domingo, 25 de outubro de 2009

Prelúdio

"Prelúdio" Parte 1.



[diário ->]...Num tempo não tão distante de hoje, onde as coisas não eram tão diferentes das de hoje em dia, o vento batia na janela como sempre, ecoando sons estranhos que me assustavam tanto quando criança, e os corredores de madeira perto da lareira da sala, que alias há muito tempo não é usada. Esse país é quente demais para lareiras, as praias são a distração, e os clubes são anestesias vibrantes aos problemas de sempre, a terra da mesmice, e os jovens, que deveriam ser a parte mais leve daqui, parecem se esforçar tanto para demonstrarem tal bem-estar.
De manha, quando os animais ainda dormem, algumas corujas cercam o quintal, e derrubam muitas frutas da cerejeira da vizinha, enquanto outros deles visitam a janela do quarto do andar de cima.
E bem como nas coisas normais, existem alem de coisas boas, as que não são tão boas, pessoas que perderam a vontade de cantar, de cuidar dos campos e de cultivar alguns sentimentos que eles mesmos classificam como corretos. Políticos e burocráticos,
Hipócritas e ambiciosos, maliciosos, como sempre. E sem contar as injustiças, as fatalidades se multiplicando e povos calados, seguindo ideologias, e esquecendo os questionamentos...[<- diário]

O despertador toca, já passava das 6 da manha, quando era interrompido a inspiração para escrever de KAITA, que assustado foca seu olhar no relógio e confirma o horário, já era tempo de parar, dentro de uma hora seu dia como adulto começaria, a faculdade de física, às 7, período integral, o que não lhe permitia horário para empregos convencionais, era o mais talentoso entre os colegas e o menos interessado por ventura.
Ao perceber que teria que sair resmungou:
- Mais um dia! E já passaram 5 anos, e os números não parecem explicar as coisas com tanta firmeza quanto antes. [Kaita]
Empilhou seus livros, fazendo questão de manter seu diário no topo, organizou-os na bolsa e a manteve no quarto e dirigiu-se a cozinha, terminou de comer e voltou ao quarto, equipou-se com a bolsa e saiu, a caminhar.
Caminhando no curso da faculdade, olhou o sol a nascer, e deslumbrado suspirou e continuou.
Chegando ao prédio seu colega empolgado se aproximou dizendo:
- Ei, Kai, hoje é o grande dia, logo mais vou apresentar minha tese, eu vou falar sobre buracos negros, o que acha!? [perguntou Robert].
E sem muito animo responde:
- Interessante, tenho certeza que vai se sair bem! [Kaita].
Ainda animado, Robert desferiu uma segunda pergunta:
- Tomara! E você sobre que vai falar!? [Robert].
-Eu não tenho certeza se vou apresentá-lo, o próprio professor parece não se interessar pelo assunto que eu escolhi. [Kai].
-Você é realmente muito pessimista, me diga sobre o que você fez a sua tese? [Robert].
-Sobre a força...[Kai].
Quando o toque do sinal os interrompeu, era hora de entrar, no entanto, Kai percebeu o sorriso irônico de seu colega, que parecia menosprezar também o tal tema. Kai caminhou devagar, deixando-o prosseguir a frente, ele não era uma companhia estimada por Kai.
Já na sala após as apresentações, chegou à vez de Kai apresentar, e foi chamado pelo professor. Kai levantou-se com as folhas da sua tese e entregou-a, e voltou ao seu assento, deixando seu professor boquiaberto:
- Sr. Jones, o que significa isso? [perguntou o professor].
-Não significa nada, leia a tese você mesmo! [Kai].
-Então eu lhe informar que seu esforço será desconsiderado, uma vez que sua apresentação é descartada sua tese terá o mesmo destino. [Professor].
- Tanto faz. [Kai].
Resposta essa que deixou o professor insatisfeito, e inquieto, e já aos gritos exclamou:
- Você que era o orgulho da universidade, não tem o direito de agir dessa forma, você estuda aqui desde os seus 13 anos, era considerado o gênio da sua cidade, porem assim que engrenou nas aulas, se mostrou o menos interessado...[professor, sendo interrompido]
Kai levantou-se e caminhando em direção a porta ressalvou:
-Não termine senhor, a sua resposta já não me interessa mais, a sua cobrança me constrange, ai esta o que eu tenho a apresentar, não vai ser uma nota ou um diploma que ira me distanciar dos meus estudos, muito menos uma colocação grosseira como essa! [Kai].
- Como o orgulho do estado pode ter caído tanto, você a decepção do colégio![professor]
Já com a Mao esquerda na maçaneta, naquele instante, Kai refletiu, parecia ver claramente o que lhe causou tal desanimo. E por um segundo o silencio pairou no recinto.
- A física... que vocês popularizaram é uma decepção! [exclamou Kai, já fechando a porta]
E La estava ele caminhando novamente, porem, dessa vez, sem rumo:
Refletiu:
‘foram 5 anos, trabalhando com a força, entendendo-a, elevando-a ao nível supra-humano, e tudo que eles conseguem é julgá-la como fantasiosa, eu não entendo quando os homens fecharam seus olhos às coisas novas, as coisas que ainda não foram descobertas... Esses 5 anos me provaram que todas as matérias, metodologias, todas elas são limitadas. E que o homem a aceita, o porquê eu ainda não fui capaz de desvendar.
Estudar a força me fez entende-la e acima de tudo admira-la, e eu considero desperdício negá-la ou substituí-la por conceitos mastigados. ’

Distraído olhou para o horizonte, e viu a mesma sena de mais cedo, porem em estado reverso:
‘ O morrer do sol. O alvorecer e o crepúsculo, dois conceitos de beleza equivalentes, assim como o a luz e a escuridão, que não aceitam interpretações, o alvorecer é como a força, evolutivo, e presente como a esperança. O crepúsculo é como o comodismo, o fim, o não-excepcional. São apenas escolhas ‘

E sorrio, diante da bifurcação dos seus conceitos. Partiu na direção do apartamento que a universidade lhe concedia para manter seus estudos. Ao chegar sentiu-se nostálgico, lembrando o quão interessante foram seus dias, explorando a força, entendendo-a.
Juntou suas coisas, encheu sua bolsa com elas, e foi até a porta. Olhou para trás e percebeu que deixara seus livros para trás.
- Perto do que eu descobri, a física foi ofuscada...! [Kai]
Saiu, trancou a porta, e deixou a chave com o porteiro.
Já na rodoviária, esperava o ônibus para sua cidade natal, no interior. Logo o ônibus chegou, porem, lhe pesava os pensamentos de outrora, diante do crepúsculo, e do alvorecer. Uma escolha lhe pressionava, Kai apenas esperou. Sem uma resposta definitiva, percebeu ao lado do seu ônibus, outro, que tinha como destino a capital do país, lugar que Kaita considerava o covil da injustiça dali, e logo uma resposta lhe cercava:
‘Se eu voltar, nada mudará, o meu esforço se resumiu em folhas que não serão lidas, a capital é imensa, meu crescimento depende dos meus próximos passos..’
Antes de concluir seu pensamento, já estava dentro do veiculo que partia para a capital.
Após 3 horas de viagem, estava ele na capital, e antes mesmo de procurar um abrigo, adentrou a biblioteca nacional, o maior arsenal dos livros do continente.
E leu três dos livros mais conceituados da atualidade, no curto espaço de tempo de 3 dias, sem dormir nem fraquejar. Ao terminar se sentiu triste, pois ainda encontrava muitas falhas, muitas teorias sem confirmação, o que o desanimou profundamente da física e confirmou o que ele mesmo teorizava em sua tese.
‘eletricidade, vento, gravidade, tudo se resume ao mesmo conceito de força, algo primitivo, obtido antes de qualquer forma, antes da luz, do impacto, a base de tudo, eu me orgulho de confirmar, que se resume à força, ainda assim, sendo tão valioso e tão presente, é possível encontrá-la em todos os simples movimentos. A força é a base, e ela é gratuita, e fica escondida em cada ser microscópico, ou melhor, em cada ausência ou presença de vida... a força é de fato TUDO. Porem mesmo compreendendo-a ela não parece ser manipulável, apesar de conseguirmos usá-las a todo momento, o simples fato de refletirmos informações e transformar-las em movimento muscular, é uma demonstração de manipulação da mesma. Movimento é força, movimentar energia vital talvez...’
Enquanto refletia estendeu sua mão direita, quando os livros empilhados foram jogados ao chão, sem contato direto...
- Eureca! [exclamou Kai sorrindo].
Ao sair da sala de estudos da biblioteca, se deparou com a cidade, imensa, e movimentada, lembrou nesse instante o quanto desamparado estava ali, mais isso ainda não lhe parecia um problema, porem, algo ainda maior lhe perturbou naquele momento, uma pergunta.
- Como usar isso em prol da justiça!? [se pergunto em baixo tom]

Olhou para o céu, quando começava a chover, e sorrio, caminhando sem direção novamente. Parecia ter-lhe destrancado uma resposta.



Kuragari No Ga.

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