foi até ao banheiro e lavou o rosto, não poderia falhar, voltou para a sala, e procurou sentir a presença se alguém estava só! Retirou do bolso o telefone.
- Vinte e duas horas, e quarenta e sete minutos! Já está na hora!
E pôs se a ligar:
- Nove, nove, três, quatro dois, seis seis seis - recitou enquanto discava os números!
A Cada toque uma gota de suor caia, e após cinco toques exatos, o telefone foi atendido.
- sim? - era Oscar que estava do outro lado da linha, parecia estar meio acordado, pois demorou algum tempo para reconhecer a outra pessoa que ligara.
- Sou eu Senhor Oscar! Grimu!
- Alô grimu... Demorei alguns segundos até descobrir quem era, mas... o que quer de mim está hora da noite?
- Na verdade estou a caminho de sua casa Sr. Oscar, pois desejo ter uma conversa com o senhor ainda está noite, me desculpe por incomodá-lo, mas é preciso!
- Hm.
- Tive uma conversa com o juiz da corte desta cidade, e ele me prometeu livrá-lo, de certa forma, me passou alguns dados e algumas falas para a sua audiência, que será amanhã às treze horas em ponto, por isso preciso conversar com você!
- Como?! Você conseguiu me livrar? Graças a deus! Sempre soube que era um bom rapaz grimu, vou lhe dar três vezes mais do que prometi por isso, Agora me sinto disposto a conversar, por favor, venha até a minha casa, eu estarei ao lado de fora o esperando, sairei agora mesmo!
- Tudo bem! Chegarei à frente de sua casa em menos de três minutos! Até mais ver senhor!
Desligou o telefone, só lhe restava esperar por deiman o plano estava todo em suas mãos, olhou pela janela para fora, a luz estava bela, gigantesca e o frio cortava o coração daqueles que se aventuravam!
- O que deiman estará fazendo agora?
Dez e cinqüenta e oito! Deiman Encostou-se à porta da casa de Oscar! O incrível é que mesmo sendo um criminoso, não tinha sequer um segurança guardando as portas ou o portão da casa, Oscar tinha total segurança de sua vida!
Abriu a porta e viu o homem, por ironia do destino não pode ver o seu rosto, estava muito escuro, e o chapéu ajudara em quase cinqüenta por cento da camuflagem! Não se importou, estava feliz o bastante para convidar até mesmo os mendigos para uma grande festa.
- Entre senhor Grimu! Ficarei muito feliz em saber das novas que traz para mim, pelo telefone soube que tu me salvarás de minha prisão, e por isso, para mostrar a minha felicidade e fidelidade a você, pagarei três vezes mais do que o prometido, e também eliminarei todos os seus inimigos, sabes o quão feliz estou?! E ficarei mais feliz ao final desta conversa.
- Sim! E mais feliz ficará, tenho certeza disso! - disse deiman retirando o chapéu.
- mas... Quem é você? Você não é o meu advogado! o que é isso?
- Não se preocupe tudo acabará bem! - disse ele, retirando a arma da roupa, e apontando para o homem.
- O que você vai fazer? quem é você? porque aponta esta arma em minha direção? o que eu lhe fiz? - dizia o homem desesperado.
- Nada, você não me fez nada!
- mas ent...
Deiman não esperou, não queria esperar, tudo parecia estranho, estranho demais para ele, apertou o gatilho que disparou, fazendo o homem cair por terra.
- Não faz Sentido... eu pensei que gri.. - Oscar.
- Esse é o fim! - disse deiman desferindo mais dois tiros, para a certificação de que o homem não sobreviveria, em seguida correu até onde o carro estava, saindo em alta velocidade, correu por cerca de quatro quarteirões, depois reduzindo a velocidade, retomou a calma, não poderia causar nenhum caos, afinal, acabara de matar o homem e aumentar em muitas vezes o otimismo de Grimu.
Deiman sabia o quão imprudente fora ao disparar mais do que um tiro certeiro, o som das balas atravessando o corpo certamente chamaram a atenção dos moradores, mas nenhum deles teve a coragem de chamar a polícia.
- A Humanidade teme a morte mais do que tudo! E para não se envolver deixam com que muitas coisas sejam sacrificados, na verdade, a única coisa que dão valor é a sua própria vida!
- Tanto faz agora o caminho que eu deva seguir, afinal, eu fui usado por grimu, e mesmo não acreditando em suas palavras, puff... Poderia eu ser mais tolo do que isso? Acredito que fiz o que fiz por vontade própria, Até mesmo eu deixei os meus ideais de lado, e manchei a minha honra... De agora em diante, não sou nada... Apenas um verme.
- Farei grimu tomar conhecimento do que descobri, farei com que ele peça desculpa a mim, farei com que ele reverta este caos, ou então estarei fadado ao destino de cão, servidor do mestre! E se este for o meu destino, me tornarei mais um assassino sem nenhum ideal.
Voltando aos dias atuais, de dento do quarto de deiman, que agora jazia morto, o telefone tocou e a ligação foi transferida para a caixa de mensagem, uma bela voz ecoava ali, e pelo que se podia entender, aquilo era um pedido.
- Alô Deiman, estou ligando para você para que se dirija até o quartel general de Scar, a cidade está um caos e suas habilidades serão recebidas com grande alegria, por favor não rejeite o meu pedido, pois é a segunda vez que o faço! Daqui a um mês Procure-me na escola do sul, chamada “Stormind’, estarei ali formando um grande plano para reter a revolta que se alastrou por este país, e ainda mais nesta capital”! Por favor, não ignore este pedido, muitas vidas serão salvas se você puder nos ajudar! Até mais ver!
No fundo do quarto havia uma pequena pia e a sua torneira gotejava! "PUC...PUC...PUC..."
E assim os dias de Loucura e poder de deiman tiveram o seu fim, sem ninguém para enterrá-lo, o que restou foi o esquecimento. Assim como todos aqueles que matou e foram deixados ao apodrecimento.
Este era o fim, o fim que jamais fora planejado!
"Minhas veias cheias de rancor e mágoa
Meus pensamentos debilitados por memórias
Eu jamais desejei sentir
Nos braços do destino eu fui jogado mais uma vez
E agora eu me vejo neste mar
E sem desespero, sinto o meu corpo se afogar.
As ondas Dançam sobre mim, mas isto não faz diferença agora.
Em uma noite de lua cheia, eu sinto a solidão desaparecer de meu corpo.
E a luz da lua invadir o meu espírito
Terminando com os meus dias"
Deiman*.
Tsuki-yomi.
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